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PRINTS E ÁUDIOS

Policiais falam em matar, forjar prisões e agredir suspeitos em mensagens vazadas em MT

Mensagens e áudios atribuídos a policiais civis revelam linguagem cifrada, ameaças e supostos crimes cometidos durante investigações.

Conteúdo Hipernotícias
Da Redação

As mensagens que vazaram de um grupo de policiais civis de Sorriso (397 km de Cuiabá) põem em xeque a credibilidade das ações da corporação na cidade. Por meio de linguagem cifrada e, em alguns casos, revelações explícitas, os agentes falam com naturalidade sobre forjar prisões em flagrante e confrontos.

Em uma das conversas é possível ver que o delegado manda "buscar" um suspeito, cujo endereço havia sido compartilhado no grupo "DHPP/Assuntos Oficiais". Na sequência, um interlocutor questiona: "meter flagrantão no pelo mesmo?". A expressão usada pelo policial significa forjar um flagrante para prender uma pessoa.

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Em uma outra conversa, um dos servidores da segurança pública admite que uma arma está sendo usada pela Polícia Civil para forjar confrontos que resultam na morte de suspeitos. "A gente tá pegando uma arma e rodando ela pelos confrontos", diz o agente.

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"Bom era a PM trincar mais 2 esse fds [fim de semana]. Pessoal está em choque com os confrontos marotos", responde um outro agente.

Na linguagem usada pelos integrantes do grupo, "confronto maroto" e "confrontinho" é quando os policiais forjam confrontos, plantando armas de fogo na cena do crime, no intuito de incriminar as vítimas. Além disso, na linguagem adotada "trincar" é matar.

Em diálogo por áudios, dois integrantes do grupo conversam sobre supostos confrontos forjados por policiais militares. A conversa tem início por causa das informações de uma ocorrência da PM que termina com duas prisões e um óbito. No áudio, o delegado diz que existe um “padrão” de confrontos.

"Rapaz, isso tá com de que foi confronto mesmo, porque no meio do Poção, sem testemunha, os caras matarem um e trazerem dois vivos, deve ter sido um confronto de verdade mesmo, porque se fosse o padrão era botar os três pro lado", afirma.

Um interlocutor responde em texto: “Confrontinho maroto. Não vamos nos enganar”. Na sequência, o delegado volta a falar por áudio, discordando de que esse tenha sido um confronto forjado.

"[Em um] Confrontinho maroto no mato ninguém traz dois sobreviventes vivos para dar depoimento. Você vai me desculpar, mas você tá equivocado. Quem que vai matar um cara, executar no mato e trazer duas testemunhas. Você é doido?", disse.

Na sequência, o mesmo interlocutor responde ao delegado citando dois casos de confrontos policiais supostamente forjados. Ouça o áudio ao final da matéria.

Em pelo menos três momentos é possível ouvir ameaças explícitas de agressão contra suspeitos. Em um dos áudios, o delegado reclama que só falta uma prisão para encerrar a investigação de um caso. "Não sei se dou um cacete nele. Tô achando que esse cara vai ter que falar pra mim onde está esse cara aí", afirma na gravação.

Em outro áudio, o delegado diz que está indo até a delegacia agredir um custodiado para entregar uma terceira pessoa. Ele volta a usar a linguagem cifrada na gravação. "Nós vamos lá na delegacia pegar o outro que estava com o Miqueias [para] dar um tratamento vip nele para ver se ele entrega onde está a Beatriz para nós", diz.

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Numa outra gravação, a mesma pessoa informa aos colegas sobre a realização de uma diligência: "Eu tô indo ali buscar essa moça para efetuar um diálogo na moda antiga".

As mensagens também apontam que um médico legista da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) seria conivente com agressões de presos pela Polícia Civil da cidade. "Médico falou que só pode bater em vagabundo a partir da segunda quinzena de março", diz o delegado em mensagem enviada ao colegas. A data mencionada era o dia em que o médico voltaria das férias.

As mensagens vieram à tona depois que uma mulher foi estuprada dentro da delegacia da cidade, pelo investigador Manoel Batista da Silva. Ao todo, foram quatro estupros cometidos entre a noite do dia 9 e a manhã do dia 10 de dezembro de 2025.

A vítima havia sido presa por engano, no âmbito da investigação de um homicídio ocorrido na região. O depoimento de um motorista de aplicativo foi decisivo para que a polícia pedisse a prisão, que foi determinada pelo Judiciário. Posteriormente, descobriu-se que o referido motorista estava envolvido no crime e mentiu para livrar os comparsas.

 

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