O advogado Cleverson Campos Contó, de 39 anos, foi condenado a 8 meses e 5 dias de reclusão, em regime aberto, pelo crime de ameaça contra sua ex-companheira, a psicoterapeuta M.V. A decisão foi proferida pela juíza Gisele Alves Silva, da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá.
O caso ganhou repercussão nacional em setembro de 2020, quando outras mulheres, incluindo a influencer M.V., denunciaram publicamente supostos episódios de violência praticados por Contó. As acusações incluíam agressões físicas e psicológicas, perseguição e ameaças de divulgação de imagens íntimas. A Polícia Civil confirmou a existência de pelo menos oito boletins de ocorrência anteriores, e a OAB-MT abriu processo administrativo para apurar sua conduta.
A condenação
No processo que resultou na sentença, ficou comprovado que Contó proferiu ameaças em local público, causando temor e impacto psicológico na vítima. Entre as frases registradas nos autos estavam: “Você vai morrer! Você não sabe com quem está se metendo! Eu pago o que for preciso para acabar com a sua vida!”. Além da pena de reclusão, o advogado foi condenado a pagar indenização de três salários mínimos por danos morais.
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Histórico judicial
A trajetória de Contó nos tribunais é marcada por episódios contraditórios. Em 2021, o Ministério Público pediu o arquivamento de um inquérito movido por M.V., por falta de provas. A defesa sustentou que as denúncias faziam parte de uma “campanha difamatória”. No entanto, a recente condenação mostra que o Judiciário encontrou elementos suficientes em pelo menos uma das acusações.
Atualmente, Contó ainda responde a outro processo criminal por violência doméstica, movido pela médica L.M., e a uma ação por crimes contra a honra. Na esfera cível, figura como réu em ações de execução por dívidas bancárias e também como autor em processos de cobrança contra concessionárias de veículos.
Defesa e próximos passos
A defesa, representada pelo advogado Eduardo Mahon, anunciou recurso e alegou nulidades processuais. Segundo ele, o processo teria ocorrido sem a devida intimação do acusado, o que configuraria “vícios insuperáveis”.
Caso a condenação seja confirmada em instâncias superiores, Contó deverá cumprir a pena em regime aberto, que permite atividades externas, mas com restrições à liberdade.
CONFIRA A NOTA DA DEFESA NA ÍNTEGRA
"NOTA À IMPRENSA
A defesa do advogado Cleverson Contó informa que recorrerá da sentença condenatória por ameaça. Isso porque a pretensão punitiva está prescrita e o processo foi conduzido de forma irregular, com sucessão de nulidades, sem intimação do acusado e sem respeito ao contraditório e à ampla defesa.
Ademais, convém relembrar que o caso nasceu como um rumoroso escândalo que envolveria diversas vítimas, o que não ficou demonstrado logo no início do processo. O que se passou foi um recrutamento de denunciantes, resultando em pareceres favoráveis do Ministério Público pelo não prosseguimento de diversos procedimentos paralelos, destituídos de prova mínima. Passados os anos, sobreveio uma sentença nula de alguns meses de detenção em desfavor do advogado.
Cuiabá-MT, 06 de fevereiro de 2026.
Eduardo Mahon – advogado."



















