O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta sexta-feira (29/8) que tem “conversado muito com lideranças” sobre a tramitação do projeto de lei da anistia, que tramita na Câmara dos Deputados.
O texto apresentado pela oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional prevê o perdão dos crimes cometidos pelos envolvidos no atos de 8 de janeiro e poderia beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu no Supremo Tribunal Federal (STF) no processo da trama golpista.
“A gente tem conversado muito com lideranças acerca da tramitação do projeto de lei da anistia, porque a gente acredita muito nesse projeto como um fator de pacificação. Eu acho que dá para se construir um ambiente para aprovar isso, é algo que na história do Brasil já aconteceu diversas vezes”, disse Tarcísio durante agenda em Santo André, no ABC paulista.
Julgamento de Bolsonaro
O governador afirmou que não pretende acompanhar presencialmente o julgamento de Bolsonaro no STF, previsto para começar na próxima terça-feira (2/9) em Brasília. Ele voltou a dizer que tem convicção sobre a inocência do ex-chefe e declarou que tem “muita coisa” no processo que “não faz o menor sentido”.
“Não sei o que vai acontecer, o que sei é que o Bolsonaro é inocente. Eu convivi com ele de forma muito próxima nesse período todo, fui ministro dele. Um presidente que está planejando algo, não nomeia os comandantes de força do governo que está sucedendo. Tem muita coisa aí que não faz o menor sentido, na minha opinião”, disse.
Questionado sobre uma declaração feita por Lula — de que Tarcísio vai fazer “o que Bolsonaro quiser” caso seja candidato à Presidência da República e que sem o ex-presidente o governador paulista “não é nada” —, Tarcísio afirmou que não perde “um minuto pensando nisso”.
Com o avanço do processo contra Bolsonaro no STF e a adoção de medidas cautelares como a prisão domiciliar e o uso de tornozeleiras eletrônicas, tem crescido a pressão de aliados para que Tarcísio seja agraciado com o apoio do ex-presidente para disputar o Palácio do Planalto em 2026.
Publicamente, no entanto, o governador tem reafirmado que pretende ser candidato à reeleição ao governo de São Paulo.
Crime organizado
- Tarcísio de Freitas também comentou sobre a megaoperação deflagrada nessa quinta-feira (28/8) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e Polícia Federal, que mirou um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado por meio de uma rede de postos de combustíveis, com a utilização de fintechs e fundos de investimentos da Faria Lima.
- O governador negou que tenha havido uma disputa de protagonismo entre o governo paulista e a governo federal.
- “Já vínhamos fazendo um trabalho de investigação. O Gaeco começou a investigar isso aqui, juntamente com a nossa equipe e com a inteligência da polícia. Esse trabalho vai tendo desdobramento. Se o Brasil não olhar para o setor de combustível como um todo, a gente não vai resolver esse problema. É um caso de integração bem-vinda. Então, não é disputa de protagonismo“, disse.
- Tarcísio ainda afirmou que outras operações acontecerão. “Já antecipo aqui, não vai parar por aí. Outras grandes operações virão porque a gente vai atacar outros braços do crime organizado, outras frentes de atuação de lavagem de dinheiro aqui no Estado de São Paulo”, afirmou.