▶️ Contexto: Em comunicado enviado à agência Reuters, a Casa Branca disse que a Groenlândia é estratégica para os Estados Unidos para conter adversários na região do Ártico. O governo disse que várias opções de política externa estão sendo analisadas.
- Segundo a Reuters, na mesa também estão opções para uma solução diplomática, como a compra da ilha ou a negociação de um acordo de livre associação.
- Os Estados Unidos já demonstraram interesse em adquirir a Groenlândia no passado, principalmente por razões de segurança. Os norte-americanos mantêm uma base militar na região.
- Trump começou a defender a anexação da Groenlândia ainda durante o primeiro mandato. Ele voltou a tratar do assunto ao retornar à Casa Branca, em janeiro do ano passado.
"A Groenlândia é sobre a paz mundial. Precisamos da Groenlândia. É muito importante para a segurança internacional. Se você olhar para as hidrovias, verá que há navios chineses e russos por todo lugar... Não estamos contando com a Dinamarca ou qualquer outro país para cuidar dessa situação", afirmou em março.
Em dezembro, Trump nomeou o governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para tratar do território. À época, o presidente norte-americano voltou a afirmar que precisava da Groenlândia.
O movimento gerou críticas da Dinamarca e da Groenlândia. À época, o ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, convocou o embaixador dos EUA em Copenhague e classificou as declarações como inaceitáveis.
O governo groenlandês afirmou que apenas a ilha pode decidir sobre o próprio futuro.
Novas tensões e reação europeia
O assunto voltou a ganhar força no sábado (3), após os Estados Unidos realizarem uma operação militar na Venezuela que resultou no sequestro do ditador Nicolás Maduro.
Poucas horas depois, Katie Miller, esposa do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, publicou em uma rede social um mapa da Groenlândia coberto pela bandeira dos EUA, com a legenda “em breve”. Veja abaixo.
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Katie Miller posta mapa Groenlândia com bandeira dos EUA — Foto: Reprodução / X
A publicação foi interpretada por autoridades europeias como uma ameaça e aumentou o temor de que a Groenlândia pudesse enfrentar uma situação semelhante à da Venezuela.
⚠️ Reação: Nesta terça-feira, líderes da França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Dinamarca divulgaram um comunicado conjunto afirmando que “a Groenlândia pertence ao seu povo” e que apenas Dinamarca e Groenlândia podem decidir sobre o futuro do território.
- O texto afirma que a segurança no Ártico deve ser garantida de forma coletiva, no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
- Tanto os Estados Unidos quanto a Dinamarca fazem parte da aliança militar.
- A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse que um eventual ataque dos EUA à Groenlândia poderia significar o fim da Otan.
“Se os Estados Unidos decidirem atacar militarmente outro país da Otan, então tudo para. Inclusive a nossa Otan e a segurança implementada desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, disse à, assegurando que está fazendo “tudo o que é possível” para evitar que isso aconteça.
Um dia antes, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, usou as redes sociais para reclamar das atitudes dos Estados Unidos.
“Já chega! Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação”, escreveu.
A Dinamarca anunciou no ano passado um investimento de 42 bilhões de coroas dinamarquesas (R$ 35,4 bilhões) para reforçar sua presença militar no Ártico.
Interesses na Groenlândia
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Moradores da Groenlândia fazem protesto contra os EUA, em 15 de março de 2025 — Foto: Christian Klindt Soelbeck/Ritzau Scanpix/via REUTERS
A Groenlândia está geograficamente localizada no continente norte-americano, mas mantém fortes vínculos com a Dinamarca. A ilha, que foi uma colônia dinamarquesa, passou a integrar o Reino da Dinamarca em 1953 e segue a Constituição dinamarquesa.
Em 2009, a Dinamarca autorizou a Groenlândia a formar um governo próprio e autônomo, abrindo a possibilidade de uma declaração de independência por meio de referendo.
???? Interesses: Os Estados Unidos consideram a Groenlândia um território estratégico para a segurança nacional. A ilha poderia abrigar sistemas de defesa capazes de interceptar mísseis vindos da Europa ou do Ártico.
- A região também é rica em minerais, petróleo e gás natural.
- No entanto, a extração mineral enfrenta oposição de povos indígenas e restrições do governo local.
- Já a exploração de petróleo e gás é proibida por razões ambientais.
- A população da Groenlândia poderia votar pela independência e aprovar, em referendo, uma associação aos Estados Unidos. Especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que a probabilidade de isso ocorrer é baixa.


















