O novo capítulo de operações policiais na Câmara de Cuiabá, tendo como alvo o presidente afastado Chico 2000 (sem partido), reabriu uma ferida histórica no Legislativo municipal. Para analistas políticos ouvidos pelo HNT, a situação de Chico é gravíssima e sua cassação é vista como provável, embora não garantida devido às complexas "redes de proteção" dentro do parlamento.
Diferente de casos anteriores, a pressão sobre Chico 2000 é intensificada por sucessivas operações, sendo três em menos de um ano: Perfídia, Rescaldo e Gorjeta. Para o analista político Vinícius de Carvalho o desfecho já é certo. "Acho que o Chico dificilmente escapa de uma cassação. A situação é muito complicada”, apontou.
A análise de Vinícius aponta para uma mudança estrutural na Câmara nas últimas décadas, com a extinção do "alto clero", vereadores com maior preparo intelectual e capacidade de mediação. Em seu lugar, consolidou-se um grupo focado em "negócios" e no uso da máquina pública para garantir currais eleitorais.
Para ele, com essa composição, a Câmara virou um anexo da Prefeitura. “Falta gente experiente para mediar a Casa", pontuou.
A análise é endossada pelo também analista político João Edisom que ainda destacou o ‘histórico macabro’ da Casa, uma lista extensa de ex-presidentes processados ou presos, incluindo Lutero Ponce, Chica Nunes, Deucimar Silva, João Emanuel Moreira Lima, Júlio Pinheiro e, agora, o imbróglio envolvendo Chico 2000.
Para ele, nesta perspectiva de ‘extinção’ do alto clero, e o histórico da “Casa dos Horrores”, a sociedade “aprendeu o seguinte, quanto mais corrupto, quanto mais trambiqueiro, o cara entra e não sai mais. Porque o que favorece um punhado de gente é o lucro, e permanece no poder”.
Porém, diferente de Carvalho, Edisom acredita que Chico conseguirá se salvar da perda do mandato e dos direitos eleitorais.
“Tem chance [de se salvar da cassação]. Esse tipo de encrenca que ele entrou, ninguém entra sozinho. Possivelmente, ele tem muito a contar”, comentou.
Para os especialistas, o Judiciário e o Ministério Público agem, mas o "caroço" da corrupção permanece porque o eleitorado muitas vezes opta por candidatos que prometem assistencialismo imediato em vez de propostas legislativas.
"As pessoas elegem vereadores do 'tamanho delas'. Enquanto o voto for trocado por pagamento de conta de energia ou favores pessoais, a Câmara continuará sendo uma 'casa dos horrores' do ponto de vista técnico", concluiu o Edisom.
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