O ano de 2025 foi marcado por um ambiente global impactado pela chamada “guerra comercial 2.0” entre Estados Unidos e China, iniciada após a imposição de novas tarifas pelo governo norte-americano a partir de abril. As medidas elevaram os custos de produtos chineses e provocaram retaliações, com tarifas sobre itens norte-americanos que, em determinados momentos, superaram 100%, o que restringiu o comércio entre as duas economias.c.
Segundo a análise da Hedgepoint, combinação entre o redirecionamento do fluxo comercial e a safra 2024/25 resultou em novo recorde nas exportações brasileiras de soja em 2025, que alcançaram 108,2 milhões de toneladas, crescimento de 9% na comparação anual e acima do recorde de 2023. A China manteve-se como principal destino, com 85,43 milhões de toneladas, o equivalente a 79% do total embarcado, volume 17,7% superior ao de 2024. A Espanha ocupou a segunda posição entre os compradores, com cerca de 4 milhões de toneladas.
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No escoamento da oleaginosa, o porto de Santos liderou em 2025, com 34,57 milhões de toneladas, alta de 24% em relação ao ano anterior. O porto de São Luís, no Maranhão, exportou 15,85 milhões de toneladas, avanço de 14%. O movimento reflete o crescimento dos terminais do Arco Norte, com Belém superando Rio Grande no volume embarcado.
As exportações brasileiras de milho somaram 40,98 milhões de toneladas em 2025, aumento de 3% frente a 2024, ainda abaixo do recorde de 2023. O Irã voltou a liderar as compras, com 9,08 milhões de toneladas, crescimento de 109% em relação ao ano anterior. O Egito ampliou os volumes importados, enquanto a China recuou para a quinta posição entre os destinos.
Na logística do milho, o porto de Santos foi o principal ponto de embarque, com 14,69 milhões de toneladas, apesar da queda anual. Belém manteve a segunda posição, com 6,76 milhões de toneladas, e Paranaguá registrou retomada, alcançando 5,03 milhões de toneladas.
Para 2026, as projeções indicam espaço para novos avanços, condicionados ao comportamento da demanda chinesa e ao ambiente geopolítico. No caso da soja, as estimativas apontam para exportações que podem chegar a 112 milhões de toneladas. No milho, a atenção recai sobre o contexto envolvendo o Irã, com expectativa de embarques próximos de 44 milhões de toneladas, segundo projeções de mercado.
De acordo com a Hedgepoint, “o que observamos em 2025 foi uma mudança estrutural no fluxo global de grãos. A combinação entre disputas comerciais e vantagens competitivas do Brasil reposicionou o país como fornecedor prioritário em um momento de reorganização das cadeias agrícolas internacionais”, afirmou Luiz Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da consultoria.
Segundo Roque, a dependência chinesa da América do Sul se intensificou e deve seguir influenciando o mercado. “A relação EUA–China seguirá como o principal vetor de incerteza. Cada ajuste tarifário ou diplomático tem potencial para reconfigurar o comércio agrícola, e o Brasil precisa estar preparado para responder rapidamente”, disse o analista.
Sobre o milho, o coordenador da Hedgepoint avaliou que o comportamento dos importadores continuará moldando 2026. “Vemos uma recomposição gradual da demanda, com alguns mercados retomando força e outros passando por realinhamentos internos. O ambiente continua construtivo, mas sensível a fatores externos — especialmente no Oriente Médio”, afirmou.
Ele também destacou o papel da logística no desempenho do setor. “A competitividade brasileira está cada vez mais vinculada ao avanço dos corredores logísticos, especialmente no Arco Norte. Essa evolução amplia a eficiência da nossa originação e reforça o potencial de crescimento para o próximo ciclo”, disse.




















