A ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, acompanhou o voto do relator Cristiano Zanin, para manter a prisão preventiva do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, na Penitenciária Federal de Brasília, conhecida como Papuda. A decisão baseia-se em laudos da Polícia Federal que desmascaram que o lobista forjou e exagerou deliberadamente sintomas reais para obter o benefício da prisão domiciliar.
O julgamento virtual do agravo regimental ajuizado na Primeira Turma, deve ser concluído até a próxima sexta-feira (13). Faltam votar os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Andreson é acusado de ser peça central num esquema milionário de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (ST) e no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Em julho de 2025, Andreson obteve o benefício da domiciliar por razões humanitárias após laudos indicarem perda rápida de peso e risco de morte.
No entanto, a PGR e a PF descobriram que o cenário era bem diferente. De acordo com o relatório no qual Lúcia baseou a decisão, em apenas três meses de liberdade vigiada, o lobista engordou 13,5 kg, e não buscou atendimento médico para a "doença grave" que alegava ter.
Para a Justiça, o que o Andreson fez foi uma metassimulação, ao exagerar deliberadamente sintomas reais para obter um benefício, neste caso, sair da cadeia.
Entre as indicações do PF consta que durante exames neurológicos, o réu afirmou não sentir dor ou calor, mas de forma incompatível com os padrões médicos da suposta patologia.
A defesa tentou o retorno para Cuiabá, mas o próprio Andreson já havia confessado, em documento de próprio punho, que sofre ameaças de morte de organizações criminosas dentro do sistema prisional de Mato Grosso.
SUPOSTO ESQUEMA
Andreson Gonçalves é apontado como o "operador" central de um esquema de venda de sentenças que veio à tona após a perícia no celular do advogado Roberto Zampieri, executado em Cuiabá em dezembro de 2023.
As conversas revelaram um mercado de decisões judiciais que já atingiu o topo da pirâmide do Judiciário. No Superior Tribunal de Justiça, servidores foram afastados por suspeita de negociar votos.
Enquanto no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, os desembargadores Sebastião de Moraes e João Ferreira Filho, além do juiz Ivan Lucio Amarante, foram afastados de suas funções. Com informações do Olhar Jurídico.
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