O Irã poderá suspender o bloqueio da internet em alguns dias, afirmou um membro sênior do Parlamento iraniano nesta segunda-feira (19), após as autoridades terem cortado as comunicações enquanto usavam força massiva para reprimir protestos na pior onda de protestos desde a Revolução Islâmica de 1979.
Em mais um sinal de fragilidade no controle das autoridades, a televisão estatal parece ter sido invadida por hackers no final do domingo (18), exibindo brevemente discursos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do filho exilado do último xá do Irã, conclamando a população à revolta.
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As ruas do Irã estão praticamente desertas há uma semana, desde que os protestos antigovernamentais, iniciados no final de dezembro, foram reprimidos em três dias de violência em massa.
Um funcionário iraniano, que pediu anonimato, disse à agência de notícias Reuters que o número confirmado de mortos ultrapassava cinco mil, incluindo 500 membros das forças de segurança, e que alguns dos piores protestos ocorreram em áreas de maioria curda no noroeste do país.
Grupos de direitos humanos iranianos com sede no Ocidente também afirmam que milhares de pessoas foram mortas.
Os opositores acusam as autoridades de abrir fogo contra manifestantes pacíficos para reprimir a dissidência. Os líderes religiosos do Irã alegam que multidões armadas, incitadas por inimigos estrangeiros, atacaram hospitais e mesquitas.
O número de mortos supera em muito o de protestos antigovernamentais anteriores, reprimidos pelas autoridades em 2022 e 2009. A violência levou Trump a ameaçar repetidamente intervir militarmente, embora ele tenha recuado desde que os assassinatos em larga escala cessaram.
Internet retornará "quando as condições forem apropriadas"
Ebrahim Azizi, chefe da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento, afirmou que os principais órgãos de segurança decidirão nos próximos dias sobre o restabelecimento da internet, com o serviço sendo retomado "assim que as condições de segurança forem apropriadas".
Outro membro do Parlamento, o linha-dura Hamid Rasaei, disse que as autoridades deveriam ter dado ouvidos às queixas anteriores do Líder Supremo Ali Khamenei sobre a "falta de transparência no ciberespaço".
As comunicações iranianas, incluindo internet e linhas telefônicas internacionais, foram amplamente interrompidas nos dias que antecederam os piores distúrbios.
O bloqueio foi parcialmente atenuado desde então, permitindo que relatos de ataques generalizados contra manifestantes viessem à tona.
Durante o aparente ataque hacker à televisão estatal no domingo (18), as telas exibiram um segmento de vários minutos com a manchete "as verdadeiras notícias da revolução nacional iraniana".
O segmento incluía mensagens de Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, que vive nos Estados Unidos, convocando uma revolta para derrubar o governo dos clérigos xiitas que governam o país desde a revolução de 1979, que depôs seu pai.

















