O atropelamento que matou a idosa Ilmes Dalmis Mendes da Conceição, de 71 anos, na manhã desta terça-feira (20), na Avenida da FEB, em Várzea Grande, trouxe novamente ao noticiário o nome do advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, atualmente com 68 anos, personagem ligado a alguns dos episódios criminais mais conhecidos envolvendo agentes públicos e o meio jurídico em Mato Grosso.
Preso em flagrante após deixar o local do acidente, Paulo Roberto, que conduzia uma Fiat Toro, foi indiciado por homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual. Imagens analisadas pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran) indicam que ele trafegava em alta velocidade, tinha visão livre da pista e não realizou qualquer tentativa de frenagem ou desvio. Após o impacto, seguiu viagem e foi localizado posteriormente em um shopping da cidade.
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A morte da idosa, cujo corpo foi arremessado e atingido por um segundo veículo, gerou comoção pública pela gravidade do impacto e pela fuga do condutor. O episódio também reacendeu a trajetória de Paulo Roberto, marcada por crimes graves, fugas da polícia, uso de identidades falsas, anos de prisão e posterior reconstrução como advogado criminalista.
De policial a réu por homicídios
Antes de ingressar na advocacia, Paulo Roberto atuou como policial militar e, depois, como investigador da Polícia Civil no Rio de Janeiro. Em 1998, foi condenado pelo homicídio do delegado Eduardo da Rocha Coelho, morto com um tiro durante discussão em uma viatura. Após a condenação, fugiu utilizando documentos falsos.
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Nos anos seguintes, viveu em Rondônia e Mato Grosso sob diferentes identidades. Chegou a trabalhar em diversas atividades e atuou como advogado sem registro até ser descoberto.
O caso que o projetou nacionalmente ocorreu em 2004, com a morte da estudante Rosimeire Maria da Silva, de 19 anos, em Juscimeira. A jovem foi morta em um motel, teve o corpo esquartejado e partes lançadas em rios distintos. Pelo crime, Paulo Roberto foi condenado a 19 anos de prisão, além de outros 13 anos pelo assassinato do delegado.
Prisões, fugas e ressocialização
Após cumprir parte das penas, Paulo Roberto ganhou liberdade em 2008. Obteve registro na OAB e passou a atuar como advogado criminalista. Em entrevistas, afirmou ter buscado ressocialização e relatou dificuldades de aceitação no meio jurídico. Em 2014, chegou a ser excluído da OAB/MT em processo disciplinar, mas sua defesa recorreu ao Conselho Federal. Apesar das controvérsias, manteve escritório ativo e carteira de clientes.
Retorno ao noticiário policial
Quase duas décadas após os primeiros crimes, Paulo Roberto voltou às manchetes nesta terça-feira, agora como motorista envolvido em um acidente fatal. Para o delegado Christian Cabral, responsável pelo caso, as imagens analisadas são suficientes para caracterizar dolo eventual.
Além do homicídio doloso, ele poderá responder por fuga do local do acidente, agravante previsto no Código de Trânsito Brasileiro. Testemunhas relataram que o advogado chegou a passar mal e foi levado para atendimento médico. Submetido ao teste do bafômetro, não foi constatada ingestão de álcool.
Paulo Roberto deve passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (21).
















