Apesar de uma retração no volume exportado, o Brasil fechou 2025 com receita cambial recorde no setor cafeeiro. Segundo dados divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país embarcou 40,049 milhões de sacas de 60 kg ao longo do ano, o que representa uma queda de 20,8% em comparação a 2024. No entanto, o valor arrecadado com essas exportações foi de US$ 15,586 bilhões — aumento de 24,1% e o maior já registrado na série histórica.
O recuo no volume já era previsto pelo setor, após o desempenho excepcional de 2024 e a menor disponibilidade de café devido a adversidades climáticas durante a safra. Além disso, a imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos agravou a retração, impactando diretamente um dos principais mercados consumidores do café brasileiro.
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Entre agosto e novembro, período de vigência das tarifas de 50% impostas pelos EUA, as exportações para aquele país caíram 55%. Com isso, os Estados Unidos perderam a liderança no ranking de maiores compradores do café brasileiro, cedendo lugar à Alemanha, que importou 5,409 milhões de sacas — ainda assim, um recuo de 28,8% em relação ao ano anterior.
A infraestrutura portuária deficiente também prejudicou o desempenho logístico. Segundo o Cecafé, a lentidão e os atrasos nas operações geraram um prejuízo estimado de R$ 61,4 milhões às exportadoras até novembro de 2025, devido a armazenagens extras e custos operacionais adicionais.
Apesar dos entraves, a valorização da saca no mercado internacional e os investimentos contínuos em qualidade por parte dos produtores brasileiros sustentaram o bom resultado financeiro. O café arábica manteve a liderança nas exportações, representando 80,7% do total, mesmo com uma queda de 12,8% no volume. Já o café solúvel sofreu impacto direto das tarifas americanas, encerrando o ano com 3,688 milhões de sacas exportadas, o equivalente a 9,2% do total.
Os cafés diferenciados, que incluem selos de sustentabilidade e qualidade superior, também ganharam destaque. Representaram 20,3% das exportações, com uma receita de US$ 3,525 bilhões — crescimento de 39,1% no faturamento, apesar da queda de 10,9% no volume.
No ranking dos países que mais compraram cafés diferenciados do Brasil, os Estados Unidos ainda lideraram, com 1,316 milhão de sacas, seguidos por Alemanha, Bélgica, Holanda e Itália. No entanto, novos mercados ampliaram sua participação, como China e Turquia, que foram os únicos entre os 10 maiores importadores a registrar aumento nas aquisições em 2025. Quanto à logística, o Porto de Santos respondeu por quase 79% de todo o volume embarcado, seguido pelo Rio de Janeiro (17,7%) e Paranaguá (0,9%). A concentração nos portos principais reflete tanto a preferência comercial quanto as limitações de infraestrutura do país para cargas conteinerizadas.

















