O Conselho Especial de Justiça para o Exército condenou o coronel reformado Etevaldo Luiz Caçadini Vargas a 2 anos de reclusão e 10 meses de detenção por ofensas às Forças Armadas, difamação e incitação à desobediência. A decisão unânime é do dia 11 de dezembro de 2025. Caçadini também é réu pelo envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri em dezembro de 2023, em Cuiabá.
Conforme denúncia do Ministério Público Militar (MPM), a partir da posse do presidente Lula (PT), em janeiro de 2023, o coronel começou a utilizar contas no Instagram e no YouTube para divulgar conteúdos que incentivavam a desobediência de militares e tinha um alvo específico: o comandante do Exército, general Tomás Ribeiro Paiva.
Em gravações, Caçadini dizia que, em “situações de não-normalidade”, a quebra da disciplina era justificável, referindo-se à vitória do petista. Ele também incentivou que militares não comparecessem a eventos oficiais para protestar contra a “covardia e omissão” do Alto Comando depois da posse do presidente da República. “Não vamos aos quartéis! Abortem a missão!”, instruiu.
Antes do julgamento, houve uma disputa entre o Superior Tribunal Militar (STM) e o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre quem teria competência para julgar o processo, já que o ministro Alexandre de Moraes está com os casos relacionados ao 8 de janeiro. No entanto, o STM foi categórico ao decidir pela Justiça Militar, devido ao fato de que as mensagens ofensivas do coronel reformado surgiram após os atos antidemocráticos em Brasília (DF).
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A defesa argumentou que suas postagens eram liberdade de expressão, que não tinham como objetivo estimular a indisciplina geral e que a tipificação de crimes digitais só foi estabelecida em setembro de 2023, meses depois dos seus ataques. No entanto, o Conselho reforçou que, mesmo na reserva, os militares devem respeitar os princípios de hierarquia e disciplina.
Caçadini, que foi colega do ex-presidente Jair Bolsonaro na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) em 1977, também é apontado como líder de um grupo de extermínio de autoridades chamado Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos, ou simplesmente “Comando C4”. Segundo investigações da Polícia Federal, o grupo tinha uma tabela de preços para matar autoridades que poderia chegar a R$ 250 mil. Um senador, por exemplo, custaria R$ 150 mil.
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Já em relação à morte de Zampieri, Etevaldo Luiz Caçadini Vargas, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Antônio Gomes da Silva, este último, o assassino — ainda aguardam a definição da Justiça sobre uma data para o Tribunal do Júri.
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