Giovanna Pécora
De volta à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump se projetou como o principal mediador dos maiores conflitos armados que o mundo enfrenta atualmente: a guerra entre Rússia e Ucrânia e o conflito entre Israel e Hamas. No entanto, as forças militares norte-americanas atacaram cerca de sete países em apenas um ano, sendo a ofensiva mais recente e intensa a realizada na Venezuela.
Nos últimos 12 meses, os Estados Unidos bombardearam sete países: Venezuela, Síria, Iraque, Irã, Nigéria, Iêmen e Somália.
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O ataque mais recente realizado pelos Estados Unidos foi na Venezuela, onde o presidente Nicolás Maduro foi capturado nesse sábado (3/1). Trump confirmou a captura de Maduro e da esposa, Cilia Flores.
O ataque a Caracas representou o ápice da tensão na América Latina e no Caribe, que teve início em julho com uma operação militar dos Estados Unidos na região para combater supostos narcoterroristas.
Militares norte-americanos bombardearam mais de 20 barcos no mar do Caribe e no Oceano Pacífico nos últimos meses, resultando em mais de 100 mortes. A Casa Branca diz que as vítimas são narcoterroristas, mas não apresentaram qualquer prova de atuação criminosa.
Nicolás Maduro passou a ser o principal alvo das ameaças de Trump, após ser apontado como líder do Cartel de los Soles — grupo recentemente classificado pelos Estados Unidos como organização terrorista internacional.
Outros seis países
Além da Venezuela, Trump anunciou, em dezembro de 2025, a realização de um “poderoso e mortal” ataque contra o Estado Islâmico (Isis) na Nigéria — o mesmo grupo que foi alvo de ações dos EUA em outros países.
Também em dezembro, os EUA atacaram o território da Síria em resposta a uma ação do Isis que deixou dois militares norte-americanos mortos. Batizada de operação Ataque Hawkeye, a ofensiva teve como objetivo eliminar jihadistas do Isis, além de destruir infraestruturas e depósitos de armas do grupo.
Com o mesmo alvo, o Isis, as forças norte-americanas também atacaram a Somália, em fevereiro de 2025. De acordo com o presidente dos EUA, além de um líder do grupo extremista, outros membros do Isis foram mortos durante o ataque.
No Iêmen, forças norte-americanas atacaram, em abril, o porto estratégico de escoamento de petróleo de Ras Isa, no norte de Hodeidah, ação que resultou na morte de 84 pessoas. Os Estados Unidos mantiveram ataques na região ao longo do ano.
No Iraque, os bombardeios dos Estados Unidos ocorreram na província de Al-Anbar, resultando na morte de um membro de alto escalão do Isis.
Durante a guerra de 12 dias entre Israel e Irã, os Estados Unidos também bombardearam instalações nucleares em Teerã. Apesar do envolvimento na ofensiva, Israel e Irã concordaram com um cessar-fogo anunciado pelo presidente dos EUA.
As agressões deixaram ao menos 634 pessoas mortas e um número desconhecido de feridos.
Mediador de guerras
Entre ligações telefônicas com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e conflitos diplomáticos sobre a segurança em Gaza, Trump anunciou o fim das ofensivas, no dia 9 de outubro, na Faixa de Gaza, apresentando 20 pontos para estabelecer a paz na região, mesmo que os conflitos ainda continuem.
Em contrapartida, o presidente norte-americano une esforços com as delegações para tentar um acordo de paz entre Ucrânia e Rússia. No começo do segundo mandato, Trump chegou a dizer que um acordo seria “fácil”, devido ao relacionamento dele com o presidente russo, Vladimir Putin. No entanto, um ano depois, o conflito militar continua em curso no leste europeu.
Entenda
- Rússia e Ucrânia: a guerra na Ucrânia, iniciada no dia 24 de fevereiro de 2022, deixou o território ucrâniano arrasado, além de mais de 12,3 mil civis mortos de ambas nações.
- Israel e Hamas: os conflitos entre ambos começaram em 7 de outubro de 2023. O cessar-fogo foi anunciado em 9 de outubro. Trump já havia sinalizado, desde seu primeiro mandato, que continuaria apoiando Israel.
- Trump também realizou encontros com líderes, como Volodymyr Zelensky, Vladimir Putin e o premier Benjamin Netanyahu.
Ao longo do ano, Trump focou em mediar os conflitos entre Israel e Hamas, o que surtiu efeito. Ele anunciou um plano de 20 pontos, que prevê a desmilitarização do grupo radical Hamas e a troca de reféns israelenses e palestinos presos, vivos ou mortos.
O grupo, por sua vez, recusou a desmilitarização, alegando ter o direito de se proteger contra Israel. As ofensivas do exército israelense no território palestino continuam, com mais de 300 mortos desde o cessar-fogo de outubro.
Do outro lado, Ucrânia e Rússia analisam as propostas de Trump. Autoridades dos Estados Unidos e da Ucrânia chegaram a se reunir na Flórida, no início de dezembro, para discutir novas propostas diplomáticas voltadas ao encerramento da guerra.
Semelhante à proposta em Gaza, Trump criou uma proposta de 28 pontos, para condicionar um cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia. Maurício Santoro, cientista político e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, afirmou ao Metrópoles, que os Estados Unidos “são uma potência com interesses globais”.
“Onde quer que haja alguma grande crise acontecendo, provavelmente haverá também algum interesse político e econômico que os Estados Unidos queiram proteger”, pontuou Santoro.
Segundo ele, a mediação norte-americana também ocorreu no breve conflito entre o Camboja e a Tailândia; de algum modo, aconteceu também na “questão da guerra entre o Irã e Israel, e depois na mediação por um cessar-fogo na Faixa de Gaza”.
O especialista explica que Trump, por conta de uma vontade de ser admirado e respeitado, busca “muito uma validação externa, esse desejo de ser reconhecido e respeitado, até como uma maneira de enfrentar esses problemas todos que ele tem”.
De acordo com o especialista, as negociações mediadas por Trump e emissários no Oriente Médio podem surtir efeito nos próximos anos. Para Santoro, as duas mediações mais importantes de 2025 foram a de Israel e Irã e o cessar-fogo em Gaza.
“São acordos, são intervenções que podem ter, realmente, um efeito de longo prazo no Oriente Médio, afetando de uma maneira muito profunda o comportamento de países como Israel e Irã, e das nações vizinhas. Outras mediações de Trump também têm sua relevância, como nos casos do Camboja e da Tailândia, mas ali são questões mais regionais, mais locais”, explicou o especialista.





















