Apesar dos cortes na internet, o mundo começa a desvendar o tamanho do massacre da repressão no Irã. Através de uma rede clandestina de médicos, que se comunicam por satélites Starlink, é possível aos países ocidentais mensurar o que acontece na República Islâmica, abalada por protestos contra o regime.
“O nível de violência durante as manifestações é sem precedentes”, diz, em entrevista ao jornal Le Figaro, Amir Mobarez Parasta, um médico iraniano-alemão baseado em Munique. “Armas letais foram usadas contra cidadãos”, ele continua.
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Um novo balanço feito a partir de informações de profissionais de saúde “permite confirmar a morte de 33.130 pessoas”, número possivelmente inferior à realidade. Esse resultado é quase dez vezes superior aos dados oficiais. Frente ao colapso do sistema de saúde iraniano, agravado pela crise econômica do país, o médico apela à comunidade internacional para sancionar os culpados.
O jornal Le Monde denuncia a estratégia das autoridades iranianas para reforçar artificialmente o número de vítimas entre as tropas oficiais. Segundo relato de Mai Sato, relatora especial da ONU para os Direitos Humanos, “quando famílias vão ao hospital recuperar os corpos de seus parentes, muitas são obrigadas a assinar um documento indicando que a vítima era membro das forças de segurança”.
Ela também denuncia torturas, negligência médica e agressões sexuais nas prisões lotadas de cidadãos que ousaram enfrentar o regime.
Na segunda-feira (26), a organização de ativistas de direitos humanos HRANA indicou que 6.126 pessoas foram mortas, entre 5.77 manifestantes, 86 menores de idade, 214 membros das forças de segurança e 49 pedestres atingidos. Os dados foram publicados na edição desta terça-feira (27/1) do jornal católico francês La Croix. A ONG, baseada nos Estados Unidos, investiga outros 17.091 casos suspeitos, o que poderia levar o balanço de mortos a mais de 40 mil.




















