O deputado estadual Júlio Campos (União) classificou como "extemporânea" a saída do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil rumo ao PSD. Em entrevista, o parlamentar revelou que o movimento foi uma surpresa para a base aliada em Mato Grosso e que não houve consulta prévia aos "companheiros de décadas" de militância.
Apesar de lamentar a perda de um "grande quadro" nacional, Júlio interpretou a mudança sob a ótica da matemática eleitoral. Segundo ele, a direita brasileira parece ter abandonado a busca por um consenso imediato em torno de um único nome, como o de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ou Flávio Bolsonaro (PL), para apostar em várias frentes e chegar ao segundo turno.
A MATEMÁTICA DO SEGUNDO TURNO
Júlio Campos baseia sua análise em pesquisas recentes que indicam um teto para a reeleição do atual governo. Para ele, a estratégia é dividir para conquistar no momento final.
"O raciocínio é que, se houver um enfrentamento apenas entre Lula e Flávio Bolsonaro, a eleição poderia ser decidida no primeiro turno. Com múltiplos candidatos como Zema (Novo), Ratinho Jr., Caiado e Eduardo Leite [esses três últimos do PSD], a direita soma mais de 50% dos votos. O plano é levar para o segundo turno e se unir em torno de quem sobrar para enfrentar Lula", explicou o deputado.
Questionado sobre o fato de o PSD e o União Brasil possuírem ministérios no governo federal, Júlio foi enfático ao separar a gestão da política partidária. Ele lembrou que, embora as siglas ocupem pastas como Agricultura (Fávaro) e Minas e Energia (Silveira), isso não garante fidelidade no palanque de 2026.
"Estar no governo com ministros não significa estar junto na reeleição do presidente Lula. O PSD é de centro-direita, assim como o União e o PP. Eles participam da gestão, mas o projeto eleitoral é outro", pontuou.



















