O advogado Walter Rapuano, que representa a mulher que foi estuprada quatro vezes pelo investigador Manoel Batista da Silva, dentro de uma delegacia da Polícia Civil em Sorriso (397 km de Cuiabá, disse ao Hipernotícias que a decisão de fazer a denúncia do crime ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) foi tomada por medo de que a polícia local agisse de modo corporativista para proteger o acusado.
“Eu sabia que se a denúncia fosse feita para a delegacia nada iria acontecer. Assim eu supunha, não posso ter a certeza. Mas eu sabia, conhecendo as promotoras de Justiça que atuam aqui em Sorriso, que se a denúncia fosse feita para o Ministério Público, a promotoria local iria tomar as medidas cabíveis, como de fato tomou”, afirmou.
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O crime ocorreu entre a noite de 9 de dezembro e a manhã de 10 de dezembro de 2025, quando a vítima esperava para ser transferida para a Cadeia Pública de Arenápolis. Os advogados conseguiram provar a inocência dela, que foi solta no dia 11 de dezembro.
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No dia seguinte, o advogado e a vítima procuraram a Promotoria de Sorriso, em sigilo, para denunciar os estupros. A mulher foi ouvida e, no mesmo dia, encaminhada para um exame de corpo de delito, que identificou a presença de sêmen.
“Não tinha o menor cabimento a gente procurar a delegacia para denunciar um policial da delegacia, porque infelizmente é mais fácil que eles ajam com base no corporativismo do que dar ouvidos a alguém que esteve preso na delegacia”, afirmou o advogado.
A partir da denúncia, o Ministério Público encaminhou o caso, em sigilo, para a delegacia de Sorriso, que deu início às diligências. Foram ouvidas testemunhas e foi feita a coleta de DNA dos policiais que estavam no plantão noturno da data do crime.
A análise constatou que o material genético de Manoel Batista da Silva era compatível com o material genético encontrado no corpo da vítima. Ele foi preso no último domingo (1º).
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O CRIME
A vítima foi alvo de uma ordem de prisão temporária, cumprida no dia 8 de dezembro. No dia seguinte, 9 de dezembro, ela passou por audiência de custódia, que manteve a prisão. Após a audiência, ela precisou passar por exame de corpo de delito em uma unidade da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). Quem a acompanhava era o acusado Manoel Batista da Silva.
Na sequência, ela foi levada de volta para a delegacia, onde pernoitaria antes de ser encaminhada para a cadeia feminina. Por volta das 18h, foi praticado o primeiro estupro. Horas depois aconteceu o segundo abuso.
Durante a madrugada ela voltou a ser estuprada e, dessa vez, o acusado ejaculou dentro da vítima. Ao amanhecer, ocorreu o quarto estupro.
"No modus operandi, o policial retirava a vítima da cela e a levava para uma sala vazia. Nas quatro ocasiões, o abusador ameaçou a vítima para que ela ficasse quieta e calada, senão mataria a sua filha menor", relata o advogado em nota encaminhada para a imprensa.
Ainda naquele dia, a mulher foi transferida da delegacia para a Cadeia Feminina de Arenápolis. No dia seguinte, o próprio delegado do caso pediu a sua soltura para a Justiça por entender que ela era inocente. O alvará de soltura foi expedido no dia 11 de dezembro, quando ela foi colocada em liberdade. Foi nesse dia que ela contou o que havia acontecido para o seu advogado, que orientou que ela não tomasse banho para preservar vestígios do crime.
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PRISÃO POR ENGANO
A vítima da série de estupros praticados dentro da delegacia de Sorriso foi presa injustamente no âmbito da investigação de um homicídio ocorrido na cidade. Segundo o advogado Walter Rapuano, um depoimento falso acabou levando a polícia a pedir a prisão dela.
O crime em questão ocorreu no dia 2 de dezembro de 2025. O funcionário de uma vidraçaria, identificado como Euler Ramon Bastos dos Santos, de 25 anos, foi morto a tiros quando chegava para trabalhar.
Um veículo usado pelos assassinos foi estacionado em um terreno baldio e, quando Euler foi avistado, os dois atiradores se aproximaram e efetuaram os disparos. Na sequência fugiram. Durante a investigação, a polícia constatou que havia uma mulher no veículo, que passou a ser tratada como participante do crime.
A investigação policial acabou identificando o motorista de aplicativo que conduzia o veículo. Durante a conversa com o delegado, foram apresentadas fotos de algumas mulheres para que ele identificasse quem era a que estava no carro no momento do crime.
O motorista de aplicativo identificou a mulher que foi presa e estuprada na delegacia.
Walter Rapuano explica que ele e sua equipe realizaram investigações independentes, descobrindo quem seria um dos executores e constataram que a mulher no carro era, na verdade, a esposa dele.
"Pedimos ao delegado que solicitasse as imagens do Vigia Mais, o delegado falou que ia investigar essa vertente e, no dia seguinte, o próprio delegado entrou em contato conosco de manhã, no dia 10, avisando que realmente o motorista de aplicativo tinha mentido, que não era minha cliente a mulher que estava no carro e que ele ia pedir a revogação da prisão temporária", disse o delegado.















