A mulher que foi estuprada em uma delegacia de Sorriso teria sido presa injustamente no âmbito da investigação de um homicídio ocorrido na cidade. Segundo o advogado da vítima, Walter Rapuano, um depoimento falso acabou levando a polícia a pedir a prisão dela, que foi revogada em três dias.
No dia 2 de dezembro de 2025, o funcionário de uma vidraçaria, identificado como Euler Ramon Bastos dos Santos, de 25 anos, foi morto a tiros quando chegava para trabalhar.
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Um veículo foi estacionado em um terreno baldio e, quando Euler foi avistado, dois homens se aproximaram e efetuaram os disparos. Na sequência fugiram. Durante a investigação, a polícia constatou que havia uma mulher no veículo, que passou a ser tratada como participante do homicídio.
"Através das câmeras do Vigia Mais, o delegado conseguiu descobrir quem era o motorista de aplicativo que estava nesse carro e esse motorista de aplicativo foi levado para a delegacia e ao ser mostrado à várias fotos de mulheres, ele apontou a minha cliente como sendo a pessoa que estava no carro. Com base na informação desse motorista de aplicativo, o delegado requereu a prisão temporária", explicou o advogado.
Walter explica que ele e sua equipe realizaram investigações independentes, descobrindo quem seria um dos executores e constataram que a mulher no carro era, na verdade, a esposa dele.
"Pedimos ao delegado que solicitasse as imagens do Vigia Mais, o delegado falou que ia investigar essa vertente e, no dia seguinte, o próprio delegado entrou em contato conosco de manhã, no dia 10, avisando que realmente o motorista de aplicativo tinha mentido, que não era minha cliente a mulher que estava no carro e que ele ia pedir a revogação da prisão temporária", disse o delegado.
De fato, a vítima foi colocada em liberdade no dia 11 de dezembro, mas os abusos sexuais já haviam sido cometidos.
"Infelizmente, o processo de investigação no Brasil como um todo, principalmente nos pequenos centros ou pequenas cidades, infelizmente a investigação é muito baseada na prova oral, prova testemunhal", disse o advogado.
ESTUPRADA DENTRO DE DELEGACIA
A vítima foi alvo de uma ordem de prisão temporária, cumprida no dia 8 de dezembro. No dia seguinte, 9 de dezembro, ela passou por audiência de custódia, que manteve a prisão. Após a audiência, ela precisou passar por exame de corpo de delito em uma unidade da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). Quem a acompanhava era o investigador acusado.
Na sequência, ela foi levada de volta para a delegacia, onde pernoitaria antes de ser encaminhada para a cadeia feminina. Por volta das 18h, foi praticado o primeiro estupro. Horas depois aconteceu o segundo abuso.
Durante a madrugada ela voltou a ser estuprada e, dessa vez, o acusado ejaculou dentro da vítima. Ao amanhecer, ocorreu o quarto estupro.
"No modus operandi, o policial retirava a vítima da cela e a levava para uma sala vazia. Nas quatro ocasiões, o abusador ameaçou a vítima para que ela ficasse quieta e calada, senão mataria a sua filha menor", relata a nota enviada à imprensa pelo advogado.
O caso foi denunciado ao Ministério Público de Mato Grosso, que colheu depoimento da vítima e determinou a realização de exame de delito que atestou a presença de semen no corpo dela. Em seguida, o MP determinou que a delegacia de Sorriso desse início às investigações.
O investigador Manoel Batista da Silva foi preso no último domingo (1º), após exames laboratoriais confirmarem que o semen encontrado no corpo da vítima era compatível com o semen dele.















