O comandante do 11º Comando Regional da Polícia Militar de Primavera do Leste, coronel Sávio Pellegrini, e o comandante adjunto, tenente-coronel Lucélio Ramos, em entrevista coletiva à imprensa nesta segunda-feira, 26, esclareceram os fatos que culminaram no confronto policial que resultou na morte de três integrantes da facção Comando Vermelho, na região do Vale Verde, assentamento Vale dos Sonhos, na sexta-feira, 23 de janeiro.
Segundo o comando da PM, a ocorrência é resultado de um trabalho contínuo de monitoramento e enfrentamento ao crime organizado, desenvolvido desde novembro do ano passado, diante do avanço da facção criminosa na região de Primavera do Leste e distritos vizinhos.
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Segundo o coronel Pellegrini a problemática enfrentada não se resume à atuação policial. “É importante deixar claro que não se trata apenas de um problema da Polícia Militar. São situações que permeiam toda a sociedade e exigem o engajamento de vários atores do Estado”, afirmou.
Na ocasião do confronto, após denúncias de que lideranças da facção estavam escondidas em uma chácara (e seriam responsáveis pelo desaparecimento do jovem Átila), os policiais se dirigiram ao local, mas foram recebidos a tiros pelos criminosos. "Foi necessário reagir à agressão sofrida e no confronto três pessoas que estavam dentro da casa foram baleadas e morreram", explicou o comandante.
Dentro da residência foram encontradas, além das armas, droga que estava sendo embalada, além de diversos recibos de água e taxas em nome das Associações que integram o distrito da Nova Poxoréu. Um indicativo de coação e extorsão por parte dos faccionados aos comerciantes e moradores da região.
LINHA DO TEMPO
O tenente-coronel Lucélio apresentou um panorama detalhado da atuação do Comando Vermelho nos últimos meses, relatando episódios de extrema violência, incluindo tribunais do crime, sequestros, cárcere privado, tortura, coação e extorsão de moradores e comerciantes.
“O que mais chamou atenção foi o desfecho do confronto da última sexta-feira, mas esse trabalho vem sendo desenvolvido desde novembro. Tivemos registros de salves coletivos, ações de intimidação e punições internas promovidas pela facção”, explicou o militar.
Lucélio citou um caso ocorrido no dia 21 de janeiro, quando a Polícia Militar conseguiu frustrar um tribunal do crime no bairro Primavera III, onde várias pessoas estavam amarradas e sendo agredidas. “Quando entramos na casa, era possível ver nos olhos das vítimas o alívio de ver a Polícia Militar chegando. Elas já haviam começado a ser torturadas. Essa ação evitou que mais vidas fossem perdidas”, completou o coronel Pelegrini.
Na ação, o adolescente de 16 anos, conhecido como “Sementinha”, apontado como autor de três homicídios no município, foi apreendido em ação conjunta da Polícia Militar e da Polícia Civil. “Uma pessoa que responde por três homicídios aos 16 anos certamente faria novas vítimas. Essa intervenção salvou vidas”, pontuou Pellegrini.
Outro ponto de destaque foi a forma como a facção vinha impondo controle social ilegítimo sobre comunidades e comerciantes, especialmente por meio de associações locais, como no caso do Vale dos Sonhos. “Recebemos várias denúncias de coação. Eles estavam usando associações para arrecadar dinheiro, coagindo diretores, chapas e moradores a pagar taxas abusivas”, afirmou o tenente coronel Lucélio.
Segundo o comandante, a facção também realizava interdições ilegais de lotes, demolições de casas e venda irregular de terrenos, gerando medo constante entre moradores que vivem há décadas na região. “Não se trata do Rio de Janeiro. Mas não. Isso está acontecendo aqui, ao lado de Primavera do Leste”, alertou.
O coronel Pellegrini reforçou que a principal orientação da Polícia Militar aos comerciantes vítimas de extorsão é a preservação da vida.
“A segurança física da pessoa é sempre mais importante. Não adianta bater de frente com a facção naquele momento. O ideal é ganhar tempo e procurar os canais oficiais, registrar o boletim de ocorrência”, explicou.
Ele destacou que a omissão não resolve o problema e que a presença do Estado é fundamental para enfraquecer o crime organizado.
“As facções crescem na ausência do Estado. Isso é histórico, não só aqui, mas no mundo inteiro. Quando o Estado está presente, com viatura, com policiamento, com serviços básicos, o crime perde espaço”, afirmou.
O coronel Pellegrini reafirmou o compromisso da Polícia Militar com a população da região e defendeu uma atuação integrada entre forças de segurança e demais instituições públicas. “A Polícia Militar seguirá presente, protegendo, prevenindo e reagindo sempre que necessário. Mas é chegada a hora de o Estado, como um todo, assumir sua responsabilidade e garantir direitos mínimos à população que vive ali há vários anos”, concluiu.
O comandante também elogiou a atuação da Polícia Civil e fez um apelo para que a população continue denunciando. “Tudo que for denunciado será tratado com responsabilidade e encaminhado à Polícia Civil, ao Ministério Público e ao Judiciário, para que o sistema criminal atue de forma rápida e eficaz em prol do cidadão”, finalizou.





















