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Ao longo de 2925

Mais de 200 criminosos de outros estados foram presos no Rio de Janeiro

Criminosos de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo lideram a lista de presos, mas também há suspeitos provenientes de outros países, como Colômbia e Chile

Administração

Por 
Gabriel Freitas-CBN 
Foto-Folha UOL
 
 

Mais de 200 criminosos de outros estados foram presos no Rio de Janeiro ao longo de 2025. Segundo a Polícia Militar, foram 209 pessoas capturadas no território fluminense, vindas de diferentes regiões do país, 41 a mais que em 2024.

O número reforça a avaliação de que o estado não concentra apenas integrantes do crime organizado, mas também funciona como um ponto de articulação dessas redes que atuam nacionalmente. Criminosos de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo lideram a lista de presos, mas também há suspeitos provenientes de outros países, como Colômbia e Chile.

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As prisões ocorreram de duas formas principais. 108 foram presos em flagrante durante operações no próprio estado. Outros 101 foram localizados a partir de mandados de prisão, resultado de um trabalho integrado de inteligência que envolve forças de segurança de todo o país, com troca constante de informações.

As investigações indicam que esses criminosos não vêm ao Rio só pra se esconder. Muitos seguem atuando normalmente, mantendo influência e poder de decisão sobre grupos que operam em seus estados de origem.

Para as forças de segurança do estado, o Rio hoje atua como um espaço estratégico de articulação, sobretudo em esquemas ligados ao tráfico de drogas e de armas.

Na última segunda-feira (19), por exemplo, policiais militares capturaram um criminoso acusado de envolvimento em 19 homicídios no estado do Piauí.

Já na quarta-feira, o criminoso mais procurado do estado do Mato Grosso foi capturado no momento em que se preparava pra cometer um roubo a uma casa na Região Metropolitana do Rio.

Em entrevista à CBN, o professor Lenin Pires, do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense, relacionou esse cenário à formação histórica do crime organizado no país. 

"Esse fenômeno do Rio de Janeiro abrigar um grande número de criminosos provenientes de outros estados tem a ver com a tradição de grupos criminosos advindos dos grandes centros. O Rio foi o berço da primeira grande facção, o Comando Vermelho, que se organiza de forma mais fragmentada, diferente de São Paulo, que tem uma facção mais centralizada. Essa característica faz com que o Rio se torne um polo de atração pra sujeitos que querem prosperar no crime em outros estados." 

A Polícia Militar também destaca as principais rotas de entrada desses criminosos. Muitos chegam ao estado por rodovias e terminais rodoviários, o que exige atuação conjunta com a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Federal.

A partir desse monitoramento, o trabalho de inteligência segue em contato permanente com outros estados pra identificar e localizar lideranças.

Especialistas apontam ainda fatores logísticos e geográficos, já que o Rio ocupa uma posição estratégica em rotas de transporte e no escoamento de mercadorias ilegais, o que aumenta o interesse de grupos criminosos pelo território fluminense. Para Lenin Pires, esse modelo amplia o poder desses criminosos fora do estado. 

"A partir do momento que esses sujeitos têm contato com esses segmentos poderosos, que fazem o agenciamento de drogas e armas, eles passam a gozar de uma importância muito maior nos seus estados de origem. Mesmo que não estejam fisicamente lá, eles conseguem influenciar e disputar lideranças, porque operam a partir desse centro de articulação." 

Durante a Operação Contenção, realizada no final do mês de outubro, nos Complexos da Penha e do Alemão, foram registradas 34 prisões de criminosos de outros estados. Paralelamente, ações realizadas em comunidades da Zona Norte da capital resultaram na morte de 62 criminosos de outras regiões do país, depois de confrontos armados com PMs.

O desafio, segundo especialistas, vai além de prisões pontuais. O enfrentamento passa pelo fortalecimento da inteligência e por uma integração efetiva entre os estados. Sem uma atuação coordenada em nível nacional, a avaliação é de que o poder público vai continuar reagindo apenas aos efeitos de um crime cada vez mais organizado e espalhado em rede.

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