Economia|Do R7, com Estadão Conteúdo
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A UE (União Europeia) está disposta a adotar um amplo acordo de livre-comércio com o Mercosul, em caráter provisório, segundo a comissão executiva do bloco. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (23), apesar da votação do Parlamento Europeu para adiar a ratificação do tratado enquanto efetua uma revisão legal dele.
Após uma cúpula de líderes nacionais da UE em Bruxelas, na Bélgica, onde vários deles levantaram essa questão, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco estará pronto para adotar a medida assim que ao menos um país do Mercosul ratificar o tratado.
Ainda assim, nenhuma decisão formal para colocar o acordo em vigor foi tomada até o momento, segundo von der Leyen. “Há um interesse claro em garantir que os benefícios desse acordo sejam aplicados o mais rápido possível”, declarou à imprensa. “Em resumo, estaremos prontos quando eles estiverem.”
Na mesma entrevista, António Costa, chefe do conselho de governos integrantes da UE, lembrou que a comissão executiva tem autoridade para avançar na adoção provisória do acordo.
Contudo, a decisão de colocar isso em prática provavelmente provocará críticas dos oponentes ao tratado comercial, liderados pela França. Nessa quarta-feira (21), por poucos votos, o parlamento decidiu encaminhar o tema à Corte Europeia de Justiça.
A revisão legal do tema atrasa a ratificação do processo, pois o Parlamento Europeu não pode votá-lo até que haja uma decisão da Corte — o que pode levar meses.
O acordo é fundamental para o plano de Bruxelas de formar relações comerciais fora de uma dependência histórica dos Estados Unidos, na esteira do antagonismo e das agressões lideradas pelo presidente Donald Trump no segundo mandato dele.
Zona de livre comércio
Recentemente, a União Europeia fechou acordos do Japão ao México e deve assinar um semelhante com a Índia, no fim deste mês. Apoiado pelos países pecuaristas da América do Sul e pelos interesses industriais europeus, o tratado comercial visa eliminar gradualmente mais de 90% das tarifas sobre produtos que vão desde a carne bovina argentina até os carros alemães.
Se colocado em prática, o acordo da UE com o Mercosul criará uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. A França, a grande produtora agrícola da Europa, queria mais proteção para os trabalhadores do setor e tentou adiar o pacto. No entanto, o chanceler alemão, Friedrich Merz, chamou a votação no parlamento de “lamentável” e pediu a aplicação provisória da medida.
A ratificação é considerada praticamente garantida na América do Sul, onde o tema contou com amplo apoio das nações.
O Mercosul é formado pelas duas maiores economias da região — Brasil e Argentina —, além do Paraguai e do Uruguai. A Bolívia, o mais novo integrante do bloco, não está incluído no acordo, mas poderá aderir a ele nos próximos anos. Suspensa do grupo, a Venezuela não está incluída no pacto.




















