Em meio as tensões entre os Estados Unidos e o Irã, que pareciam ter encaminhado para uma trégua nos últimos dias, o presidente americano Donald Trump anunciou na madrugada desta sexta-feira (23), a bordo do Air Force One, que uma armada dos EUA estava a caminho do Irã.
Ele não especificou o grupo das Forças Armadas ou tropas enviadas, apesar afirmando que esperava não precisar utilizar.
'Temos muitos navios indo nessa direção, para o caso de... eu preferiria que nada acontecesse, mas estamos os observando de perto'
Segundo a agência de notícias Reuters, diversos destróiers com mísseis guiados e porta-aviões USS Abraham Lincoln estão a caminho do Oriente Médio e chegarão nos próximos dias. Além disso, sistemas adicionais de defesa aéreo também podem ser enviados para proteção das bases americanas na região.
O Irã enfrenta uma onda de protestos em que mais de cinco mil pessoas já foram mortas pelo regime dos aiatolás. Do outro lado, Trump defende uma libertação de prisioneiros e que o confrontamento pare imediatamente, algo contestado pelo governo do país.
Além disso, as tensões entre os dois aumentaram em 2025 após os EUA atacarem bases nucleares iranianas em junho, em meio a guerra com Israel.
Os navios de guerra estão a caminho do Irã há alguns dias e não recuaram mesmo após falas do presidente americano que a situação estava melhorando. Ele vem cobrando de forma consecutiva que o governo iraniano responda as recentes manifestações.
Do outro lado, um comandante militar iraniano, o general Ali Abdollahi Aliabadi, defendeu uma resposta em caso de ataque americano. Segundo ele, se isso ocorrer, toda base americana seria um 'alvo legítimo'.
Protestos no Irã
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Protestos no Irã — Foto: Reprodução/TV Globo
Cerca de 5 mil pessoas morreram em decorrência da repressão à onda de protestos no Irã, segundo afirmou no último domingo (18) uma fonte do governo iraniano à agência Reuters. O número ainda não foi confirmado oficialmente pelas autoridades do país.
Os protestos começaram há mais de 20 dias, inicialmente motivados pela crise econômica e pelo alto custo de vida, mas rapidamente passaram a incluir pedidos pelo fim do regime dos aiatolás, no poder desde a Revolução Islâmica de 1979. A repressão violenta às manifestações, com relatos de policiais e militares atirando contra manifestantes, gerou condenação internacional e reacendeu tensões com os Estados Unidos.
O governo iraniano nega responsabilidade pelas mortes e afirma que civis e agentes de segurança teriam sido mortos por manifestantes que incitam a violência. Teerã também acusa os Estados Unidos de infiltrar agentes nos protestos.
Organizações de direitos humanos apresentam balanços divergentes. A ONG americana HRANA contabilizou ao menos 3.308 mortos, com milhares de casos ainda sob análise, além de cerca de 24 mil presos. Já a Iran Human Rights, com sede na Noruega, fala em 3.428 manifestantes mortos, enquanto o canal oposicionista Iran International menciona até 12 mil vítimas.
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, voltou a condenar os protestos neste sábado (17) e afirmou que o país tem a obrigação de “quebrar as costas dos insurgentes”. Ele responsabilizou o presidente dos EUA, Donald Trump, pelas mortes e acusou Washington de conspirar para desestabilizar o país.
Desde o início da repressão, o governo iraniano impôs severas restrições à internet, dificultando a verificação independente dos números e a comunicação da população com o exterior.




















