Por Redação g1
Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (7) a apreensão do petroleiro Marinera (antigo Bella 1), ligado à Venezuela e que navega sob bandeira russa. A interceptação foi revelada pela agência de notícias Reuters e confirmada depois pelo Exército norte-americano.
A embarcação havia recebido escolta de submarino russo nos últimos dias, segundo a mídia dos EUA. A apreensão do petroleiro tem o potencial de escalar as tensões entre Washington e Moscou. Segundo a agência de notícias Associated Press, tropas norte-americanas embarcaram no petroleiro.
"O Departamento de Justiça e o Departamento de Segurança Interna, em coordenação com o Departamento de Guerra, anunciam hoje a apreensão do navio M/V Bella 1 por violar sanções dos EUA. A embarcação foi apreendida no Atlântico Norte de acordo com um mandado emitido por um tribunal federal dos EUA, após ter sido rastreada pelo [navio] USCGC Munro", afirmou em comunicado o Comando europeu do Exército norte-americano.
O governo da Rússia repudiou a apreensão do petroleiro e afirmou que a ação dos EUA violou o direito marítimo e que "não havia jurisdição para o uso da força". Também pediu que os norte-americanos deem "tratamento humano e digno" aos tripulantes. A Casa Branca afirmou anteriormente que a apreensão respeitaria o direito internacional por acusar o navio de navegar sob bandeira falsa.
O Reino Unido deu apoio à operação de apreensão após um pedido de ajuda dos EUA, segundo o secretário de Defesa britânico, John Healey. As Forças Armadas britânicas forneceram "suporte operacional, incluindo o uso de bases", uma embarcação militar e apoio aéreo de vigilância.
Healey disse que o petroleiro tem um "histórico nefasto" e é "ligado a redes russas e iranianas de evasão de sanções".
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Detalhes do petroleiro Marinera, apreendido pelos EUA. — Foto: arte/ g1
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Imagem de divulgação do navio Marinera (Ex-Bella 1) vista à distância, divulgada em 7 de janeiro de 2026. — Foto: Reuters
Também nesta quarta-feira, os EUA anunciaram a apreensão de outro petroleiro ligado à Venezuela, a quarta registrada nas últimas semanas. O navio se chama Sophia e foi interceptado no Mar do Caribe.
Recentemente, a Rússia deslocou um submarino e outras embarcações para escoltar o petroleiro, que os EUA interceptaram no final de dezembro e tentam apreender desde então. À época, a embarcação estava perto da Venezuela e fugiu para o Oceano Atlântico. O petroleiro, antes chamado de Bella 1 e que tinha bandeira panamenha, foi rebatizado e agora navega sob tutela russa.
Com a apreensão, as tensões entre os EUA e a Rússia podem escalar ainda mais. Isso porque, além da escolta, o Kremlin fez nos últimos dias um pedido formal à Casa Branca para que deixasse de perseguir o petroleiro.
O reservatório de petróleo do Marinera estava vazio no momento da apreensão, segundo dados de rastreamento marítimo analisados pela agência Associated Press.
Escolta russa
Autoridades disseram à agência Reuters que navios militares russos estavam na área geral da operação, incluindo um submarino russo. Não está claro, porém, quão próximas às embarcações estavam do petroleiro, e não havia indícios de confronto entre as forças militares dos EUA e da Rússia.
Após a apreensão, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio de petroleiros venezuelanos "continua em vigor em todo o mundo".
A TV russa "RT", financiada pelo Kremlin, publicou imagens de um helicóptero que estaria tentando desembarcar tropas no navio. Segundo fontes do "RT", a aeronave pertenceria aos EUA.
A apreensão do petroleiro Marinera (Bella 1), que segundo a Casa Branca integra a "frota-fantasma" da Venezuela e é alvo de sanções, faz parte da campanha de pressão do governo norte-americano contra o regime venezuelano. O presidente dos EUA, Donald Trump, impôs em dezembro um "bloqueio total" aos petroleiros do país e apreendeu duas dessas embarcações em 2025.
Os EUA acusam o petroleiro de navegar sob bandeira falsa e transportar petróleo venezuelano a aliados do regime chavista —liderado pela sucessora de Nicolás Maduro, Delcy Rodriguez—, como a Rússia, a China e o Irã. A Casa Branca alega que abordar um navio com bandeira falsa não viola o direito internacional.
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A Rússia deslocou um submarino e outras embarcações navais para escoltar um petroleiro antigo, o Bella 1, informou o Wall Street Journal nesta terça-feira, citando uma autoridade dos Estados Unidos. — Foto: Hakon Rimmereid/via REUTERS
Na última semana, o Kremlin já havia pedido aos EUA que interrompessem a perseguição aso petroleiro. O pedido diplomático foi feito na quarta-feira (31). A Casa Branca, o Departamento de Estado dos EUA e o governo russo não comentaram o caso até a última atualização.
Na semana passada, a Casa Branca determinou que as Forças Armadas dos EUA concentrem esforços quase exclusivamente na aplicação de um tipo de bloqueio ao petróleo venezuelano pelos próximos dois meses, segundo a agência de notícias Reuters.
Perseguição a petroleiro
A interceptação inicial do petroleiro Bella 1 pela Guarda Costeira norte-americana ocorreu em 16 de dezembro. A embarcação estava entrando em águas da América Latina e se aproximando da Venezuela.
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No entanto, as forças dos EUA não conseguiram apreender o navio, porque a tripulação resistiu à investida, mudou a rota e fugiu em direção ao Oceano Atlântico. Desde então, o Exército dos EUA persegue a embarcação.
Segundo o jornal norte-americano "The New York Times", o Bella 1 vinha do Irã e tinha como destino a Venezuela para fazer um carregamento de petróleo. Nos dias seguintes, o navio tentou obter proteção da Rússia ao pintar uma bandeira no casco e informar por rádio à Guarda Costeira dos EUA que navegava sob autoridade russa, ainda segundo o jornal.
Desde então, o petroleiro passou a constar no registro oficial de navios como pertencente à Rússia e com um novo nome, Marinera. O porto de origem indicado é Sochi, cidade russa no mar Negro.
Em dezembro, a Guarda Costeira dos EUA já havia interceptado dois petroleiros no mar do Caribe, ambos carregados com petróleo venezuelano. O aumento da pressão ocorre em meio a uma grande presença militar dos Estados Unidos no Caribe, com mais de 15 mil soldados, incluindo um porta-aviões, outros 11 navios de guerra e caças F-35. Os EUA afirmam que os meios militares são usados para reforçar sanções econômicas.


















