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Cotidiano Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026, 10:04 - A | A

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Onça-pintada atropelada na BR-070, em Primavera do Leste "não seria comida", afirmam indígenas

As lideranças indígenas negaram qualquer prática de consumo ou retirada da pele

VILMAR KAIZER

Um episódio ocorrido no último fim de semana na BR-070, nas proximidades da Terra Indígena Sangradouro, em Primavera do Leste, chamou a atenção da população e repercutiu nas redes sociais. Uma onça-pintada foi encontrada morta após ser atropelada na rodovia e, posteriormente, recebeu um ritual fúnebre realizado por indígenas do povo Xavante, para quem o animal possui profundo significado espiritual e cultural.

As lideranças indígenas negaram qualquer prática de consumo ou retirada da pele, esclarecendo que o ato teve caráter exclusivamente cultural e espiritual.

O atropelamento ocorreu no sábado (3) e, no domingo (4), membros da comunidade indígena realizaram o sepultamento do animal em uma área de floresta próxima à aldeia. Segundo a liderança indígena Hiparidi Top’Tiro, a onça-pintada é considerada sagrada pelo povo Xavante e, por isso, foi enterrada conforme os costumes tradicionais da etnia.

“O animal é sagrado para nosso povo. Nós realizamos um ritual fúnebre, com respeito e celebração aos nossos antepassados”, explicou a liderança.

Imagens do momento em que o felino foi encontrado circularam amplamente nas redes sociais, acompanhadas de informações equivocadas sobre a destinação do animal. 

De acordo com Hiparidi, o ritual teve duração aproximada de duas horas e meia, com cantos tradicionais e homenagens aos ancestrais. Durante a cerimônia, os indígenas também reforçaram que não foram responsáveis pela morte do animal, pedindo proteção espiritual à comunidade.

A onça-pintada ocupa um papel central na cultura Xavante e está presente em lendas ancestrais, como a conhecida “Dona do Fogo”, que atribui ao animal a origem do conhecimento do fogo entre o povo indígena. Essa tradição é transmitida oralmente entre gerações e reforça a relação de respeito e reverência com a fauna local.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que abriu procedimento para apurar as circunstâncias da morte do animal. O órgão ressaltou que o transporte de animais silvestres, vivos ou mortos, sem autorização, configura crime ambiental, conforme a legislação vigente.

A Polícia Militar e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) informaram que não foram acionadas no momento do ocorrido.
As lideranças indígenas também aproveitaram o episódio para reforçar a necessidade de medidas preventivas na região. Segundo Hiparidi, atropelamentos de animais silvestres são frequentes naquele trecho da rodovia, que corta áreas de vegetação e territórios tradicionais.

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