Um episódio ocorrido no último fim de semana na BR-070, nas proximidades da Terra Indígena Sangradouro, em Primavera do Leste, chamou a atenção da população e repercutiu nas redes sociais. Uma onça-pintada foi encontrada morta após ser atropelada na rodovia e, posteriormente, recebeu um ritual fúnebre realizado por indígenas do povo Xavante, para quem o animal possui profundo significado espiritual e cultural.
As lideranças indígenas negaram qualquer prática de consumo ou retirada da pele, esclarecendo que o ato teve caráter exclusivamente cultural e espiritual.
O atropelamento ocorreu no sábado (3) e, no domingo (4), membros da comunidade indígena realizaram o sepultamento do animal em uma área de floresta próxima à aldeia. Segundo a liderança indígena Hiparidi Top’Tiro, a onça-pintada é considerada sagrada pelo povo Xavante e, por isso, foi enterrada conforme os costumes tradicionais da etnia.
“O animal é sagrado para nosso povo. Nós realizamos um ritual fúnebre, com respeito e celebração aos nossos antepassados”, explicou a liderança.
Imagens do momento em que o felino foi encontrado circularam amplamente nas redes sociais, acompanhadas de informações equivocadas sobre a destinação do animal.
De acordo com Hiparidi, o ritual teve duração aproximada de duas horas e meia, com cantos tradicionais e homenagens aos ancestrais. Durante a cerimônia, os indígenas também reforçaram que não foram responsáveis pela morte do animal, pedindo proteção espiritual à comunidade.
A onça-pintada ocupa um papel central na cultura Xavante e está presente em lendas ancestrais, como a conhecida “Dona do Fogo”, que atribui ao animal a origem do conhecimento do fogo entre o povo indígena. Essa tradição é transmitida oralmente entre gerações e reforça a relação de respeito e reverência com a fauna local.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que abriu procedimento para apurar as circunstâncias da morte do animal. O órgão ressaltou que o transporte de animais silvestres, vivos ou mortos, sem autorização, configura crime ambiental, conforme a legislação vigente.
A Polícia Militar e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) informaram que não foram acionadas no momento do ocorrido.
As lideranças indígenas também aproveitaram o episódio para reforçar a necessidade de medidas preventivas na região. Segundo Hiparidi, atropelamentos de animais silvestres são frequentes naquele trecho da rodovia, que corta áreas de vegetação e territórios tradicionais.


















