A tentativa de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o secretário de Trabalho de Cuiabá, Wiliam Leite, continua tensionando os ânimos no Legislativo municipal. Na sessão plenária desta quinta-feira (5), o vereador Daniel Monteiro subiu o tom ao desafiar os colegas a assinarem o requerimento como prova de independência, insinuando que o Palácio Alencastro estaria pressionando parlamentares para barrar a iniciativa.
A investida de Daniel, que incluiu questionamentos à Mesa Diretora, a primeira 100% feminina da história da Casa, provocou uma reação imediata da segunda-secretária, Dra. Mara (Podemos). Em um embate direto, ela sugeriu que o parlamentar precisa amadurecer sua postura para não ser rotulado apenas como um "rostinho bonito". Assista ao final.
Após a Sessão, a presidente Paula Calil (PL) buscou mediar o conflito, mas não poupou críticas ao método de exposição utilizado pelo colega. Embora tenha afirmado que precisava manter a neutralidade do cargo, Calil criticou a estratégia de Monteiro, afirmando que a articulação de assinaturas deveria ocorrer nos bastidores e não de forma a expor os demais parlamentares no plenário.
"Articule entre os pares. A atitude dele causa um certo constrangimento ao vir ao plenário expor os colegas. Minha conduta seria diferente, agiria nos bastidores."
EMBATE
Durante o expediente, Daniel apelou aos colegas num tom direto e crítico: "Eu tenho certeza de que todo mundo aqui chegou pedindo voto sem depender de ninguém na rua. Conseguiram se eleger sem pedir favor. Então está na hora de mostrar autonomia e assinar essa CPI. Não vamos ser cínicos: todos vocês receberam ligação para não assinar."
O vereador ainda questionou o posicionamento da Mesa Diretora frente aos princípios da administração pública. "Quero saber se esta Casa, a primeira do Brasil dirigida por mulheres, vai se posicionar e defender a probidade, a moralidade e a legalidade."
Sentindo-se ofendida pelas insinuações de interferência externa, a Dra. Mara rebateu. "O colega Daniel Monteiro citou nossa Mesa de forma desrespeitosa. Vai querer se resumir nisso, Daniel? Você vai se resumir num rostinho bonito e num discurso bonito, porque o seu vocabulário é vasto, conhecedor jurídico, te respeito muito, garoto prodígio. Só que você está se perdendo na suavidez.[...] Eu não recebi ligação alguma do prefeito."
A vereadora ainda defendeu sua posição na base governista. "Eu prefiro ser base recebendo 'migalhas' e conseguindo levar algo para o povo do que ser oposição e não conseguir fazer nada. Se a situação não melhorar, quem perde é Cuiabá, mas não aceito ser exposta por quem acredita na sua própria verdade."
Paula concedeu a palavra a Monteiro, que negou ter ofendido a Mesa e disparou contra a Dra. Mara, alegando que ela teria recuado de um acordo prévio.
“Eu não citei a senhora nominalmente, portanto, a carapuça deve ter servido para a senhora. Infelizmente, a senhora tomou as dores, se alterou, sendo que a senhora tinha falado para mim, eu nunca ia expor isso publicamente, a senhora falou que ia assinar e depois disse que não ia assinar. Isso fica muito delicado em uma casa de parlamentares em que a palavra tem que valer entre nós, porque, ao invés de cumprir palavras, a senhora prefere me ofender no microfone, uma coisa que eu nunca fiz.”, concluiu.
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