Mato Grosso registrou uma nova escalada de feminicídios na segunda semana de março de 2026. Foram três casos em três dias entre 10 e 12 de março. As vítimas eram Gabia Socorro da Silva, de 38 anos de idade, Estefany Pereira Soares, de 17 anos de idade e Simone da Silva Matiuzi, de 33 anos de idade.
A primeira a ter a morte divulgada foi Gabia, no dia 10 de março. Ela foi assassinada a facadas pelo marido, Lourival Lucena Pinto Filho, de 32 anos, no Distrito de Santo Antônio do Fontura, São José do Xingu (952 km de Cuiabá).
✅ Clique aqui para seguir o canal do CliqueF5 no WhatsApp
Clique aqui para entrar no grupo de whatsapp
Depois do crime, Lourival foi sequestrado pelos enteados, que o mataram. O corpo do feminicida foi encontrado numa cova rasa na sexta-feira (13), três dias depois do crime.
A segunda vítima de feminicídio da semana foi Estefany Pereira Soares, cujo corpo foi encontrado num córrego no bairro Três Barras, em Cuiabá, na noite do dia 11. O assassino é o próprio irmão dela, Marcos Pereira Soares, que foi preso horas depois da localização do cadáver.
As investigações apontam indícios de tortura e abuso sexual no corpo de Estefany. A polícia acredita que Marcos tenha premeditado o crime.
A vítima mais recente foi Simone, morta pelo marido. Ela foi atingida com um macaco hidráulico na cabeça e depois atropelada. Simone foi levada ao hospital, mas morreu na unidade.
LÍDER NACIONAL
Mato Grosso é líder no número de feminicídios no Brasil. Em 2025 foram registrados 53 casos.
A maioria deles ocorre no contexto de violência doméstica e familiar cujos autores são, via de regra, companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
No acumulado de sete anos, Mato Grosso tem média de 48 feminicídios/ano.
Embora as investigações tenham alto índice de resolutividade, o Estado ainda mantém o número alto de ocorrências.
PRESSÃO PARLAMENTAR
A deputada estadual Janaina Riva (MDB) e vereadora Michelly Alencar (UB) endureceram o discurso após o segundo feminicídio da semana.
Para Janaina, os casos evidenciam falhas na atuação do poder público e também da sociedade.
“Existe negligência evidente dos entes federativos e estaduais. Existe falha do governo estadual e do governo federal. São casos que poderiam ter sido evitados. Todos os vizinhos sabiam que naquela casa havia violência. Cadê a responsabilidade da sociedade civil para com as mulheres de Mato Grosso?”, questionou.
A repercussão também chegou à tribuna da Câmara Municipal de Cuiabá. Durante sessão, a vereadora Michelly Alencar (União) criticou a impunidade e questionou a efetividade das penas previstas para feminicídio no país.

















