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SEGUNDO RELATÓRIO

Após receber emendas, instituto transferiu 95% do dinheiro à Chiroli Esportes

Polícia Civil aponta que Instituto Brasil Central (Ibrace) funcionou como “entidade de passagem” para desviar recursos públicos.

Conteúdo Hipernotícias
Da Redação

A análise financeira do suposto esquema de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares do vereador Chico 2000 (sem partido) apontou que, após receber dois repasses em abril de 2025, o Instituto Brasil Central (Ibrace) transferiu 95% dos valores para uma conta ligada à empresa Chiroli Esportes. A partir daí, os recursos teriam sido distribuídos entre os investigados.

Na decisão judicial que autorizou a Operação Gorjeta, o magistrado Cássio Leite de Barros Netto afirma que o trabalho investigativo da Polícia Civil revelou “um esquema sofisticado de drenagem do erário” e que o Ibrace era, na verdade, uma “entidade de passagem” dos recursos. Para a polícia, a movimentação levanta a suspeita de lavagem de dinheiro e peculato, conhecido como “rachadinha”.

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Em 8 de abril de 2025, após receber R$ 1.350.000,00 provenientes de três emendas apresentadas por Chico 2000, o Ibrace repassou 95% desse valor à empresa Chiroli Esportes, controlada pelo empresário João Nery Chiroli.

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Os recursos deveriam ser utilizados pelo Ibrace na realização de corridas de rua em Cuiabá. A Chiroli Esportes era parceira na execução desses eventos, conforme material publicitário divulgado.

No dia 9 de abril de 2025, Chiroli fez uma transferência via Pix, no valor de R$ 20 mil, para Jovani José de Almeida, pedreiro que realizava obras particulares na “Estância Águas da Chapada”, pousada de propriedade de Chico 2000. A transação foi intermediada por Rubens Vuolo Júnior, chefe de gabinete do vereador, que chegou a enviar um comprovante com a legenda “na conta”, evidenciando o retorno do dinheiro público para fins privados.

Também foram identificados saques em espécie feitos por João Nery Chiroli, totalizando R$ 295 mil, além do repasse de R$ 142 mil ao presidente do Ibrace, Alex Jony Silva. A empresa Chiroli Uniformes, que está em nome de Magali Gauna Felismino Chiroli, esposa de João Nery Chiroli, recebeu uma transferência de R$ 178 mil.

A decisão ainda destaca que a Chiroli Esportes “se vale da proposital confusão” com a Chiroli Uniformes, que pertence à esposa de João Nery Chiroli. As duas empresas teriam sido usadas por ele em benefício do Ibrace.

“Apurou-se, portanto, que há evidente vinculação na operação e apresentação pública entre as duas empresas — Chiroli Esportes e Chiroli Uniformes —, as quais são efetivamente administradas por João Nery Chiroli”, afirma a decisão.

RELAÇÕES PERIGOSAS

A decisão destacou que as provas colhidas pela investigação policial evidenciam “a atuação persistente” do empresário João Nery Chiroli “em prol dos interesses do Ibrace [Instituto Brasil Central]”.

Em 13 de fevereiro de 2025, Chiroli enviou para Chico 2000 os protocolos dos ofícios apresentados pelo Ibrace à Secretaria de Gestão. O empresário queria ajuda para acelerar a tramitação dos processos. Em 18 de março de 2025, Chiroli enviou um áudio ao parlamentar informando sobre o andamento do processo administrativo, que tramitava na Procuradoria-Geral do Município (PGM), e pediu intervenção para agilizar o procedimento.

“Bom dia, Chico, beleza? O processo tá andando... tá andando não, está na PGM agora, tá na PGM. Da PGM vai pro esporte, daí do esporte que manda pro pagamento, então precisava pedir pra andar rápido lá na PGM pra soltar, pra ir pro esporte daí. Tanto na prefeitura como no legislativo, os dois estão no mesmo caminho, tá? Os dois estão parados na PGM agora. Vão analisar o processo, tudo, então precisava dar aquela força pra correr lá em cima lá, beleza?”, diz a transcrição da Polícia Civil.

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Conforme a investigação, o processo em questão estava parado desde o dia 14 de março. No dia 19 de março, um dia após o envio do áudio a Chico, o secretário municipal de Esportes, Jefferson Carvalho Neves, solicitou a emissão de parecer da PGM, que se manifestou no dia 21 de março.

“Tais fatos comprovam que Chico 2000 não apenas sabia que Chiroli efetivamente organizava o evento e possuía alto interesse na parceria com o Ibrace, como também era mantido informado sobre cada etapa da organização”, destacou o magistrado.

Além disso, o próprio Chico 2000, “mesmo tendo relações próximas ao instituto”, emitiu atestado de certificação da capacidade técnica do Ibrace. Outro atestado de capacidade técnica do Ibrace foi fornecido pela Chiroli Esportes, de propriedade de João Nery Chiroli.

Conforme a decisão judicial, isso evidenciaria “a profunda e duradoura ligação entre Chico 2000, João Nery Chiroli e o Ibrace”, demonstrando o direcionamento prévio dos recursos das emendas, a interferência para acelerar o andamento de processos na prefeitura e “a relação pessoal estreita entre o empresário beneficiado e o parlamentar autor das emendas”.

ESQUEMA COM EMENDAS

A Operação Gorjeta, deflagrada pela Polícia Civil na terça-feira (27), investiga um suposto esquema de direcionamento de emendas parlamentares de Chico 2000 para o Ibrace e a Chiroli Esportes. Além disso, foram apontados os crimes de peculato, conhecido como “rachadinha”, e lavagem de dinheiro.

Como parte da decisão judicial, as seguintes medidas foram adotadas com relação aos alvos da operação:

- Chico 2000 fica afastado do cargo até segunda ordem;

- Suspensão das atividades do Ibrace e a realização de auditoria pela Controladoria-Geral de Cuiabá em todos os Termos de Parceria firmados pelo órgão investigado com o Município;

- Os poderes Executivo e Legislativo da Capital ficam proibidos de contratar ou nomear quaisquer dos alvos investigados na operação;

- Foi determinado ainda o bloqueio inicial de R$ 676.042,32 das contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis;

- O Município fica proibido de realizar qualquer espécie de contratação ou pagamento de valores com relação às duas empresas investigadas.

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