Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2026
icon-weather
DÓLAR R$ 4,08 |

24 de Fevereiro de2026


Área Restrita

Justiça Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2026, 14:55 - A | A

Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2026, 14h:55 - A | A

FALSO INSVESTIDOR

Engenheiro é condenado a seis anos após golpes que podem passar de R$ 4 milhões

Fernando Henrique Minetti convencia as vítimas a transferirem valores com a promessa de lucros de até 7% e garantia de resgate imediato, o que jamais acontecia

Conteúdo Hipernotícias
Da Redação

O juiz João Francisco Campos de Almeida, da 6ª Vara Criminal de Cuiabá, condenou o engenheiro Fernando Henrique Minetti a seis anos e três meses de prisão em regime semiaberto por 17 crimes de estelionato, todos cometidos por meio de falsas operações financeiras na bolsa de valores. A decisão, publicada nesta segunda-feira (23), reconheceu que o réu atuou de forma sistemática, enganando quatro mulheres ao longo de dois anos e causando prejuízos que ultrapassam R$ 370 mil.

No entanto, as investigações da Polícia Civil que resultaram em sua prisão em 2023 na cidade de Americana (SP), onde ele também aplicava golpes em outras vítimas, revelaram que o golpe pode ter sido aplicado em muito mais pessoas cujo prejuízos podem ultrapassar os R$ 4 milhões. O método de Minetti era parecido com o utilizado pela advogada Taíza Tosatt, que ficou conhecida como a “musa dos investimentos” em Mato Grosso. Ao tentar bloquear bens do réu, a Justiça encontrou apenas R$ 0,23 em suas contas.

Segundo a sentença, Minetti se apresentava como investidor experiente, embora “não seja pessoa registrada e autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários/CVM para operar”. Ele convencia as vítimas a transferirem valores elevados com a promessa de lucros mensais de até 7% e garantia de resgate imediato, o que jamais acontecia.

Os autos revelam que Minetti utilizava sempre o mesmo método. Ele se aproximava das vítimas por meio de relações pessoais, apresentava-se como investidor bem-sucedido e oferecia rendimentos muito acima do mercado. Para reforçar a credibilidade, enviava planilhas falsas, prints de supostos investimentos e até comprovantes de PIX programados que nunca eram efetivados.

A sentença destaca que o réu “obteve para si vantagem ilícita, mantendo as vítimas em erro, mediante artifício”, e que não apresentou qualquer prova de que os valores recebidos foram realmente aplicados na bolsa.

V. D. R. foi a primeira vítima. Entre agosto de 2020 e novembro de 2021, ela realizou 12 transferências ao réu, acreditando que seu dinheiro estava sendo investido. Ela relatou que Minetti era amigo íntimo de seu cunhado, o que lhe deu confiança inicial. Com o tempo, porém, percebeu que o suposto investidor evitava prestar contas e desaparecia quando questionado. A vítima afirmou que o réu “programava PIX falsos, programava e não caía nada”, e que, ao perceber que o golpe seria descoberto, ele “sumia do WhatsApp”.

Ela também relatou que Minetti levava uma vida de luxo com o dinheiro das vítimas, viajando para Ilhas Maldivas, Alemanha e Fernando de Noronha, e que planejava fugir para Portugal.

LEIA MAIS: Justiça condena “musa dos investimentos” a ressarcir vítimas por golpe financeiro em Cuiabá

K. R de A. V. Kelly nunca conheceu o réu pessoalmente, mas investiu porque V. D. R. o indicou como alguém confiável. Entre maio e outubro de 2022, Kelly transferiu três valores: R$ 20 mil, R$ 20 mil e R$ 10 mil. Ela tinha um contrato assinado pelo réu, que garantia resgate imediato. Quando tentou retirar o dinheiro, ouviu que deveria aguardar 30 dias. O prazo passou, e nada foi devolvido.

L. M. de S. P. M. investiu inicialmente R$ 20 mil, após ouvir de V. D. R. que o réu era confiável. Nos dois primeiros meses, Minetti pagou rendimentos, o que aumentou a confiança da vítima. Ela então aportou mais R$ 100 mil. A partir de janeiro de 2022, Minetti parou de pagar rendimentos e passou a dar desculpas. Dos R$ 120 mil investidos, devolveu apenas R$ 30 mil.

Já I. M. da F. S. A. relatou que Minetti a procurou insistentemente, mesmo após ela dizer que não tinha confiança e que guardava o dinheiro para exames médicos, pois estava em remissão de câncer de mama. O réu insistiu, prometeu “risco zero”, garantiu lucros de até 12% e afirmou que um software impediria perdas superiores a 3%. Ela cedeu e investiu R$ 25 mil, mas recebeu apenas R$ 5 mil de volta porque avisou que seus irmãos iriam atrás do réu.

Apesar da condenação, Fernando Henrique Minetti pode recorrer em liberdade.

✅ Clique aqui para seguir o canal do CliqueF5 no WhatsApp

✅ Clique aqui para entrar no grupo de whatsapp 

Comente esta notícia

Rua Rondonópolis - Centro - 91 - Primavera do Leste - MT

(66) 3498-1615

[email protected]