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O que mudou em três anos da crise Yanomami

Lideranças apontam o que ainda falta na maior terra indígena do país

Três anos após o decreto de emergência, dados do Ministério da Saúde mostram queda de 27,6% nas mortes, quase triplicação das equipes de saúde e abertura de hospital indígena, enquanto o garimpo ilegal segue ativo e preocupa lideranças indígenas

Administração

 
 

Em 20 de janeiro de 2023, quando o governo federal decretou situação de emergência na Terra Yanomami, indígenas foram encontrados com sinais de desnutriçãomalária centenas de mortes. Exatos 1.096 dias depois, nesta terça-feira (20), o cenário é diferente: há redução nos casos de doenças e nas mortes, resultado de ações de saúde no território. Apesar dos avanços, lideranças indígenas afirmam que a presença de garimpeiros ainda preocupa.

A Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil com quase 10 milhões de hectares entre os estados do Amazonas e Roraima, onde está a maior parte. Mais de 33 mil indígenas vivem na região, em 417 comunidades, de acordo com dados mais recentes do Ministério da Saúde. 

Três anos depois, o garimpo ainda assombra a população indígena. O líder Dário Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, a mais representativa do povo, afirma que ainda há invasores no território.

 
Estou acompanhando essa ação do governo de três anos e, na opinião do povo Yanomami, essa ação não melhorou totalmente o que queríamos, principalmente os invasores na Terra Yanomami.
 
— Dário Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami.

g1 procurou o governo federal, por meio do Ministério da Saúde, Casa de Governo e Casa Civil sobre o assunto, mas não recebeu resposta até a última atualização.

Antes do decreto, lideranças indígenas já denunciavam o abandono vivido pelo povo Yanomami. Em algumas imagens, adultos e, principalmente, crianças apareciam em grave estado de desnutrição, com os ossos à mostra, além de precariedade na assistência de saúde. 

Nos primeiros meses de reconhecimento da crise, profissionais de saúde atendiam crianças de 4 anos que pesavam o equivalente a um bebê.

Ao longo primeiro ano da crise, os esforços se concentraram no fortalecimento da saúde, com a realização de atendimentos emergenciais e operações de combate ao garimpo. No ano seguinte, foi criada a Casa de Governo, com o objetivo de manter ações efetivas e contínuas no território.

Criança com costelas aparentes no colo do pai Yanomami em hospital de Boa Vista, em 2023. — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR/Arquivo

Criança com costelas aparentes no colo do pai Yanomami em hospital de Boa Vista, em 2023. — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR/Arquivo

O garimpo ilegal agravou a situação de saúde entre 2019 a 2022, com aumento de casos de desnutrição, malária e outras doenças. A atividade também provocou desmatamentocontaminação dos rios por mercúrio e danos à caça e pesca. 

Em outubro de 2025, o g1 mostrou que quase três anos após o decreto de emergência na Terra Yanomami, o garimpo seguia ativo, destruindo roças contaminando rios com mercúrio e, consequentemente, provocando desnutrição e impactos na rotina dos indígenas (relembre no vídeo).

Lideranças denunciam garimpos ativos e falhas graves na saúde Yanomami 

Lideranças denunciam garimpos ativos e falhas graves na saúde Yanomami

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