Por Yara Ramalho, Valéria Oliveira, Caíque Rodrigues, g1 RR — Boa Vista
Foto-MTST
Em 20 de janeiro de 2023, quando o governo federal decretou situação de emergência na Terra Yanomami, indígenas foram encontrados com sinais de desnutrição, malária e centenas de mortes. Exatos 1.096 dias depois, nesta terça-feira (20), o cenário é diferente: há redução nos casos de doenças e nas mortes, resultado de ações de saúde no território. Apesar dos avanços, lideranças indígenas afirmam que a presença de garimpeiros ainda preocupa.
A Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil com quase 10 milhões de hectares entre os estados do Amazonas e Roraima, onde está a maior parte. Mais de 33 mil indígenas vivem na região, em 417 comunidades, de acordo com dados mais recentes do Ministério da Saúde.
Três anos depois, o garimpo ainda assombra a população indígena. O líder Dário Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, a mais representativa do povo, afirma que ainda há invasores no território.
O g1 procurou o governo federal, por meio do Ministério da Saúde, Casa de Governo e Casa Civil sobre o assunto, mas não recebeu resposta até a última atualização.
Antes do decreto, lideranças indígenas já denunciavam o abandono vivido pelo povo Yanomami. Em algumas imagens, adultos e, principalmente, crianças apareciam em grave estado de desnutrição, com os ossos à mostra, além de precariedade na assistência de saúde.
Nos primeiros meses de reconhecimento da crise, profissionais de saúde atendiam crianças de 4 anos que pesavam o equivalente a um bebê.
Ao longo primeiro ano da crise, os esforços se concentraram no fortalecimento da saúde, com a realização de atendimentos emergenciais e operações de combate ao garimpo. No ano seguinte, foi criada a Casa de Governo, com o objetivo de manter ações efetivas e contínuas no território.
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Criança com costelas aparentes no colo do pai Yanomami em hospital de Boa Vista, em 2023. — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR/Arquivo
O garimpo ilegal agravou a situação de saúde entre 2019 a 2022, com aumento de casos de desnutrição, malária e outras doenças. A atividade também provocou desmatamento, contaminação dos rios por mercúrio e danos à caça e pesca.
Em outubro de 2025, o g1 mostrou que quase três anos após o decreto de emergência na Terra Yanomami, o garimpo seguia ativo, destruindo roças contaminando rios com mercúrio e, consequentemente, provocando desnutrição e impactos na rotina dos indígenas (relembre no vídeo).
Lideranças denunciam garimpos ativos e falhas graves na saúde Yanomami

















