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Mais de 3,3 milhões de toneladas

Indústria projeta estabilidade nas exportações de carne bovina

Associação que representa os frigoríficos vê estabilidade no mercado interno e aposta em novos mercados para sustentar preços e receitas em 2026

Administração

 
Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
 

O Brasil deverá exportar entre 3,3 milhões e 3,5 milhões de toneladas de carne bovina em 2026, mesmo após a China, principal destino do produto brasileiro, impor medidas de salvaguarda para proteger seu setor doméstico. A estimativa foi divulgada nesta segunda-feira (19) pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Em 2025, o país exportou  3,5 milhões de toneladas, e a expectativa agora é de leve acomodação nos volumes, sem impacto relevante na receita.

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Segundo a Abiec, a combinação de déficit global de carne bovina, produção brasileira estabilizada e reação dos preços no mercado internacional tende a compensar eventuais restrições.

A entidade informou ainda que cerca de 250 mil toneladas de carne bovina estavam a caminho da China quando as salvaguardas entraram em vigor. Ainda não está definido se esse volume será contabilizado dentro das cotas de 2026. Para tratar sobre o tema, o governo federal brasileiro deve se reunir ainda nesta semana com autoridades chinesas, em busca de alternativas para mitigar os efeitos das medidas chinesas.

A Abiec defende ainda que eventuais cotas não aproveitadas por outros países exportadores sejam realocadas ao Brasil. Na sexta-feira (17), representantes da entidade se reuniram com o Ministério do Comércio da China (Mofcom) para discutir o assunto. Segundo Roberto Perosa, presidente a Abiec, a posição chinesa foi objetiva. O foco está no cumprimento do volume anual de 1,106 milhão de toneladas, enquanto a forma de gestão interna desse limite cabe exclusivamente ao Brasil.

No mercado interno, a avaliação é de estabilidade. Não há espaço para grandes movimentações de preços no Brasil. Diferentemente do ano passado, o mercado está mais consolidado. Aproximadamente 70% da produção nacional segue destinada ao consumo doméstico, que permanece como principal mercado da carne brasileira.

Além da China, a Abiec destaca oportunidades em outros países como a indonésia e o México, que segue como destino relevante, apesar do fim do plano de combate à inflação que zerava tarifas para a carne brasileira. Para a carne bovina, foi estabelecida uma cota de 70 mil toneladas e, após esse limite, incide uma tarifa de 20%. Mesmo assim, a entidade acredita na manutenção dos volumes exportados, diante da escassez global do produto.

A estratégia do setor inclui ações de promoção comercial em diversos países ao longo do ano, além da participação em feiras internacionais, para ampliar mercados e agregar valor. Com isso, a Abiec avalia que o faturamento pode se manter elevado, sustentado por preços internacionais mais firmes, especialmente em momentos de restrição de oferta, como já observado recentemente no mercado chinês.

Para a associação, o cenário segue positivo, com produção estabilizada, demanda externa aquecida e espaço para o Brasil conquistar novos mercados, sem comprometer o abastecimento interno.

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