O governo da Groenlândia anunciou que a presença militar foi reforçada na ilha e seus arredores, em "estreita colaboração" com aliados da Otan, nesta quarta-feira (14).
O comunicado, divulgado em parceria com a Dinamarca, foi divulgado pouco depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionar a capacidade dos países europeus para impedi-lo de tomar o controle do território, que pertence ao governo dinamarquês.
"As Forças Armadas dinamarquesas continuam com exercícios na Groenlândia. A partir de hoje, haverá uma presença militar aumentada na Groenlândia e em seus arredores, em estreita cooperação com os aliados da Otan. O objetivo é treinar a capacidade de operar sob as condições únicas do Ártico e fortalecer a presença da aliança na região para o benefício da segurança europeia e transatlântica", diz o documento.
O Ministério da Defesa dinamarquês afirmou que os exercícios militares que serão realizados este ano, incluirão:
- a proteção de instalações críticas para a sociedade;
- o apoio às autoridades da Groenlândia, incluindo a polícia;
- a recepção de tropas aliadas;
- a mobilização de aeronaves de combate na ilha e arredores;
- a resolução de tarefas navais.
Em seu post feita na rede Truth Social mais cedo, Trump, que vem insistindo em anexar a ilha, que é território autônomo da Dinamarca, desde que tomou posse há um ano para seu segundo mandato, afirmou que ela é "vital" para o Domo de Ouro, escudo antimísseis que ele deseja construir para proteger os EUA.
"Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!", escreveu.
O presidente americano também alfinetou os aliados. Disse que a Organização do Tratado do Atlântico Norte, formada por países da América do Norte e Europa para defesa mútua, não tem "força" para impedi-lo de obter a ilha:
"Militarmente, sem o vasto poder dos Estados Unidos, grande parte do qual construí durante meu primeiro mandato e que agora estou elevando a um novo e ainda maior patamar, a Otan não seria uma força ou dissuasão eficaz – nem de perto! Eles sabem disso, e eu também. A Otan se torna muito mais formidável e eficaz com a Groenlândia nas mãos dos Estados Unidos. Qualquer coisa menos que isso é inaceitável".
Pouco tempo depois do primeiro post, Trump voltou a falar sobre o assunto. Compartilhou uma reportagem que afirma que a Inteligência da Dinamarca alertou no ano passado sobre objetivos militares da Rússia e da China em relação à ilha e ao Ártico e comentou:
"OTAN: Diga à Dinamarca para tirá-los daqui, agora! Dois trenós puxados por cães não vão resolver! Só os EUA podem".
Há dois dias, ao falar com repórteres, Trump zombou das defesas da Groenlândia e disse que os EUA iriam obter o território 'de um jeito ou de outro'.
O presidente norte-americano chegou até a sugerir estar disposto a sacrificar a Otan —da qual os EUA e a Dinamarca fazem parte— para conquistar ilha do Ártico, o que gerou temor de que a existência da aliança militar estaria ameaçada.
Reunião na Casa Branca vai debater questão
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Moradores da Groenlândia fazem protesto contra os EUA, em 15 de março de 2025 — Foto: Christian Klindt Soelbeck/Ritzau Scanpix/via REUTERS
Nesta quarta-feira (14), uma reunião entre autoridades da Groenlândia, da Dinamarca e dos Estados Unidos na Casa Branca vai debater o futuro do território autônomo dinamarquês.
A premiê dinamarquesa, Mette Frederiksen, já afirmou que o país não fará nenhuma "concessão fundamental".
O primeiro-ministro da ilha ártica, Jens-Frederik Nielsen, declarou nesta terça-feira (13) que "a Groenlândia escolheu a Dinamarca em vez dos Estados Unidos".
Em entrevista à agência de notícias AFP, o ministro da Defesa da Dinamarca revelou que irá reforçar a presença militar do país na Groenlândia.
“Continuaremos a fortalecer nossa presença militar na Groenlândia, mas também teremos um foco ainda maior, dentro da Otan, em mais exercícios e em um aumento da presença da Otan no Ártico”, escreveu o ministro Troels Lund Poulsen em comunicado à AFP.
A Dinamarca já começou a enviar equipamentos militares e tropas à Groenlândia, segundo a TV dinamarquesa "DR". Um avião da Força Aérea pousou na capital Nuuk na segunda-feira (12). Em um primeiro momento, foram enviados à ilha alguns soldados, entre eles de uma divisão capacitada para estruturar uma logística para receber mais tropas.
A investida de Trump contra a Groenlândia elevou as tensões na Europa, que já traça um plano para caso as ameaças do presidente norte-americano se materializem. Entre as medidas planejadas está a possibilidade de enviar tropas à Groenlândia, segundo a agência de notícias Bloomberg.
Segundo a Bloomberg, a iniciativa está sendo liderada pelo Reino Unido e pela Alemanha e visa mostrar a Trump que a Europa está levando a sério a segurança no Ártico. Os alemães irão propor a criação de uma missão conjunta da Otan para proteger a região do Ártico, afirmaram à agência fontes familiarizadas com os planos.
Um porta-voz do governo da Alemanha afirmou na segunda-feira (12) que a Otan está discutindo o fortalecimento adicional da segurança no Ártico por conta da investida de Trump para tomar a Groenlândia, que pertence à Dinamarca. A ideia seria amenizar preocupações de segurança dos EUA na região. O ministro da Defesa da Bélgica afirmou à agência de notícias Reuters disse que a há necessidade de "uma operação da Otan no extremo norte", em referência ao Ártico.
Diante das ameaças de Trump, a Europa corre contra o tempo e prepara, desde semana passada, um plano para o caso do presidente norte-americano de fato ordenar uma invasão militar à Groenlândia. Ainda não se sabe quais países participariam do plano além da França e da Alemanha.


















