O secretário-geral da ONU informou aos países-membros que a organização corre o risco de um “colapso financeiro iminente”, citando taxas não pagas e uma regra orçamentária que obriga o órgão global a devolver o dinheiro não gasto, de acordo com uma carta vista pela Reuters nesta sexta-feira (30).
“A crise está se aprofundando, ameaçando a execução dos programas e causando risco de colapso financeiro. E a situação se deteriorará ainda mais no futuro próximo”, afirmou Guterres em uma carta aos Estados-membros datada de 28 de janeiro.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu a ONU como tendo “grande potencial”, mas disse que ela não está cumprindo esse papel e lançou um Conselho da Paz que alguns temem que possa minar o órgão internacional.
Fundada em 1945, a ONU tem 193 Estados-membros e trabalha para manter a paz e a segurança internacionais, promover os direitos humanos, fomentar o desenvolvimento social e econômico e coordenar a ajuda humanitária.
Em sua carta, Guterres disse que “as decisões de não honrar as contribuições que financiam uma parte significativa do orçamento regular aprovado foram agora formalmente anunciadas”.
Ele não disse a qual Estado ou Estados se referia, e um porta-voz da ONU não estava disponível para comentar imediatamente.
De acordo com as regras da ONU, as contribuições dependem do tamanho da economia de cada Estado-membro. Os EUA respondem por 22% do orçamento principal, seguidos pela China, com 20%.
Mas, no final de 2025, havia um recorde de US$1,57 bilhão em dívidas pendentes, disse Guterres, sem nomear os países.
“Ou todos os Estados-membros honram suas obrigações de pagar integralmente e em dia, ou os Estados-membros devem reformular fundamentalmente nossas regras financeiras para evitar um colapso financeiro iminente”, disse ele.
Guterres lançou no ano passado uma força-tarefa de reforma, conhecida como UN80, que busca cortar custos e melhorar a eficiência. Para esse fim, os Estados concordaram em cortar o orçamento de 2026 em cerca de 7%, para US$ 3,45 bilhões.
Ainda assim, Guterres alertou na carta que a organização poderia ficar sem dinheiro até julho.
Um dos problemas é uma regra agora considerada antiquada, segundo a qual o órgão global tem que creditar de volta centenas de milhões de dólares em contribuições não gastas aos Estados a cada ano.
“Em outras palavras, estamos presos em um ciclo kafkiano que exige a devolução de dinheiro que não existe”, disse Guterres, referindo-se ao autor Franz Kafka, que escreveu sobre processos burocráticos opressivos.




















