O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União), passou a ser alvo de uma nova investigação do Ministério Público do RJ. O deputado é suspeito de ser sócio oculto de um frigorífico em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, que recebeu financiamento da Agência de Fomento do Estado (AgeRio). Bacellar nega qualquer irregularidade. O caso vem à tona em meio à crise institucional provocada pela disputa política com o governador Cláudio Castro (PL), que se intensificou às vésperas da corrida eleitoral de 2026.
A apuração foi aberta por decisão do Conselho Superior do MP, que autorizou a investigação por “possíveis atos de improbidade administrativa” relacionados a indícios de evolução patrimonial incompatível com a remuneração do parlamentar. O frigorífico JGPS Comércio de Carnes, instalado em Campos, é um dos principais pontos de atenção. Com capacidade para abater até 250 cabeças de gado por dia, o empreendimento foi erguido em terreno adquirido após empréstimo da AgeRio e teve licença ambiental concedida em setembro de 2022, em tempo considerado atípico por investigadores.
O novo inquérito também mira o crescimento patrimonial de Bacellar. Em 2018, quando concorreu pela primeira vez a deputado estadual, ele declarou possuir R$ 85 mil em espécie. Quatro anos depois, informou aumento de 833% em seu patrimônio, passando a somar R$ 150 mil em participação societária, R$ 493 mil em aplicações financeiras e outros R$ 150 mil em dinheiro vivo.
Outro ponto sob análise é a suspeita de que Bacellar teria utilizado mão de obra de servidores da Alerj na reforma de sua mansão em Teresópolis, comprada em sociedade com o advogado Jansens Calil, seu amigo de longa data e sócio formal do frigorífico investigado. O MP apura ainda se houve favorecimento na contratação do filho de um subdiretor da Casa, que teria participado das obras.
Em nota, Bacellar afirmou que “já foram prestados esclarecimentos que demonstraram não haver qualquer tipo de ilegalidade nos pontos abordados” e disse que voltará a colaborar “de forma transparente”. O Inea, responsável pela licença ambiental do frigorífico, informou que o processo seguiu os trâmites legais e foi concedido “em conformidade com a legislação vigente”.