O clima na Câmara de Cuiabá ficou ainda mais tenso nesta terça-feira (24). Durante a sessão, parlamentares confirmaram que o grupo oficial de WhatsApp, utilizado para comunicação interna entre os 27 vereadores, sofreu um esvaziamento significativo. Dez integrantes decidiram abandonar a conversa após a divulgação de áudios comprometedores.
As gravações, cinco ao todo, revelam falas atribuídas a Jefferson Siqueira (PSD) e Demilson Nogueira (PP). Em dois trechos, Jefferson admite a existência de um “acordo” entre os colegas em torno do projeto que autoriza a conversão de férias em dinheiro. Já nas três mensagens de Demilson, predominam críticas à atuação da imprensa local, acusada de prejudicar a imagem da Casa.
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O episódio ganhou força depois da repercussão de uma discussão entre a presidente Paula Calil (PL) e a vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade), ocorrida em sessão remota no dia 19. Para Jefferson, a forma como o desentendimento foi exposto teria como objetivo “descredibilizar” o Legislativo. Ele reconheceu, em uma das falas, que o colegiado havia fechado um entendimento sobre o pagamento de férias em abono pecuniário, tema que gerou intensa polêmica após a divulgação dos valores recebidos por parlamentares.
Demilson, por sua vez, defendeu que os vereadores adotem uma postura mais firme e coordenada diante do que classificou como ataques sistemáticos contra a Câmara.
Durante a sessão, o vereador Ilde Taques (PSB) saiu em defesa de Demilson e condenou o vazamento. “Eu queria me solidarizar com o vereador Demilson Nogueira. (Esse vazamento) expõe muito nosso colega vereador, é de uma tamanha sacanagem, deslealdade de quem fez isso, porque ali naquele grupo muitas vezes a gente tem um debate mais acalorado, a gente fala opiniões que deveriam ficar de forma mais reservada e infelizmente alguém com maldade enviou esses áudios para um veículo de comunicação”, declarou.
Ilde também lamentou os efeitos internos da crise: “Agora, como se tornou público, alguns colegas saíram do grupo de WhatsApp. A gente acaba que, de uma forma ou de outra, até atrapalha o nosso trabalho do debate político saudável”.
A presidente Paula Calil reforçou a crítica ao vazamento e destacou o impacto negativo na confiança entre os parlamentares. “Eu também lamento profundamente o vazamento desses áudios. Um grupo que deveria prezar pelo respeito, pela confiança. Eu penso que, independentemente dos posicionamentos políticos, todos nós devemos preservar a imagem da Câmara enquanto instituição. Quando ocorre um fato como este é péssimo para a instituição, para a imagem da instituição”, afirmou.
CONFIRA:
*Fala do vereador Ilde Taques começa em 50:30
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