O Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou na quinta-feira (12) os dados do 5º Levantamento da Safra de Grãos da atual temporada, apontando que a Região Sul segue como principal polo produtor de trigo, responsável por cerca de 85% da oferta estimada para 2026. O destaque permanece com o Rio Grande do Sul, com 44% da produção nacional prevista, e o Paraná, com 35%, cenário que ainda reflete os impactos da última safra e um ambiente de preços que desestimula a expansão de área em outras regiões.
No curto prazo, segundo a Conab, o mercado interno opera em ambiente de baixa fluidez e elevada seletividade, com negociações pontuais e condicionadas à qualidade do grão. A indústria de moagem mantém postura defensiva, sustentada por estoques considerados confortáveis, e enfrenta dificuldades na comercialização de farinha, priorizando lotes de melhor padrão. Já o trigo de qualidade inferior disputa espaço com o milho na formulação de ração. O câmbio mais apreciado em relação ao ano anterior atenua parte do repasse das altas externas, mas não elimina o viés de sustentação nas paridades de importação, sobretudo para trigos de maior valor agregado.
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No cenário internacional, o relatório de janeiro do United States Department of Agriculture (USDA) indica nova revisão altista para a produção mundial de trigo em 2025/26, com estimativa de recorde histórico. O avanço é atribuído a incrementos relevantes na Argentina, na Rússia e no Brasil, enquanto consumo e comércio globais também foram ajustados para cima.
De acordo com o USDA, destaca-se a recuperação da Argentina, favorecida por safra volumosa e redução permanente das alíquotas de imposto de exportação, fator que sustenta a competitividade do trigo argentino e eleva a projeção de exportações para 16 milhões de toneladas no ciclo 2025/26. Em contrapartida, a União Europeia e a Ucrânia perdem participação no comércio internacional.
Conforme a Conab, o cenário de ampla oferta global e atuação agressiva de exportadores mantém o mercado abastecido. No entanto, a combinação entre restrições de qualidade em algumas origens, movimentos financeiros nas bolsas e incertezas climáticas sobre a próxima safra de inverno sustenta um viés de preços mais firmes, com reflexos sobre as paridades de importação e sobre a formação de preços no Brasil.




















