O acordo entre a União Europeia e o Mercosul tende a gerar impactos positivos, porém limitados e graduais, para o agronegócio brasileiro, com maior potencial concentrado em café, aves, etanol e açúcar. Segundo análise do BTG Pactual, elaborada por Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, os principais ganhos devem vir da melhora nos preços e da ampliação moderada dos mercados de exportação, sem mudanças relevantes de volume no curto prazo.
No açúcar, a cota de 180 mil toneladas livres de tarifa equivale a cerca de 3% das exportações brasileiras, o que limita o impacto aos preços dentro desse volume. Para o etanol, a cota de 650 mil toneladas, sendo 450 mil livres de tarifa, representa cerca de metade das exportações do Brasil, mas como o mercado externo corresponde a apenas 4% da produção nacional, o efeito agregado permanece restrito, ainda que positivo para a expansão do etanol de milho.
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Nas proteínas, o acordo cria cotas com tarifas reduzidas. A carne bovina terá cota crescente até 99 mil toneladas em 2031, o que ainda representa parcela pequena da produção do Mercosul, embora com preços cerca de 60% superiores à média brasileira. O frango se destaca, com a cota subindo para 180 mil toneladas, podendo elevar em até 65% as exportações brasileiras para a UE, mesmo que o volume continue pouco relevante frente à produção total. Já os suínos permanecem com impacto marginal.
Entre os bens de consumo, o café se beneficia da eliminação gradual da tarifa de 7,5%, em um mercado que já absorve 47% das exportações brasileiras. O arroz passa a contar com uma cota de 60 mil toneladas livres de tarifa. Para grãos, não houve mudanças relevantes para soja e farelo, e a cota de milho não altera os fluxos atuais. O BTG ressalta que o acordo ainda depende de ratificação, terá implementação gradual e inclui mecanismos de salvaguarda que podem limitar seus efeitos.


















