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Após ameaça de intervemção de Trump

Protestos no Irã estão mais sangrentos

'Estamos prontos para a guerra, mas também para o diálogo', disse o Ministro das Relações Exteriores Abbas Araqchi nesta segunda-feira (12)

Administração

 
 

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou nesta segunda-feira (12), que a situação o país está "sob controle total" após o aumento da violência ligada aos protestos durante o fim de semana.

O chanceler iraniano acrescentou que o aviso do presidente dos EUA, Donald Trump, contra Teerã, de que tomaria medidas caso os protestos se tornassem sangrentos, motivou "terroristas" a atacar manifestantes e forças de segurança, para justificar essa intervenção. 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os EUA devem intervir se o Irã começar a matar pessoas, em meio a grandes protestos no país. A declaração foi feita nesta sexta-feira (9) a repórteres na Casa Branca. 

"Vamos atingi-los com muita força onde mais dói", disse ele, acrescentando que seu governo está acompanhando atentamente a situação no Irã. 

Trump já havia dito que faria uma intervenção anteriormente. No dia 2 de janeiro, ele declarou em uma publicação na rede Truth Social que os EUA estão “prontos para agir” se pessoas que protestam de forma pacífica forem mortas (relembre aqui).

No sábado, Trump renovou as ameaças ao dizer que o Irã está "buscando a liberdade" e que os norte-americanos estão "prontos para ajudar".

Acordo nuclear 

O presidente Donald Trump afirmou neste domingo (11) que o Irã entrou em contato com os Estados Unidos e propôs negociar um acordo nuclear depois que o republicano ameaçou tomar medidas em resposta à repressão aos protestos no país.

Em declarações a jornalistas a bordo do Força Aérea Um, Trump disse que seu governo estava em negociações para agendar uma reunião com Teerã, mas alertou que talvez precisasse agir primeiro, visto que o número de mortos no Irã aumenta e o governo continua prendendo manifestantes. 

"Acho que eles estão cansados ​​de apanhar dos Estados Unidos", disse Trump. Ele acrescentou: "O Irã quer negociar". 

Nas declarações desta segunda, o chanceler iraniano não comentou sobre o possível acordo.

Em 2017, Trump rompeu um acordo entre EUA e Irã que limitava o uso de material nuclear por Teerã em troca do fim das sanções econômicas ao país. Teerã voltou a enriquecer urânio a níveis superiores ao necessário para produzir energia — embora não haja evidências de que o regime estivesse próximo de desenvolver sua própria bomba nuclear.

Em junho de 2025, os EUA bombardearam instalações de pesquisa nuclear em território iraniano, em meio ao conflito entre Teerã e Israel. 

Mortes e prisões 

O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, afirmou às agências de notícias Reuters e Associated Press que o número de mortos subiu para 538, entre eles 490 manifestantes e 48 policiais. Além disso, mais de 10.670 pessoas teriam sido presas, segundo a organização neste domingo (11).

Outras ONGs de direitos humanos que monitoram a situação no Irã também têm reportado nas mortes dos protestos. O país está isolado do resto do mundo após Khamenei ter cortado a internet, então não se sabe ao certo quantas pessoas realmente morreram, porém, as organizações têm recebido relatos de que as forças de segurança iranianas dispararam contra os manifestantes. 

O governo iraniano não está divulgando regularmente números oficiais da atuação policial nos protestos e acusa os EUA e Israel de se infiltrarem nos protestos e os culpam pelas mortes ocorridas nos movimentos. O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou neste domingo que as forças de segurança "escalaram o nível de confronto contra os manifestantes". A Guarda Revolucionária do Irã, um importante ator militar no país, afirmou que proteger a segurança nacional é um ponto inegociável.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu neste domingo que a população iraniana mantenha distância do que chamou de "terroristas e badernistas" e tentou buscar uma via de diálogo com os manifestantes. Ao mesmo tempo, Pezeshkian acusou os Estados Unidos e Israel de "semear caos e desordem" no país. 

Também neste domingo, o governo iraniano ameaçou retaliar contra Israel e bases militares dos EUA no Oriente Médio caso o país seja alvo de um bombardeio norte-americano. A fala ocorre após o presente dos EUA, Donald Trump, ameaçar intervir na crise se o regime matar manifestantes pacíficos. 

"Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos", disse o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, segundo a Reuters. 

Pezeshkian também afirmou neste domingo que o governo está pronto para "ouvir seu povo" e está determinado a resolver as questões econômicas.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, discutiu com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, a possibilidade de uma intervenção no Irã durante uma conversa telefônica no sábado, segundo a agência de notícias Reuters. 

 
 

Manifestantes incendeiam carros e edifícios nas ruas de Teerã, no Irã, em manifestações contra o governo de Ali Khamenei em janeiro de 2026. — Foto: Redes sociais via Reuters

 
 

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