A empresa Instituto Brasil Central (Ibrace) recebeu R$ 3,65 milhões em emendas parlamentares destinadas pelo vereador Chico 2000 (sem partido), entre 2023 e 2025, para a realização de corridas de rua em Cuiabá. Nesta terça-feira (27), o parlamentar foi afastado do cargo por envolvimento em suposto esquema de “rachadinha” com esses recursos.
Conforme os relatórios de pagamentos de emendas parlamentares divulgado pela Prefeitura de Cuiabá, quem é quem paga as emendas apresentadas pelos vereadores, nos três últimos anos, o vereador Chico 2000 destinou recursos para oito competições organizadas pelo (Ibrace).
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Em 2023, foram três emendas receberam parecer favorável do Executivo Municipal, totalizando R$ 1,05 milhão:
- 1ª Corrida Solidária da Região Sul, R$ 100 mil
- 4ª Corrida do Legislativo, R$ 350 mil
- 34ª Corrida Bom Jesus de Cuiabá, R$ 600 mil
No ano seguinte, foram mais três emendas com parecer favorável com R$ 1,6 milhão em recursos destinados ao Ibrace:
- 5ª Corrida do Legislativo, R$ 450 mil
- 1ª Corrida de Rua Popular, R$ 450 mil
- 35ª Corrida Bom Jesus de Cuiabá, R$ 700 mil
Em 2025, Chico 2000 destinou R$ 1 milhão para o mesmo Instituto Brasil Central:
- 36ª Corrida Bom Jesus de Cuiabá, R$ 600 mil
- 6ª Corrida do Legislativo, R$ 400 mil
Um outro alvo da operação é Joaci Conceição Silva, que aparece no quadro societário do Instituto Brasil Central. Ele também é assessor parlamentar do vereador Mário Nadaf (PV) que não possui envolvimento com a investigação. Por determinação judicial, ele foi afastado do cargo.
Magali Gauna Felismino Chirolli, que também foi alvo da Operação Gorjeta, aparece como a responsável pela empresa Chirolli Uniformes, que é uma das parceiras na realização das corridas, conforme material de divulgação. João Nery Chirolli também foi alvo da Polícia Civil.
Rubens Vuolo Júnior, que é chefe de gabinete de Chico 2000 desde janeiro de 2025, e Alex Jony Silva, que atuou como assessor parlamentar na Câmara entre fevereiro e agosto de 2020, também estão na lista de investigados.
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ENTENDA A OPERAÇÃO
De acordo com a polícia, essas pessoas teriam se associado com a finalidade de direcionar emendas parlamentares para o instituto e a empresa, e o recurso era parcialmente “devolvido” para Chico 2000, que era o responsável pela destinação da emenda. Conhecida como “rachadinha”, a ação constitui o crime de peculato.
Além disso, a polícia também apontou a prática de associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Como parte da decisão judicial, o Poder Executivo e o Poder Legislativo de Cuiabá também estão proibidos de contratar ou nomear quaisquer dos alvos investigados na operação.
Foi determinado ainda o bloqueio inicial de R$ 676.042,32 das contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.
Dentre as ordens judiciais há também a determinação da suspensão das atividades do instituto investigado e de realização de auditorias pela Controladoria-Geral de Cuiabá em todos os Termos de Parceria firmados pelo órgão investigado com o Município.
O Município também fica proibido de realizar qualquer espécie de contratação ou pagamento de valores com relação às duas empresas investigadas.



















