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OPERAÇÃO GORJETA

Justiça manda auditar contratos do Ibrace por suspeita de desvio de emendas em Cuiabá

Decisão judicial impõe auditoria total, bloqueios e novas restrições após indícios de desvio de emendas e esquema de rachadinha envolvendo o instituto

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O juiz Cássio Leite de Barros Netto, do Núcleo de Justiça 4.0, determinou que a Controladoria-Geral do Município (CGM) realize uma auditoria completa em todos os Termos de Fomento firmados entre o Município de Cuiabá e o Instituto Brasil Central (Ibrace) desde 2022. A decisão integra o conjunto de medidas cautelares da Operação Gorjeta, que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo emendas parlamentares, contratos administrativos e entidades do terceiro setor.

O magistrado fixou prazo máximo de 120 dias para a auditoria integral e estabeleceu urgência de 30 dias para a análise de dois contratos considerados sensíveis, o Termo de Fomento nº 01/2025-SMESP, referente à 36ª Corrida do Senhor Bom Jesus, e o Termo de Fomento nº 03/2025-SMESP, relativo à 6ª Corrida do Legislativo. As duas corridas receberam emendas do vereador Chico 2000 (sem partido) que somam R$ 1 milhão.

Por meio de nota, a Controladoria informou que "adotará as medidas de planejamento e instalação das ações de auditoria" e que encaminhará ao juízo o que foi determinado.

A decisão aponta indícios de desvio de finalidade, confusão patrimonial e possível cooptação do instituto para viabilizar o desvio de verbas públicas. Entre 2022 e 2025, ao menos 12 emendas parlamentares resultaram em termos de fomento com o Ibrace, a maioria ligada à Secretaria Municipal de Esportes.

Chico 2000, afastado novamente do cargo nesta terça-feira (27), é o principal responsável pelos repasses: R$ 3,65 milhões destinados ao Ibrace entre 2023 e 2025 para a realização de corridas de rua. No total, vereadores de Cuiabá destinaram quase R$ 9,5 milhões ao instituto nos últimos três anos.

A investigação aponta que Chico 2000 e outros envolvidos teriam direcionado emendas ao Ibrace e a empresas parceiras, com parte dos valores sendo supostamente “devolvida” ao parlamentar, prática conhecida como rachadinha, caracterizada como peculato. A Polícia Civil também identificou indícios de associação criminosa e lavagem de dinheiro.

LEIA MAIS: Decisão revela que polícia chegou a pedir prisão de Chico 2000 por supostos desvios

Além do afastamento de Chico 2000, a Justiça já havia determinado a suspensão das atividades do Ibrace, proibição de contratação ou nomeação, pelo Executivo e Legislativo, de todos os investigados, bloqueio de R$ 676 mil de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de veículos, imóveis e uma embarcação. O Município de Cuiabá também está proibido de realizar qualquer pagamento ou contratação relacionada ao Ibrace e às empresas investigadas.

Entre os alvos da operação estão Joaci Conceição Silva, integrante do quadro societário do Ibrace e assessor parlamentar; Magali Gauna Felismino Chirolli e João Nery Chirolli, ligados à empresa parceira Chirolli Uniformes; além de Rubens Vuolo Júnior e Alex Jony Silva, ligados ao gabinete de Chico 2000.

LEIA A NOTA NA ÍNTEGRA

A Controladoria Geral do Município informa que recebeu a decisão judicial expedida pelo juiz, no âmbito da investigação, que apura possíveis irregularidades relacionadas à destinação e execução de recursos oriundos de emenda parlamentares com a determinação de que seja realizada a auditoria pública nos termos de fomento firmados entre o município de Cuiabá e a entidade alvo da operação.

Ressalta que adotará as medidas de planejamento e instalação das ações de auditoria, que ao final será encaminhada ao juiz em observância ao que foi determinado.

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