O presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), Diogo Sampaio, defendeu o fechamento dos cursos de Medicina em Mato Grosso que tenham avaliação insatisfatória. A fala é um reação aos números do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, que mostrou que alguns cursos de Mato Grosso foram avaliados com nota muito baixa.
Além disso, o líder da entidade de classe defendeu a criação de um Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), que funcionaria como uma avaliação antes que o recém-formado obtenha o registro profissional e possa atuar na área.
O Ministério da Educação (MEC) adotou medidas contra 99 cursos, sendo que apenas 8 delas terão o ingresso de novos alunos suspenso. Já 13 cursos terão redução de 50% na oferta de vagas e 33 sofrerão o corte de 25% das vagas.
“Quase a metade destas 99 universidades, que em qualquer lugar do mundo seriam fechadas, terão como pena apenas a proibição do aumento de vagas. Ou seja, elas continuarão formando pessoas completamente despreparadas, desqualificadas, que vão atender nossos pais, nossos filhos, nossos familiares em unidades por todo o país. Um verdadeiro absurdo”, pontuou Sampaio.
Das 7 universidades mato-grossenses avaliadas, duas tiveram nota 1 e 2. Uma delas é o Centro Universitário Estácio do Pantanal (Unipantanal), de Cáceres. A instituição teve o menor percentual de concluintes em Medicina que alcançaram a nota mínima para serem considerados proficientes entre todas as 304 universidades do Brasil avaliadas. Dos 26 estudantes que fizeram a prova, apenas 4 atingiram a nota mínima considerada pelo MEC. A Universidade de Cuiabá (Unic) teve nota 2.
Conforme o material divulgado pelo CRM para a imprensa, “o resultado comprova a péssima qualidade do ensino” oferecido aos estudantes de medicina.
“Temos denunciado isso há muito tempo e, agora, temos um dado objetivo que comprova esta situação, apresentado pelo governo que nada faz de efetivo para garantir que os novos médicos formados tenham um conhecimento mínimo para atender a população. Muita gente está correndo risco de vida e isso está claro”, pontuou o presidente do Conselho.
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O Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed) defendido pelo CRM-MT, na visão do presidente do órgão, seria uma forma de impedir que estudantes formados sem o conhecimento mínimo necessário exerçam a profissão. Um projeto de lei para oficializar o exame tramita no Senado Federal.
“É preciso que este projeto seja aprovado o quanto antes e que a prova, ao contrário do que está no texto, seja aplicada imediatamente. Na forma atual da redação, apenas alunos que ingressarem no curso de Medicina após a vigência do Profimed é que precisarão fazer o exame, fazendo com que tenhamos, por seis anos, um grande número de pessoas sem a formação adequada recebendo seus registros e atuando normalmente”, sustentou o presidente do CRM-MT, que coordena o Grupo de Trabalho criado pelo CFM para tratar do tema.
Para tentar impedir que os acadêmicos de Medicina que não atingiram a nota mínima obtenham seus registros, o CFM iniciou as tratativas para a elaboração de uma resolução que faz com que estes estudantes tenham que ser novamente avaliados antes de serem liberados para exercerem a profissão.
“O próprio MEC afirma que 13 mil alunos não são proficientes, o CFM não pode ficar inerte com essa informação. Esta é uma medida para proteger a população destes maus profissionais”, complementou Diogo.
A AVALIAÇÃO
Para dar notas às instituições no Enamed, o MEC estabeleceu que um estudante é considerado proficiente quando atinge nota superior a 6. Com base nos resultados individuais é que a pasta avaliou os cursos, dando nota 1 às instituições com até 39,9% de estudantes proficientes; 2 aos cursos que apresentaram entre 40% e 59,9% de alunos proficientes; 3 para aqueles com percentuais entre 60% e 74,9%; 4 com 75% a 89,9% de estudantes proficientes; e 5 ao registrar percentual igual ou superior a 90% de alunos proficientes.




















