propaganda

JUSTIÇA /

Segunda-feira, 11 de Outubro de 2021, 06h:30

A | A | A

Júris populares sobre mortes de mulheres são realizados em Campo Verde

Casos aconteceram em 2019 e 2020 e os acusados tinham relacionamento com as vítimas


Imagem de Capa
Da Redação

Dois importantes julgamentos de crimes cometidos contra mulheres, ocorreram na última semana em Campo Verde. Os crimes aconteceram nos anos de 2019 e 2020. Os autores dos assassinatos de Bruna Francisca da Silva e Sônia Ramos da Silva, foram condenados a 32 e 7 anos respectivamente. Um ficou preso e o outro vai cumprir a pena em regime semiaberto.

O primeiro caso julgado na última terça-feira (05), foi o feminicídio que teve como vítima Bruna Francisca de 23 anos, morta no dia 11 de julho de 2019. O autor do crime, marido da vítima, Paulo André de Oliveira, de 36 anos, a espancou por aproximadamente duas horas, depois de uma discussão em um dos shows da Exposição Agropecuária de Campo Verde (Expoverde).

O corpo de Bruna Francisca da Silva foi encontrado pela mãe dela, nos fundos da residência na entrada de Campo Verde, as margens da MT-344. O rosto estava desfigurado e o corpo apresentava vários ferimentos.

Na época a mãe disse à polícia que ela viu a filha e o marido discutindo durante a madrugada após chegarem de uma festa. Paulo André começou a agredir Bruna fisicamente e a mãe tentou intervir, mas acabou sendo impedida pelo suspeito, que tomou o celular da mão dela e obrigou a sogra a ficar trancada em um dos quartos da residência e depois continuou as agressões que culminaram na morte da jovem.

bruna-vítima 01.jpg

 

Devido as várias qualificantes e também os antecedentes criminais, Paulo acabou pegando a pena máxima de um julgamento realizado na comarca de Campo Verde, ou seja, 32 anos. 

O Promotor de Justiça Arivaldo Guimarães classificou a pena aplicada ao acusado como justa, tendo em vista os antecedentes criminais do autor e a motivação do crime. “Foi o julgamento de um caso que está fora da curva, além do método, o acusado era multirreincidente e o crime foi praticado na presença de ascendentes e descendentes, ainda teve motivação fútil, causando intenso sofrimento a essa vítima antes de ela morrer. Por isso eu acho condizente essa pena ao acusado”, o promotor ainda afirmou que Paulo, que está preso desde que cometeu o feminicídio, deve cumprir pelo menos mais 15 anos de pena em regime fechado.        

A juíza da vara criminal de Campo Verde Dra. Carolina Schneider, que sentenciou Paulo, também falou sobre a pena aplicada. “Muitos homens se acham donos das mulheres, foi isso que aconteceu com esse acusado, em face de toda a crueldade levantada nos autos nós não tínhamos outra opção a não ser condena-lo a essa sentença”. 

 

FEMINICÍDIO DESCARTADO

O outro Júri realizado, ocorreu na quinta-feira (07), e foi referente a morte de Sônia Ramos da Silva, morta em abril de 2020. Carlos Vitoriano é acusado de ter aplicado um mata leão na vítima, sua ex-companheira, e causado sua morte posteriormente, devido ao engasgo sofrido em consequência da lesão.  Neste caso o autor do crime recebeu uma pena considerada até branda, e ainda vai responder ao crime em regime semiaberto.

O promotor de acusação Arivaldo Guimarães explicou o que foi levado em consideração para a aplicação da pena. “Analisando as provas dos autos é possível que a versão do acusado no sentido de que não queria matar a vítima seja verdadeira. Eu como promotor não quero e nem tenho a pretensão de processá-lo além do que ele merece. Entendo que embora a qualificação do crime de lesão corporal seguida de morte tenha uma pena baixa, isso é um problema do Código Penal, eu não posso condená-lo há mais tempo somente para ajeitar uma situação, é a legislação que prevê assim”. 

 

Sônia Ramos.jpeg

 

 

 

O advogado de defesa Renato Carneiro diz acreditar que a justiça foi feita.  “Em um objetivo comum entre acusação e defesa, ele não sairá daqui impune, ele ainda vai cumprir sua pena em regime semiaberto por cinco anos e depois se reintegrará a sociedade”.

A juíza Carolina Schneider, ressaltou que analisando os autos, se fez necessário descartar algumas qualificadoras. “Ficou comprovado que a intenção do réu neste caso não era de matar, mas sim de lesionar a vítima, por isso as qualificações de feminicídio foram descartadas”.

Carlos Vitoriano foi sentenciado a cumprir um pouco mais de sete anos, mas devido à progressão de pena e por não ter antecedentes criminais ele deve responder ao crime no regime semiaberto.

Nesta oportunidade a juíza aproveitou para frisar a imprensa que para que casos como estes julgados na semana passada não sejam tão corriqueiros, como vem sendo em Campo Verde, é necessário que exista um trabalho de base, com as crianças, com os adolescentes, para que quando virarem homens tenham atitudes diferentes em relação às mulheres.

0 Comentário(s)
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!
Edição impressa
imagem
os maiores eventos e coberturas
Você é a favor ou contra a redução de vereadores em Primavera do Leste?
Sim
Não, prefiro a redução do duodécimo
Não tenho opinião formada sobre o assunto