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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2021, 06h:30

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Fieis caminham 35 km a pé em procissão pedindo benção divina para solução de problema político

Em junho de 2021, STF concluiu o julgamento virtual de um pedido judicial e declarou inconstitucionais as leis que alteraram as divisas


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Da Redação

Devotos de Nossa Senhora Aparecida que moram em algumas comunidades rurais de Campo Verde, aproveitaram o feriado para ter um momento de fé e pedir a graça da padroeira do Brasil, em um conflito que ainda não foi resolvido: a decisão de qual região eles realmente pertencem. Na prece de muitos, o desejo de pertencer a Campo Verde. O pedido dos moradores se refere a Lei que corrigiu, na época, a divisão territorial de 36 municípios de Mato Grosso, entre eles, Campo Verde, Primavera do Leste, Chapada dos Guimarães e Santo Antônio do Leverger.

Tradicionalmente, as comunidades da Mata Grande, Serrinha, Ponte Alta, entre outras realizam uma procissão em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, no último dia 12 de outubro não foi diferente, dezenas de fiéis saíram da Praça João Paulo II e caminharam mais de 35 km até chegar as comunidades, atravessando a madrugada por ruas, rodovias, estradas vicinais. Em comum, uma única prece: enfim ser decidido pertencer a Campo Verde.

Entre esses moradores estava o líder comunitário Edmilson Silva, morador da Mata Grande, ele se emocionou ao explicar para a reportagem o motivo de tanta devoção e vontade de fazer parte de Campo Verde. “Só quem já passou pelos anos difíceis que passamos esquecidos pelo poder público sabe como é ficar à margem da sociedade. Antes do município de Campo Verde nos abraçar tudo que havíamos conquistado estava abandonado, com esse pertencimento a Campo Verde nós ganhamos muito, mas infelizmente estamos correndo o risco de perder tudo novamente devido à política, pois a maioria do povo já demonstrou sua vontade”, disse o morador em referência às reuniões com pedidos de plebiscitos realizadas no início do segundo semestre de 2021.

A lei 10.500 foi criada para corrigir algumas falhas, injustiças e adaptações que se referiam principalmente as comunidades que, apesar de estarem inseridas em território de determinada cidade, eram mais próximas e assistidas em sua totalidade por cidades vizinhas.

Esse é o caso da comunidade Santo Antônio, Mata Mata, Córrego do Ouro e de outras na região da Serra de São Vicente, por exemplo, que estavam em território de Santo Antônio do Leverger, mas que sempre foram inseridas e assistidas por Campo Verde.

Assim como as da região conhecida como Ponte Alta, Mata Grande, Serrinha, Rio Branco entre outras que apesar de pertencerem a Chapada dos Guimarães, sempre receberam recursos de Campo Verde.

A Lei corrigiu as injustiças, segundo a própria vontade dos moradores de cada uma dessas comunidades em discussão, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu no início do ano o julgamento virtual de um pedido judicial e declarou inconstitucionais as leis que alteraram as divisas. A ação foi movida pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), que alegou que as leis nº 10.403/2016 e nº 10.500/2017 eram inconstitucionais, uma vez que foram aprovadas sem qualquer consulta prévia às comunidades afetadas. Porém, a população desta região, diz o contrário. 

Na época o Diário acompanhou os movimentos de protestos das comunidades rurais, que ganharam o apoio de políticos locais e estaduais, como deputados e vereadores, mas até agora nada de efetivo foi feito, segundo eles. O jeito encontrado pelos moradores foi pedir a graça divina, já que não veem alternativa para a solução do problema.    

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