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Quinta-feira, 02 de Abril de 2020, 16h:36

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Mudança nos critérios de classificação faz números de casos suspeitos de Covid 19 disparar

Outro fato que chama a atenção está no perfil dos pacientes que apresentam suspeitas


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Jaqueline Hatamoto

Desde o último dia 25 de março, quem acompanha os boletins referentes aos casos de coronavírus percebeu o aumento na quantidade de suspeitos da doença. Em Primavera do Leste, no próprio boletim epidemiológico que informa a situação do município quanto ao enfrentamento ao vírus vem a descrição “Considerando o novo critério de definição de casos estabelecidos pela Secretaria de Estado de Saúde”.

 

A mudança causou confusão entre a população, que começou a questionar se casos suspeitos enquadravam apenas pessoas que passaram por exames ou todos que tiveram sintomas da doença. Para esclarecer essas e outras dúvidas, a equipe de reportagem do Jornal O Diário, entrevistou a coordenadora da vigilância epidemiológica Mônia Maia. Segundo a profissional a mudança se deu devido ao fato de a transmissão ter se tornado comunitária, de pessoa para pessoa.

CONFIRA A ENTREVISTA

 

Jornal O Diário: O que mudou em relação aos critérios de classificação?

Mônia Maia: Antes os critérios eram: ter uma síndrome respiratória, ter viajado para algum lugar e ter um contato com alguém que viajou para outro País. Hoje com a determinação de transmissão comunitária, todo mundo que tem síndrome respiratória mais febre é considerado suspeito. Não conseguimos determinar de onde veio, inclusive casos registrados em Cuiabá e Várzea Grande, já foram classificados como de transmissão comunitária, ou seja, não se sabe de onde veio o foco. Já está transmitindo de pessoa para pessoa inclusive no estado.  No dia 25/3, o estado emitiu uma nova classificação, e por isso tivemos que mudar a forma de apresentar esses dados. Inclusive eu falei nas primeiras entrevistas, que muito provavelmente com a mudança de critérios, uma pessoa que a gente já tenha descartado, poderia passar a compor os casos de suspeitos novamente. Hoje toda pessoa que tem uma síndrome respiratória, ela é classificada como suspeita. A diferença é que alguns são classificados com sintomas leves e outros com sintomas que requeiram atendimentos hospitalar.

 

JD: Porque o boletim emitido pelo estado nunca bate com o do município?

Mônia Maia: Os números do município nunca vão bater com o do estado devido aos horários de fechamento de boletins. Sempre vai ter uma disparidade em relação aos números. Sempre vai ser diferente.

 

JD: Como é feito o monitoramento dos pacientes? Há como proibir um paciente que tenha o sintoma de circular?

Mônia Maia: Sempre que a pessoa liga, nós orientamos sobre o que deve ser feito. Seja procurar uma unidade de saúde ou aguardar o profissional em casa.  Foi fornecido para todas as unidades um termo, onde o paciente assina, onde fala que está consciente e precisa ficar em isolamento, então as unidades ligam para saber a cada 24 horas. Hoje não temos um poder restritivo tão grande, até pelo desencontro de informações, pois cada hierarquia (município, estado e federação) fala uma coisa. Não posso falar para as pessoas: ‘se você não ficar em casa, vou te prender’.  Não temos esse respaldo jurídico. Então hoje pedimos apenas que assine o termo do isolamento.

 

JD: Percebemos que pelo menos no estado, os principais infectados estão fora daquele perfil de risco repassado no início da pandemia. Porque desta mudança?

Mônia Maia: A transmissão vai ocorrer por todas as idades. Dentro dos casos suspeitos em Primavera do Leste, só temos um que é maior de 60, o restante são jovens. Está bem distribuída a faixa etária.  Temos desde criancinha até quase 60. Mas é claro, que os números divulgados agora de confirmações por parte do governo federal, principalmente os óbitos são em sua maioria de pessoas idosas ou de pessoas mais jovens que já tinham alguma comorbidade, pelo menos é o que tem sido passado para gente. Mas não quer dizer que uma pessoa jovem saudável não possa vir a piorar e precisar de um serviço de saúde de média e alta complexidade. As pessoas que transitam mais, estão mais expostas ao vírus. Não tem um perfil especifico de contaminação, o perfil vai ser conforme os testados laboratorialmente.

 

JD: Todos que tiverem sintomas e forem classificados como suspeitos serão testados?

Mônia Maia: Hoje não. O exame é fornecido pelo estado. É coletado aqui e mandado para o Lacen em Cuiabá. Estamos com número limitado de kits e sem garantia de reposição caso a gente utilize eles. De toda forma, tentamos comprar mais kits, e não conseguimos comprar, devido a procura. E ainda que a gente compre não há garantia, que se eu coletar de todos o Lacen tem condições técnicas de processar todas as amostras coletadas. Então na própria nota do estado, já veio a orientação para não coletar amostras de casos leves. Somente de casos hospitalizados e que tem característica bem próxima do vírus. Então para esses que vamos dedicar os testes. O ideal é que todas as pessoas suspeitas fossem testadas. Apresentou o sintoma respiratório deveríamos testar, mas infelizmente essa não é nossa realidade e nem do pais.

 

JD: Quantas pessoas fizeram exames em Primavera do Leste?

Mônia Maia: Destes 33 casos suspeitos (até 30/03/20), fizemos teste de sete, destes três foram descartados e quatro aguardam o resultado do laboratório. Os resultados que temos, são dos primeiros coletados. E estão todos descartados, temos quatro em analise, alguns já até passaram os 14 dias de isolamento.  Por isso sempre dizemos para não depositar a esperança na testagem, ela é muito importante, mas tem gente que pensa, se eu não vou fazer teste não vou ficar isolado. Mas hoje para nós é muito mais importante ficar em isolamento.

 

JD: Por que o resultado demora tanto?

Mônia Maia: As pessoas precisam saber, que não temos (município) governabilidade nenhuma sobre os processamentos das amostras, nós estamos tão ansiosos como toda a sociedade e os pacientes, em receber essas respostas, positivas ou negativas, mas não há o que possamos fazer e dependemos da capacidade do Lacen de processar as amostras e passar o resultado para nós.

 

JD: O que fazer quando sentir os sintomas?

Mônia Maia: Que entre em contato com os números disponibilizados e siga a orientações. O certo seria que todos fossem testados, mas não temos teste para todos. Então nossa orientação é que as pessoas com sintomas respiratórios, elas fiquem em casa por 14 dias desde o início dos sintomas. Porque 14 dias? Se o tempo de incubação e transmissão chega em torno de 12 das, 14 dias é o período de segurança. Se for ou senão for, ela está protegida. Se ela está com sistema respiratório ruim, significa que a imunidade não está na melhor fase. Para nós hoje, não existe medida mais eficaz que o isolamento social.

 

JD: Muitas pessoas precisam sair de casa para trabalhar, qual é a orientação?

Mônia Maia: Se houver realmente necessidade e ainda que saiam para rua, é se atentar ao distanciamento.

Uma coisa é o isolamento, estamos pedimos para que não saia, aí é o isolamento.  Se sair que faça esse distanciamento, que não fique perto das pessoas. Tem gente que está saindo de máscara, e está abraçando uns aos outros, não vai adiantar. Se houver a necessidade de sair que se faça o distanciamento, dê este espaço e pelo menos dois metros de uma pessoa e outra.

 

Mudança! Regulação única para casos de Coronavírus é discutido

O Governo do Estado e os Poderes constituídos se reuniram nesta segunda-feira (30), a pedido do governador Mauro Mendes, para alinhar ações de combate ao Coronavírus.

No encontro, ficou definido que todos os casos relativos ao Covid-19 no Estado passarão por uma central única de regulação, de modo a otimizar e dar mais eficiência ao atendimento.

“O que estamos propondo é que toda essa rede de leitos que está sendo viabilizada passe por uma única central. E contamos com a ajuda de todos os Poderes, do TCE, dos Ministérios Públicos para que possamos fiscalizar e proporcionar o atendimento adequado para toda a população, sem qualquer privilégio ou desperdício. Temos que ter essa rede muito bem montada”, afirmou o governador.

O presidente da Assembleia considera que a centralização dessas demandas vai dar eficiência para o atendimento e otimizar os recursos.

Segundo ele, a medida evita que um paciente do interior seja trazido para a Capital quando, muitas vezes, há um leito disponível em uma região mais próximo.

“Essa foi a melhor proposta trazida até agora. Senão acaba que os municípios fazem cada um do seu jeito e nem sempre isso traz o melhor resultado”, opinou Botelho.

O presidente do TCE afirmou que irá contribuir com o envio de equipes in loco para verificar não só a disponibilidade de leitos, mas de equipamentos e profissionais para o atendimento.

“Porque muitas vezes há o leito, mas falta o enfermeiro, o médico. Ou falta o respirador ou outro equipamento. Nessa guerra, precisamos de todos os soldados”, enfatizou Guilherme Maluf.

Para agilizar os trabalhos, a Secretaria de Estado de Saúde irá levantar todos os dados sobre os leitos disponíveis nos hospitais estaduais, bem como os que estão sendo viabilizados e a estimativa do que é necessário para atender os pacientes da covid-19.

Participaram da reunião os presidentes do Tribunal de Justiça, desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha; do Tribunal de Contas, conselheiro Guilherme Maluf; da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho; os deputados Dilmar Dal Bosco e Max Russi; os secretários Gilberto Figueiredo (Saúde), Mauro Carvalho (Casa Civil), Rogério Gallo (Fazenda), Alberto Machado (Gabinete de Governo); o procurador-geral do Estado, Francisco Lopes; e o médico infectologista Dr. Abdon Karhawi.

Também participaram do encontro, por meio de videoconferência, o procurador-geral do Estado, José Antônio Borges; o promotor de Justiça Alexandre Guedes; os procuradores federais Denise Muller e Gustavo Nogami; e os procuradores do Trabalho Rafael Mondego e Tathiane Nascimento.

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