EFEITO PANDEMIA /

Quarta-feira, 01 de Julho de 2020, 06h:30

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Medicamentos para tratamento da Covid-19 começam a faltar nas farmácias

Prefeituras encontram dificuldades para conseguir os medicamentos para os pacientes


Imagem de Capa
Wellington Camuci

A cura da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, ainda é incerta, porém, vários medicamentos entraram na lista de remédios com resultados positivos na luta contra a doença, como a ivermectina, a azitromicina, cloroquina e hidroxicloroquina.

Com a divulgação da lista, muitas pessoas correram até as farmácias em busca do remédio. O resultado foi o desabastecimento destes remédios e a elevação no preço do medicamento. Em alguns casos, o aumento passou dos 60%. Mesmo com preço altíssimo, é difícil encontrar nas farmácias e drogarias.

Só que não é só nas farmácias que a falta destes remédios foi sentida, a rede pública também enfrenta dificuldades para conseguir. As prefeituras de vários municípios, como é o caso de Primavera do Leste, passou a adotar como protocolo a utilização destes medicamentos no tratamento de síndromes gripais, desde que receitada por um médico.

Mesmo com a distribuição dos medicamentos pela prefeitura, não está fácil conseguir o remédio. Várias pessoas foram até as redes sociais para reclamar que não conseguem comprar o remédio e que também não conseguem na farmácia municipal. A prefeitura informou que existe a dificuldade de encontrar os medicamentos para compra.

Um leitor procurou a redação do O Diário, para questionar sobre a falta do medicamento na farmácia municipal, já que os medicamentos que foram receitados fazem parte da lista de remédios distribuídos pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), para o tratamento.

A prefeitura informou por meio de nota que as medicações podem faltar nas farmácias devido à grande procura e a dificuldade para comprar. “As medicações disponíveis para o tratamento da COVID-19 são passíveis de faltar nos estoques das farmácias municipais devido à grande procura e a dificuldade de aquisição desses fármacos não só pelo município, mas também nas redes privadas e cidades de todo o Brasil”, informou.

Em relação a um medicamento específico, a azitromicina, por meio de nota a prefeitura ressalta que no domingo (28), uma remessa do medicamento chegou no município, mas o mesmo acabou no dia seguinte. Uma nova remessa chegou ontem (30), e deve começar a ser distribuída hoje (01).

Ainda de acordo com a nota, a Farmácia Municipal Central, até segunda-feira (29), tinha estoque de hidroxicloroquina e loratadina. “Caso o paciente não encontre algum desses medicamentos na unidade mais próxima de sua casa, recomendamos que procure as outras farmácias municipais: Primavera III - das 7h às 11h; São José - das 13h às 17h; Luciana - das 7h às 11h e das 13h às 17h; e Farmácia Central - das 7h às 11h e das 13h às 17h. Aos sábados e domingos a Farmácia Municipal do Centro também está aberta das 7h às 12h para a distribuição dessas medicações”, diz a nota.

Segundo a prefeitura, os medicamentos para tratamento da Covid-19 estão sendo distribuídos, inclusive, para pacientes da rede particular, devido a falta do medicamento nas farmácias. “Devido à falta desses medicamentos na rede privada da cidade e, considerando a importância deles para o tratamento inicial do coronavírus, o Poder Público está distribuindo esses remédios também para pacientes que apresentam receitas de clínicas ou hospitais particulares”, finaliza.

A falta de medicamento para tratamento da Covid-19 é geral no estado. O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed) afirmou que pacientes com casos leves de Covid-19 não estão encontrando a medicação nas farmácias para tratar a doença.

O Sindimed recebeu denúncias de médicos relatando que os pacientes estão voltando aos consultórios se queixando de que não encontraram os remédios após o movimento de automedicação por profilaxia de parte da população, gerando uma corrida às farmácias em busca, principalmente, da Hidroxicloroquina e da Ivermectina.

UTI PODE FICAR SEM MEDICAMENTOS

A falta de medicamentos não é exclusiva para tratamento sintomático da doença, o desabastecimento está afetando o funcionamento de hospitais, leitos de UTI estão ficando sem medicações importantes, como é o caso de sedativos que são utilizados na intubação.

Um levantamento do Conselho Nacional de Secretários de Saúde concluiu que faltam medicamentos para pacientes internados nas UTIs de 21 estados e no Distrito Federal. Isso significa a perda de vidas que poderiam ser salvas.

O levantamento foi em hospitais que são referência para tratamento da Covid-19 com leitos de UTI e revela: 22 medicamentos estão em falta. São sedativos, anestésicos e bloqueadores neuromusculares usados nos pacientes que precisam ser intubados. Pelo menos um deles já acabou em 21 estados e no Distrito Federal.

A situação mais crítica é em Mato Grosso: da lista dos 22 medicamentos, 13 estão em falta no estado, 12 estão em falta no Ceará e no Maranhão; 11 no Amapá e no Tocantins; dez no Rio Grande do Norte e em São Paulo.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde disse que o consumo aumentou muito. Há casos em que o consumo de um mês está sendo igual ao consumo de 2019 inteiro, e alerta para o risco de colapso.

Campo Verde, por exemplo, está concluindo a instalação de 10 leitos de UTI exclusivos para tratamento de pacientes com Covid-19, seis leitos já estão prontos, porém, para funcionar, são necessários medicamentos que não estão sendo encontrados.

De acordo com Fábio Schroeter, prefeito de Campo Verde, a falta destes insumos atingiu todo o país. “Não é problema de dinheiro, é problema que as indústrias não estão dando conta de repor para os hospitais”, disse o prefeito.

Essa situação, de acordo com o prefeito, poderá levar o município a adiar o funcionamento da UTI, que estava previsto para o próximo dia 6 e que contará com dez leitos. Seis deles já estão instalados. “Assim que a gente conseguir a medicação nós vamos dar início ao atendimento”, garantiu.

FALANDO NISSO

GOVERNO ANUNCIA COMPRA DE REMÉDIOS PARA SEDAR PACIENTES NA INTUBAÇÃO

A falta de medicamentos para intubação de pacientes com Covid-19 levou o Ministério da Saúde a anunciar, na segunda-feira (29), a criação de uma força-tarefa para melhorar o fornecimento dos remédios.

A pasta definiu que irá trabalhar em três frentes: importação de medicamento via Opas (Organização Pan-Americana de Saúde); abertura de processo de pregão por meio do SRP (Sistema de Registro de Preços); e por meio de requisição administrativa.

Das 27 unidades da Federação, 10 já receberam 185 mil medicamentos por meio da terceira modalidade, a requisição administrativa. São eles Amazonas, Pará, Goiás, Rio Grande do Norte, São Paulo, Pernambuco, Amapá, Bahia, Ceará e Mato Grosso.

Segundo a pasta, a requisição administrativa é um dos processos de compra pelo qual o material é recebido do fornecedor e, posteriormente, é feito o reconhecimento da dívida.

A falta desses medicamentos está sendo relatada desde o início do mês por entidades como o Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde). Os medicamentos são usados no processo de sedação para a intubação.

Segundo Élcio Franco, secretário-executivo do Ministério da Saúde, pacientes com complicações decorrentes do novo coronavírus estão sendo afetados e a maior demanda por causa da doença tem causado o desabastecimento.

“O que nós identificamos é que houve um desajuste no mercado, identificamos que os estados estavam com dificuldade na negociação por terem ficado mais caros e pelo aumento da procura. Com os três fatores, vamos solucionar o problema”, disse Franco.

 

 

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