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EDITORIAL /

Segunda-feira, 26 de Outubro de 2020, 06h:30

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Voto tem consequência

Político não tem medo da Justiça, nem dos processos, eles têm medo mesmo é de eleitor consciente e participativo


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Da Redação

Vamos reunir agora uma série de argumentos para incentivar o voto consciente. Sabemos que muitos candidatos por todo o país não usam da honestidade para vencer uma eleição, mas o povo cansado da corrupção precisa ser o primeiro a dar o exemplo. Um político só é corrupto porque nós permitimos.

 

“Não existe governo corrupto em uma nação ética. Não existe nação corrupta com governo transparente e democrático. Sempre entre governo e nação há um jogo. Em nações onde o trânsito funciona, em nações onde se paga os impostos mais corretamente, em geral nestas nações o governo é mais transparente. A corrupção é um mal social coletivo e não apenas do governo. É o governo que está em jogo ou um comportamento social?” (Leandro Karnal)

Agora vamos fazer alguns cálculos: Digamos que você venda seu voto por R$ 500. Você ficou feliz. Divida esse valor em 48 meses (4 anos) que vai da R$ 10,41 por mês. Ao dia seu voto vai custar R$ 0,35 centavos. Ou seja, por esse valor você fica sem saúde, sem educação, sem emprego, sem saneamento básico, sem moral. E não pode reclamar porque sua consciência teve um preço. Pagaram a você e com seu consentimento tiram direitos de uma cidade inteira.

“A operação Lava Jato pode ajudar a consertar os crimes de alguns corruptos, mas não vai colocar o Brasil nos rumos de um futuro sem corrupção. Um juiz pode prender um político corrupto, mas não elege um político honesto: esta tarefa é do eleitor” (Cristovam Buarque)

 

Em 2012 o Ministério Público Federal lançou a campanha Voto não tem preço, voto tem consequência. E a partir daí uma série de coisas aconteceram até a reivindicação com apoio popular das 10 medidas contra a corrupção. Precisamos aprender que cada ação tem uma reação. O candidato sabe que é ilegal comprar voto e oferece favorecimentos, promessas ou valores, e se ele sabe que não é legal quem garante que ele não vá, depois de eleito agir da mesma forma ou pior?

Há considerável consenso de que o país atravessa uma profunda crise de representação política. Independentemente de cores partidárias, em geral o povo está descrente com a classe política e não confia que seus interesses serão defendidos por esse ou aquele candidato.

Acompanhamos atônitos a marcha desse sério e progressivo processo de erosão das bases do modelo representativo, permeado por recorrentes escândalos de corrupção que deságuam em uma generalizada demonização da política e dos políticos em geral, colocando em xeque a própria crença na democracia.

Inegavelmente, muitas são as causas dessa lamentável realidade, mas normalmente tendemos a depositar integralmente a culpa no sistema eleitoral brasileiro e nos próprios políticos. Mas de onde vêm os políticos? Como são alçados à condição de representantes do povo? Eles não vêm de Marte ou de qualquer galáxia distante. São, sim, pessoas eleitas a partir do nosso voto.

O processo de maturidade social e política das três décadas de abertura democrática impõe a reflexão sobre nossa parcela de responsabilidade enquanto eleitores. A cidadania não traz só direitos. Somos condôminos e, portanto, corresponsáveis pelas nossas escolhas coletivas. Em síntese: voto não tem preço, voto tem consequência!

Mais do que o fomento à ampliação do debate da agenda política pela população em geral, todos somos conclamados a assumirmos uma posição reflexiva e ativa em torno do pleito eleitoral. Não se trata aqui de unicamente condenarmos a compra e venda de votos ou troca de favores. É necessário reconhecermos nossa responsabilidade na escolha dos nossos representantes. A apatia política e a demonização cega aos políticos resultarão na continuidade desse deletério estado de coisas.

A participação no debate político, a busca por informações sobre os candidatos, suas ideias e os interesses que dizem defender, são tarefas inafastáveis ao eleitor responsável e ciente dos seus deveres de cidadão. Uma sociedade justa e igualitária se faz com políticos sérios e comprometidos com os interesses coletivos. Mas a escolha de políticos imbuídos desses ideais é também responsabilidade dos eleitores.

Muitos afirmam que os candidatos não prestam, mas eles somente se tornarão eleitos se nós permitirmos. Nada adianta depois passar quatro anos reclamando que falta isso ou aquilo se hoje não fazemos todos a nossa parte. O voto de cada um de nós tem o mesmo valor, mas muitos votos conscientes juntos têm mais peso.

A eleição não acaba no dia 15 de novembro. O processo continua. Pois, precisamos contar um segredo ao leitor: político não tem medo da Justiça, nem dos processos, eles têm medo mesmo é de eleitor consciente e participativo, que cobra resultado e fiscaliza a sua conduta.

Político não é autoridade. É um servidor pago com o seu dinheiro faça-o trabalhar e justificar o que recebe.

Independente do lado e dos eleitos quem deve vencer é a sociedade não um partido, uma ideologia ou um figurão qualquer.

 

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