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ENTREVISTA /

Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2022, 06h:30

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Síndromes Gripais: Quais as principais diferenças entre os vírus e os principais sintomas?

Entre dezembro e janeiro, surto de gripe foi registrado em Primavera do Leste


Imagem de Capa
Wellington Camuci

Gripe, H1N1, H3N2, Covid-19. São diversos os vírus classificados como Síndromes Gripais que tem atingido a população. Em Primavera do Leste, mesmo que não tenha confirmado nenhum caso de H3N2, a nova variante da Influenza, um surto de gripe está sendo registrado na cidade e lotando as unidades de saúde.

Em dezembro, em um único dia, mais de 500 pessoas chegaram a ser atendidas na Unidade de Pronto Atendimento – UPA, a grande maioria dos atendimentos era de Síndrome Gripal. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, ainda não houve confirmação de nenhum caso de H3N2, nem da infecção por influenza e Covid ao mesmo tempo, como vem acontecendo em outras cidades.

Um dos motivos para não ter caso confirmado é a falta de exame para detecção dessa linhagem do vírus. Todas as unidades de saúde realizam a testagem PCR e nenhum caso foi confirmado, já os laboratórios particulares fazem o teste para detecção da Covid-19 e da Influenza, porém o exame não distingue qual a linhagem do vírus, apenas confirma ser Influenza.

Para entender um pouco mais sobre o surto e as principais causas e diferenças entre os vírus, entrevistamos o infectologista Luciano Correia para explicar sobre as principais dúvidas.

 

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Luciano Correia - médico infectologista:

O Diário: Fale um pouco sobre esse vírus H3N2. Quais as principais diferenças desse vírus para os que a gente já conhece como o H1N1 e a Influenza?

Luciano Correia - médico infectologista: Os vírus da Influenza eles sempre circularam na população, nós temos as chamadas linhagens, a Influenza A e a Influenza B. Na Influenza A tem a linhagem da H1N1 e H3N2. O H1N1 ela é mais violenta, mais agressiva, os casos de pneumonia são mais relacionados a essa linhagem. O H3N2 possui umas variedades, por isso que tanto o H1N1 quanto o H3N2 que tem uma manifestação clínica mais leve, eles possuem umas variantes e todo ano tem essa variante nova, por isso, anualmente é preciso fazer a vacinação. Essas variantes elas surgem lá no hemisfério norte, eles fazem um estudo de qual variante predominou e preparam a vacina para o ano seguinte. Acontece que essa linhagem Darwin que está hoje do H3N2, lá no hemisfério norte no ano passado não predominou, então essa vacina nova da Influenza ela não tem essa linhagem, a H3N2 Darwin, porém a vacina do Sistema Único de Saúde cobre o H3N2, só não especificamente esta linhagem.

O que acontece é que no Brasil houve uma corrida em larga escala para vacinar contra a Covid-19 e a grande maioria da população, inclusive na nossa localidade, teve uma baixa cobertura vacinal contra a Influenza e isso acontece todo ano, a população não gosta de tomar a vacina. Então surgiu um surto novo do H3N2 da qual a grande maioria da população não está imunizada e o vírus Influenza, assim como a Covid-19, passa muito fácil porque é de transmissão respiratória. Então, com o avanço da vacinação da Covid-19 e a queda o número de mortalidade e internação, além de não ter vacinado contra a Influenza, as pessoas relaxaram nas precauções, no uso da máscara, na lavagem das mãos, que são princípios básicos e essenciais para o controle das duas doenças.

 O Diário: Quais os principais motivos desse surto de H3N2 no Brasil?

Luciano Correia - médico infectologista: São uma série de circunstâncias que favoreceram esse surto de H3N2 no Brasil. Primeiro, a vacina da Influenza não tinha essa linhagem Darwin. Segundo, baixa taxa de vacinação da população para Influenza. Terceiro, baixa adesão as medidas de precaução que são hoje universais, que é o uso da máscara, porque protege tanto da Covid-19 quanto da Influenza. Então a gente já passa a conviver com os dois vírus ao mesmo tempo. Acontece que com a Influenza você tem um pico, todo mundo se infecta, mas depois ele abaixa porque a população vai adquirindo imunidade, então logo vai baixar o número de casos. O que a gente pode dizer é que em questão de gravidade, essa infecção pelo H3N2 ela tem uma gravidade menor que o H1N1, exceto em grupo de risco que são os mesmos da Covid, por isso que de vez em quando ainda vai internar um paciente na UTI com gravidade da Influenza.

O Diário: Quais os principais sintomas da H3N2?

Luciano Correia - médico infectologista: A sintomatologia da gripe é febre, coriza e dor nas juntas. Uma coisa é você ter a sintomatologia da virose a outra coisa é você evoluir com sinais de gravidade que é a pneumonia. A gente tem que analisar outros sinais de alerta que é a falta de ar e a oxigenação do dedo que hoje todo mundo sabe do conceito do oximetro de pulso, aquele que tem baixa oxigenação provavelmente já estão evoluindo para uma pneumonia, que é uma complicação da gripe. Esses sintomas de dor nas juntas, febre, dor no corpo, deve ser tratado o sintoma, a população deve ficar em casa inclusive para não transmitir mais o vírus. Agora tem que ficar atento para aqueles que vão complicar, criança, idoso, pacientes que tem imunidade baixa e se tiver com falta de ar, fôlego curto e baixa oxigenação do dedo, deve procurar o serviço de saúde para ser avaliado por exame de imagem.

O Diário: Então qual a principal diferença nos sintomas desses vírus?

Luciano Correia - médico infectologista: Os sintomas são muito semelhantes, na grande maioria dos pacientes infectados tanto pela Covid-19, agora com essa nova variante chamada Ômicron, os sintomas são leves, febre e mal-estar geral, mas o que de fato a gente deve ficar acompanhando são sinais de gravidade que no caso seria a pneumonia que pode acontecer tanto na Covid-19 quanto na gripe. Então pacientes com respiração curta, baixa oxigenação e tosse persistente, esses pacientes devem vir para o hospital. Se a gente for analisar em termo de sintomatologia clínica, às vezes se confundem até, inclusive, agora a gente pode ter a coinfecção tanto da Covid quanto da Influenza que é a Flurona, por isso que temos que reforçar a vacina, lembrando que o fato de o indivíduo estar vacinado não significa que ele está livre de adquirir o vírus, a vacinação nos protege no sentido de diminuir gravidade. A gente observa que no Brasil, mesmo com todo o barulho feito contra a vacinação, a partir do momento que ela avançou e aumentou o nível populacional vacinado, a doença controlou, a gente não tem mais aquele sinal de gravidade como tinha. Então a vacina visa isso aí, diminuir complicações da doença, por isso, neste momento, não devemos baixar nossa guarda em relação as precauções.

O Diário: Qual a principal recomendação para evitar contágio pelo vírus?

Luciano Correia - médico infectologista: O que eu recomendo, lavagem das mãos, uso continuo de máscara, vacinação da população, inclusive das crianças com relação a Covid, porque você diminui o risco de transmissibilidade e também de gravidade e vacinação de toda a população com relação a Influenza. Hoje a vacina da Influenza está no sistema Único de Saúde, nos postos de saúde. A partir de março, quando soltarem a campanha 2022 da vacinação, todos devem ir até a unidade de saúde se vacinar.

 

 

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