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Segunda-feira, 24 de Maio de 2021, 10h:11

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Devido a risco de queimadas, período proibitivo é antecipado

Projeto de Lei que visa garantir a agilidade e facilidade no combate a incêndios, com a utilização de aeronaves agrícolas.


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Wellington Camuci
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Na semana passada, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), lançou a Campanha de Prevenção e Combate a Incêndios em Área Rural 2021. A campanha lançada em Primavera do Leste, consiste em ações de publicidade e comunicação, que prevê vídeos, cartilhas, folders, publicações em redes sociais e ações voltadas à sociedade e ao produtor rural.

A campanha vem no momento em que o governo de Mato Grosso decretou emergência ambiental entre os meses de maio e novembro, adiantando também o período proibitivo de queimadas na zona rural em todo o estado. Através do decreto nº 938/2021, publicado no Diário Oficial do estado na última quarta-feira (19), fica proibida qualquer atividade de limpeza de pastagem com o uso do fogo nas áreas rurais entre os dias 1º de julho a 30 de outubro de 2021.

Além da campanha, a Aprosoja apresentou ao Executivo um Projeto de Lei que visa garantir a agilidade e facilidade no combate a incêndios, com a utilização de aeronaves agrícolas. A apresentação foi realizada na sede da prefeitura municipal e contou com as presenças do presidente da Aprosoja, Fernando Cadore, prefeito de Primavera do Leste, Leonardo Bortolin, representantes do Sindicato Rural, vereadores, Corpo de Bombeiros Militar, secretários municipais, Associação Comercial e Empresarial e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

Mato Grosso tem a maior frota de aeronaves do do país, são 550 aviões, segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Primavera do Leste concentra a maior frota de aviões agrícolas do Estado, por isso o projeto piloto deve ser iniciado no município. Conforme prevê a propositura, indicada pela entidade, as aeronaves irão realizar o combate e minimizar o fogo para ações das equipes terrestres.

O intuito é que aeronaves agrícolas fiquem a disposição para auxiliar no combate de incêndio, facilitando a chegada das brigadas por terra. “Um combate aéreo no princípio do incêndio ajuda muito e sabemos da importância dessa iniciativa. As queimadas não prejudicam só o produtor, e sim toda a sociedade, especialmente à saúde das nossas crianças e idosos que lotam as UPA’s, postos de saúde e hospitais nesta época do ano”, pontuou Fernando Cadore.

Representando os produtores rurais, presidente do sindicato, Marcos Bravin, lembrou que os agricultores já realizam um alto investimento no combate às chamas durante a colheita do milho, mas necessita de mais parceiros. “Todo produtor tem um caminhão pipa na fazenda e uma equipe, com custo muito alto para combater o incêndio desde o início. Mesmo com todo aparato e preparação é dificultoso, por isso esse projeto vem ao encontro com nosso anseio”, pontuou.

O prefeito municipal enfatizou apoio a iniciativa da Aprosoja. “Nós apoiamos o projeto, vamos construir juntos essa seara técnica e iniciarmos com a Câmara Municipal. A campanha publicitária está excelente e agora precisamos agir e criar esse modelo de negócio que dê certo, com relação às aeronaves agrícolas”, afirmou Leonardo Bortolin.

Capitão BM Allan Victor, elogiou a iniciativa e disponibilizou o Corpo de Bombeiros Militar também para formação de brigadas. “Nos propomos também a fazer o treinamento da brigada rural, mas também é preciso conscientizar a população urbana, que é a que mais demanda as chamadas para apagar incêndios”, frisou.

INCÊNDIOS FLORESTAIS EM PRIMAVERA DO LESTE

Entre julho e agosto de 2020, Primavera do Leste já havia registrado 53 ocorrências de incêndios florestais. Em setembro, o alto número de ocorrências fez com que fosse necessário o Corpo de Bombeiros montar equipes extras para conseguir atender todos os chamados, convocando oficiais de folga.

Com baixo efetivo e apenas um caminhão de combate a incêndio e um caminhão pipa cedido pela prefeitura, o Corpo de Bombeiros conta sempre com ajuda de produtores rurais que acabam cedendo maquinários para ajudar no controle das chamas. Sem essa ajuda, muitas áreas acabariam se queimando por completo, tendo em vista que em muitos casos os bombeiros sequer conseguem chegar a origem do fogo.

Em 2021, a estiagem chegou antes do previsto e isso tem preocupado a instituição e o governo. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inpe), Mato Grosso já é o estado com maior número de focos de calor no país, 2.661 até agora. Na região sul do estado, a estiagem já dura mais de 50 dias, o que favorece as queimadas.

No ano passado, esse foi um dos fatores do aumento dos incêndios que devastaram as terras indígenas e causaram uma tragédia ambiental no Pantanal, com 4,5 milhões de hectares destruídos pelas chamas, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O capitão BM Allan Victor explicou que além dos grandes incêndios florestais, Primavera do Leste sofre com as queimadas urbanas, que são a maioria das ocorrências atendidas pela corporação e a população precisa ser conscientizada. “A maioria dos incêndios aqui ano passado foram nos terrenos urbanos. É extremamente necessário que a população urbana tenha consciência. Em março eu já comecei a apagar fogo em terrenos na cidade e esse ano vai ter um problema maior por causa das chuvas, ano passado começou muito mais tarde e parou muito mais cedo”.

AÇÕES DO ESTADO

O governo estadual está investindo R$ 73 milhões na prevenção e combate aos incêndios e desmatamento ilegais. Além disso, foi publicado um decreto de emergência que irá possibilitar a contratação emergencial e imediata de 100 brigadistas temporários para auxiliar as forças de Segurança no combate aos incêndios florestais. As ações são coordenadas pelo Comitê Estadual de Gestão do Fogo (CEGF).

“Iniciamos o planejamento das ações ainda no ano passado, intensificamos as medias preventivas e de capacitação no primeiro trimestre de 2021, e agora as demais ações preparatórias para o período proibitivo serão reforçadas com a integração das agências e toda a sociedade para o enfrentamento do período de seca mais intenso no estado”, afirma a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti.

Conforme a gestora, o Estado conta com a sociedade para respeitar o período proibitivo e evitar os incêndios, e continuará fiscalizando e agindo dentro da política de tolerância zero com os ilícitos ambientais.

Após a fase de preparação e capacitação para enfrentamento, o Estado entra na fase de alerta para o combate ao fogo, e seguindo o Plano de Ação e Combate ao Desmatamento Ilegal e Incêndios Florestais, aprovado pelo Comitê Estratégico para o Combate do Desmatamento Ilegal, Exploração Florestal Ilegal e Aos Incêndios Florestais (CEDIF-MT).

O Governo leva em consideração o monitoramento do Estado, que aponta o aumento de focos de calor a partir do mês de maio, com baixa quantidade de chuvas, e baixo nível de umidade relativa do ar - o que aumenta o risco de propagação de incêndios. Nos últimos anos, Mato Grosso tem figurado entre os primeiros estados em área atingida por incêndios no período de estiagem, e no ano passado, foi fortemente atingido pelo fogo na zona rural, principalmente no Pantanal mato-grossense.

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