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NOVA GREVE /

Segunda-feira, 25 de Outubro de 2021, 06h:30

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Caminhoneiros ameaçam paralisar atividades na próxima semana

A motivação da paralisação seria os sucessivos aumentos no preço dos combustíveis, a "defesa da constitucionalidade do Piso Mínimo de Frete", entre outras


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Jaqueline Hatamoto

A Frente Parlamentar Mista dos Caminhoneiros Autônomos e Celetistas notificou na semana passada, o governo federal e autoridades parlamentares sobre mais uma paralisação dos caminhoneiros, prevista para 1º de novembro. Segundo o documento encaminhado ao governo, a categoria já está em estado de greve, desde o último sábado (16).  Em Primavera do Leste, não há, até o fechamento desta edição, nenhuma movimentação por parte da categoria.

De acordo com o documento enviado, a motivação da paralisação seria os sucessivos aumentos no preço dos combustíveis, a “defesa da constitucionalidade do Piso Mínimo de Frete” e o retorno da aposentadoria especial após 25 anos de contribuição ao INSS.

Transportadores rodoviários prometem interromper suas atividades caso as reivindicações da categoria não sejam atendidas pelo governo. No documento enviado ao governo, a frente relatou que a deliberação da greve decorreu diante do “inconformismo” dos caminhoneiros com os sucessivos aumentos de preço dos combustíveis e derivados básicos de petróleo, entre outras pautas.

A bancada também criticou a política de preços da Petrobras para combustíveis, alegando que é baseada em critérios “antieconômicos”.

“É de conhecimento público que a Petrobras tem praticado medidas com critérios antieconômicos sobre o preço dos combustíveis, derivados de petróleo e gás natural, elevando periodicamente o preço do diesel, da gasolina e do gás, sem nenhum critério econômico nacional”, alegou.

Por fim, a frente reiterou que se dispõe a auxiliar na interlocução entre as lideranças do Executivo, Legislativo e da categoria para que sejam encontradas “soluções com brevidade, antes que se confirme o trauma da paralisação anunciada”.

Os ofícios, enviados na semana passada foram endereçados ao presidente Jair Bolsonaro, ao ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira Filho, ao ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, ao ministro da Economia, Paulo Guedes, ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, ao presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco, ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado Arthur Lira, e ao presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna.

 

APOIO: PRIMAVERA DO LESTE E REGIÃO SEGUE SEM MOVIMENTAÇÕES

Apesar de o governo já ter sido comunicado, e alguns representantes terem dito que a categoria já está em estado de greve, algumas entidades, como a Associação Brasileira de Caminhoneiros – Abcam, dizem que não apoiam a paralisação.

Em setembro deste ano, as rodovias que cortam Primavera do Leste foram fechadas, por manifestantes, a cidade foi a última a liberar o tráfego. Porém, para essa manifestação programada para novembro, não há até o momento nenhuma movimentação.

Nossa equipe de reportagem conversou com Ademilson José de Biazi, presidente da Cooperativa dos Transportadores Autônomos de Primavera do Leste – Cetap, que afirmou que não há nenhuma movimentação por parte dos caminhoneiros que compõem a cooperativa. “A respeito do movimento de paralisação, realmente tem comentários, mas a cooperativa não vai se envolver. Não vamos apoiar e nem impedir, cada um é livre para fazer o que quiser, mas a categoria que eu represento, que são os autônomos, não vamos fazer movimentação, paralisação, com pouco resultado”, frisou.

Na opinião do presidente, o movimento teria que envolver mais segmentos, não só a questão dos combustíveis e transportes. “Hoje para resolver baixando o diesel, ele teria que cair 50%, isso não vai acontecer, não resolve só diesel. Hoje, tudo que envolve a manutenção e tudo que vai comprar para caminhão, dobrou de preço, senão dobrou teve um aumento maior. Hoje o transporte está tão inviável que a maioria dos caminheiros está colocando os caminhões a venda”, explicou Biazi.

Em 2018, houve uma grande manifestação onde os caminhoneiros de todo o Brasil pararam, em pautas, as mesmas reinvindicações atuais. O presidente da cooperativa ressalta que apenas uma promessa feita na época foi cumprida. “Na paralisação de 2018, a única vantagem que recebemos, foi a suspensão de cobrança de eixo suspenso, o que era óbvio, pois, na minha opinião cobrar pelo eixo suspenso, é a mesma coisa de cobrar pelo estepe no porta malas, o pneu não está causando nenhum atrito. O restante foi só canseira mesmo”, ressaltou.

Sobre o apoio da sociedade quanto aos movimentos promovidos pela categoria, Biazi, diz entender quem não apoia as manifestações. “Eu entendo, pois causa um impacto na cidade. Muitos apoiam, e muitos não apoiam, pois se sentem prejudicados. Uma greve de caminhoneiros atinge muita gente. Mas entendemos a opinião de cada um”, finalizou.

 

O QUE DIZ O GOVERNO

O governo federal vê a mobilização como ameaças feitas antes - e que mais uma vez não devem ser cumpridas. Desde 2018 já foram 16 tentativas de paralisação malsucedidas, sendo quatro delas neste ano. A reportagem apurou ainda que a mudança do preço dos combustíveis, a partir de uma “canetada”, também não é uma possibilidade. Oficialmente, porém, o governo não comentou o assunto.

 

AUXÍLIO AOS CAMINHONEIROS

Em live transmitida na quinta-feira (28), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que uma nova alta dos combustíveis está por vir, e falou sobre um auxílio de R$ 400 para os caminhoneiros.  Ao todo 750 mil caminhoneiros serão beneficiados.

De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o menor preço médio do litro do diesel é R$ 4,823 (Rio Grande do Sul) e o maior, R$ 6,208 (Acre), já em Mato Grosso o valor varia entre R$ 5,26 (na capital) e R$ 5,55 (região de Sorriso). Com isso, um caminhoneiro que encher um tanque de 400 litros, por exemplo, no Rio Grande do Sul pagará em média R$ 1.929,20 e no Acre, R$ 2.483,20. Já em Mato Grosso o valor pode chegar a R$ 2.200.

Não foi informado, de onde sairá o recurso nem a partir de quando o benefício será pago. O auxílio pago aos caminhoneiros somará R$ 3,6 bilhões. O anúncio não foi bem recebido pela categoria.

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