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ANOSMIA /

Quinta-feira, 14 de Outubro de 2021, 13h:00

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A nova era das prevenções


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Catherine Vecchi

Na corrida das vacinas contra o maior inimigo comum do mundo, durante a Pandemia da COVID-19 e os avanços da tecnologia, foi que pudemos comprovar que quanto mais as equipes forem unidas, melhor. Trocar informações, requer certos preceitos, estudos associados à literatura, ao comportamento humano, ao aprimoramento da tecnologia, aos conhecimentos na história antiga, exige desempenho e empenho, e demonstração da capacidade de toda teoria posta em prática e colocar o cérebro para pensar em novas possibilidades com tantos desafios, realmente, é uma tarefa profunda e muitas vezes, cansativa.

Em determinados casos, o aporte de investimento multibilionários se faz necessário, como em cenários de guerra como vivenciamos atualmente, a guerra viral e em muitos momentos, a guerra de pessoas ignorantes e resistentes. Em resumo, pessoas unidas e engajadas para um bem maior, resulta no verdadeiro sucesso.

“SEJA INDEPENDENTE”, o ditado popular, que se for analisado com lupa, eu até digo, que é um dos piores ensinamentos que alguém promulgou por aí e virou modinha. Repare que é impossível sermos realmente “independentes”. Por mais que se tenha boa saúde, infraestrutura, condições sanitárias e qualquer coisa boa que agregue e contribua para dar aquela falsa sensação de independência, e que pareça ser real, é uma sentença errônea.

Imagine subdividir o ser humano em camadas, impossível, não é mesmo? Tudo é interligado, os sentidos internos e externos estão em constante vibração e ressonância. Há aquelas outras pessoas que nasceram com algum tipo de deficiência de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, ou adquiriram uma ou mais ao longo da vida, que dependem ainda mais da colaboração coletiva e dos recursos tecnológicos, porque em determinadas ocasiões, barreiras podem obstruir a participação de forma plena e efetiva na sociedade. Bem como a Lei do Estatuto das Pessoas com Deficiência nº 13.146/15, art. 2º menciona.

Fomos feitos para servir, somos feitos para agregar valores, resolvermos problemas, aprimorarmos conhecimentos, somos feitos de trocas. E tudo isso, gera sensações em nosso corpo que reverbera no campo externo. Vivenciamos até mesmo o que pareceu uma profecia já relatada em uma famosa canção, de um dos melhores cantores brasileiros de todos os tempos, Raul Seixas. Intitulada “O dia que a Terra parou”, escrita em 1977. E parou mesmo, desde o final do ano de 2019 para 2020, e já estamos na primeira semana de outubro de 2021. O isolamento social, que nunca havíamos experenciado, tornou-se parte do cotidiano, a advertência de proibição do contato físico e o uso de máscaras faciais, virou a nova moda, sempre acompanhado do álcool em gel, extremos cuidados com a higienização pessoal e higienização sanitária, em lugares públicos e privados, sobretudo em ambientes fechados. Isso era já certo, as partículas virais, duram cerca de 3 a 5 dias em superfícies geladas e em materiais como plásticos, aços e metais. Era ordem, seguir as instruções. E assim, começou a ser feito, uns por vontade própria, outros com dúvida seguiam e deixavam de seguir, outros por descrença da magnitude do caos, recusavam-se a seguir as instruções com algumas ordens inquebrantáveis, por ser um vírus que alastrava rapidamente em certas pessoas, outras mesmo infectadas, tinham pouco ou quase nada dos sintomas virais, sendo chamados assintomáticos, porém um grande agravante de poderem infectarem outras pessoas.

Anosmia, é um termo técnico para qualificar e quantificar a perda do olfato, e por causa do vírus Sars-Cov-2, centenas de milhares de pessoas no globo terrestre, adquiriram em questão de até três dias depois do contágio e passaram a experenciar uma vida incomum. De repente, num golpe do dia para a noite, passaram a não mais sentir cheiro das coisas e nem das pessoas. Por causa da anosmia, foi possível identificar a incubação viral e quantos dias para frente viria de quarentena absoluta, no indivíduo contaminado. Claire Hopkins, uma britânica, professora de rinologia do King´s College, escreveu para a OMS (Organização Mundial de Saúde) certificando que a Anosmia era o sintoma preditor da Covid-19 e isso passou a ser informação valiosa para saber em qual estágio a doença estava incubada no paciente. Em suma, o paladar automaticamente, passa a ser afetado, é 100% certa essa informação. Simplesmente porque um é interdependente do outro, são sentidos químicos e por ser justamente, convergentes entre si.  Por exemplo, o órgão muscular responsável pelo paladar é a língua, ela que consegue perceber os sabores, entre eles, o doce, amargo, azedo, salgado e unami, como descobriram, onde fica alocado no final da língua, último estágio para o alimento e bebidas passarem. Bem, nos dados científicos, atribuem à língua, 20% do que se pode sentir do gosto dos alimentos, e o restante, é do patrono, o OLFATO, com seus 80%, responsáveis pela ligação entre as partículas das moléculas voláteis (quando se morde um alimento, ao cortar o alimento ou é exalado de uma bebida), mistura-se o aroma daquilo que está sendo consumindo no momento e já com as percepções oriundas da língua, essas partículas voláteis percorrem através do ar inalado, um corredor tanto na subida para o trato respiratório, quanto na descida para a garganta, e o ar chegar até os pulmões. E depois do sentido químico chegar até os bulbos olfatórios, ali decodificados e o que eram sentidos químicos, são levados ao cérebro e transformados em sentidos elétricos, onde é possível desvendar os sabores e os aromas e tornando de fato o que se sabe ser o cheiro.

Sempre foi assim no corpo, quando uma pessoa nasce com o sentido do olfato preservado. Anosmia sempre existiu, antes da Covid-19, e o fato de não sentir cheiro era uma questão até banalizada. O que diferencia, é como o vírus ataca justamente as vias aéreas e acaba tolhendo o esse sentido do olfato, de modo temporário ou permanentemente. E para isso, o objetivo principal dessa nota, é estimular o olfato logo após a perda dele, utilizando métodos já confirmados para que haja a retomada das células ciliares, pois o próprio corpo, consegue regenerar sozinho, sendo assim, sempre treinados. Vale lembrar, ao que tudo que se sabe na ciência até hoje, “apenas” 5% das pessoas que adquiriam anosmia na pandemia, ficarão sem sentir cheiro pro resto da vida ou até que descubram a cura dessa doença rara.

Como é o treinamento olfativo? É uma fisioterapia para o olfato, determinada pela frequência que o paciente apresente desde os primeiros dias de queixa e já inicie o processo de cheirar as coisas para que também a memória não seja afetada, porque estes sentidos químicos são ligados nas regiões do hipocampo, amigdalas, sistema límbico, sistemas das emoções e comportamentos. Nem tarde nem cedo demais deve suspender o treinamento, pois há indícios que possa voltar a piorar o quadro. Os especialistas precursores deste movimento do treinamento olfativo, começou em Londres, na Inglaterra. A precursora Chrissy Kelly, perdeu o olfato, e procurou um renomado cientista para apoiar numa iniciativa de retomar o sentido, desesperadamente. Eles mostraram que funciona de fato, e Chrissy, recuperando o próprio olfato, chegou a criar uma Fundação que leva o nome da AbScent. E de lá para cá, mesmo que mais comum do que se ouvia falar em perda do olfato por canais de vinculação de notícias, já era sabido que pessoas adquiriam a anosmia, oriundos de acidentes de carro; tumores cerebrais; doenças degenerativas; hipoplasia do bulbo olfatório...

Para quem perde o sentido do olfato, tudo muda. O sabor dos alimentos muda, os cuidados com higienização devem ser supervisionados com mais rigor, as preocupações com ingestão de alimentos fora do prazo de validade passam a ser constantes, vazamentos de gás, começa se tornar um problema grave, tanto como fumaças e focos de incêndios, e mais que isso, o psicológico é afetado, porque também mexe com o campo da memória afetiva. Novos medos e inseguranças começam a fazer parte do mundo da pessoa, por isso é importante que amigos e familiares, ajudem nessa etapa, para que ela se sinta mais acolhida, seja compreendida com suas instabilidades emocionais, e que a constância do tratamento olfativo seja iniciado, ao menos duas vezes ao dia, com óleos essenciais ou com alimentos comuns, como café, limão, pasta dental, entre outros... Não negligencie, porque essa etapa contribuirá para que a qualidade plena de vida, retorne ou tenha que aprender a viver olhando de um novo ângulo para a nova vida. Para aquelas que o perderam, uma nova e brusca adaptação se fará necessária. Por isso a prática de esportes, meditação, pilates, yoga, contato com a natureza é primordial. A qualidade de vida começa dentro de nós, e mesmo que agora pareça tudo muito complexo, triste, distante de dar certo, acredite, que vai melhorar. A minha fonte de sabedoria é Deus, e se para você for uma outra fonte, insira ela neste contexto.

Acredite, o Criador está construindo uma ponte segura para atravessarmos, mesmo que você não consiga sentir o cheiro da madeira sendo talhada, mesmo você não ouvindo o martelo sendo batido para pregar os parafusos, mesmo você não esteja sentindo seus pés tocarem as tábuas ou não sentindo seus dedos deslizarem no corrimão, mesmo você não enxergando essa ponte sendo construída, ou até mesmo não entendendo como é possível construir essa ponte, mesmo assim, acredite, a ponte está sendo preparada para você atravessar em segurança. Não desista só porque agora parece ser impossível. Todos nós fazemos parte dessa construção, todos nós precisamos receber apoio e fornecer apoio uns aos outros. O que realmente importa é contribuir verdadeiramente, sem falsas demagogias.

Eu sou Catherine Vecchi, nascida na cidade de Campo Mourão, no Paraná, no ano de 1986. Nasci com a deficiência sensorial olfativa, a Anosmia. Desde final de outubro de 2016, após um acidente doméstico e eu ter inalado fumaça, por mais tempo que o corpo humano praticamente conseguiria suportar, um milagre aconteceu, ganhei uma segunda chance de viver. E por causa disso, larguei a carreira de modelo internacional,  voltei a morar com meus pais na cidade de Primavera do Leste, por um ano sabático e comecei a escrever um diário e descobri que eu mesma era preconceituosa comigo e com a minha condição genética, queria ser igual às outras pessoas e ao parecer diferente delas, era um martírio para mim, além de não poder ter feito medicina, eu não sentia o mundo como elas, mas eu tinha minha própria maneira de viver no mundo, e percebi que são as ações humanas que realmente cheiram “bem” ou “mau”.

Foi após o acidente que percebi que não há escala e nem monopólio da dor. Qualquer pessoa com outro tipo de deficiência teria sentido o odor de fumaça e escapado do quarto, por outro lado, eu permaneci lá, acordei com fortes dores de cabeça, garganta ressecada, tontura e ao perceber o perigo, consegui solucionar e encontrar o foco do pré-incêndio.

Não há deficiência pior ou menos ruim que outra, há a deficiência, e cada qual com suas dificuldades e limitações até mesmo no mercado de trabalho, como fonte de renda. Portanto, o meu aprendizado foi começar a superar as barreiras internas, quebrar as amarras da ignorância e me aprofundar no conhecimento para conhecer as minhas próprias limitações, aceitá-las e buscar as ferramentas que podem auxiliar para que tenha uma vida completa à minha própria maneira.

Previna-se, cuide de você e dos outros e por favor, tome a vacina!

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