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Segunda-feira, 07 de Junho de 2021, 06h:30

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Ô raça que é jornalista!

Além da Vacina informação também salva vidas!


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Jaqueline Hatamoto

Em 1º de junho de 1808, começou a circular no Brasil a primeira publicação do periódico Correio Brazilienze, também chamado de Armazém Literário. Depois desta publicação, o dia da imprensa passou a ser comemorado todo o primeiro dia do mês de junho. 212 anos se passaram e há ainda muitas barreiras a serem ultrapassada pela imprensa brasileira, entre elas, a empatia e o apoio da população as causas que envolvam jornalistas.

 

Iniciou-se em Primavera do Leste, uma movimentação por parte de profissionais da comunicação local, para que comunicadores fossem incluídos na lista de prioridade para receber a vacina da Covid-19. Esse foi estopim, para uma revolta quase que geral. E foi neste momento, que mais uma vez, sentimos a frustração de não poder contar com o apoio da sociedade. Nos acusaram de não termos empatia, de que não éramos uma classe que merecia a prioridade, que tínhamos o privilégio de não precisar de transporte coletivo, e houve até quem dissesse, que se caso não quiséssemos ser contaminados, que poderíamos ficar em casa.

Que ironia, logo nós, que vivemos do que está acontecendo no cotidiano, que damos voz ao povo que está na rua.

Para quem acha que jornalismo e informação não são essenciais, vou aqui elencar alguns fatores que tornaram a comunicação ainda mais primordial. Para não ser muito extensa, vou me ater apenas a alguns fatos relacionados à pandemia.

Quando os primeiros casos apareceram na China, coube a um jornalista reportar o que acontecia por lá. Quando imagens falsas de pessoas caídas em meio a avenidas viralizaram, coube aos jornalistas desmenti-las e acender o alerta de que viveríamos tempos difíceis, pois além de fatal, o vírus trazia com ele uma característica muito marcante, a desinformação.

Quando os governos dos estados e federal recusavam-se a atualizar dados em tempo real. Coube a grupos de comunicação se unirem em um consórcio, para fazer a apuração dos casos de Covid-19 para que a população tivesse acesso ao avanço da pandemia no Brasil.

Enquanto todos eram orientados a ficar em casa, os jornalistas eram convidados a participar de coletivas de imprensa diárias, para que governantes, infectologistas, explicassem a proliferação do vírus e quais seriam as medidas adotadas.

Lockdown, mas com redações abertas, em busca de informações sobre o vírus desconhecido. Pois tínhamos consciência que a falta de informação levaria mais pessoas a morte.

Assim como centenas de outros profissionais, não paramos um dia sequer, a informação continuou a ser repassada, mesmo que doessem tanto. Afinal, reportar o medo e morte dói, e marca na alma.

Defendemos o início da vacinação, defendemos que fossem criadas prioridades, cobramos celeridade, cobramos o direito à vida, lutamos pelo acesso de todos a imunização.

O fato de estarmos defendendo a vacinação de comunicadores não significa que queremos passar na frente, significa que só queremos ser inclusos em uma lista de prioridade, assim como foram inclusas várias outras categorias tão essenciais.

Não defendemos apenas nossa classe, mas somos a voz de todos, todos que lutam pela VIDA em pandemia. Isso não é ser egoísta, não é falta de empatia, pois se tem uma coisa que jornalista sabe fazer é se colocar no lugar do outro.

Aqui em Primavera, perdemos dois grandes comunicadores, Vlamir Broom e Odilon Trovão. O vírus cessou as vozes mais icônicas da comunicação primaverense. Os dois se juntam a quase 160 jornalistas que morreram no estado de Mato Grosso. O Brasil é o país com maior número de jornalistas mortos por Covid-19 no mundo.

Esses números se juntam a quase meio milhão de brasileiros que perderam sua vida para a Covid-19. Assusta, traz medo, mas o compromisso social é maior, e mesmo sabendo que corremos riscos, escolhemos todos os dias estar nas ruas em buscas de informações e garantias de que a população terá pelo menos o direito à vida garantido. Apesar de tanta incerteza, continuaremos firmes em nossa missão, pois sabemos que a verdadeira informação também ajuda a salvar vidas.

 

Jaqueline Hatamoto - jornalista

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