REFLEXÃO /

Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019, 07h:00

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O fogo não dorme!

Entre uma área em chamas vorazes e outra sem as chamas, tem gente, têm máquinas, tem suor e trabalho ininterrupto


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Marcos Bidóia

São 21 horas do dia 10/09/19 e acabei de vir de uma frente de combate a incêndio no cerrado e em pastagens nas propriedades rurais próximas à minha.

Uma frente formada por voluntários, um mutirão de vizinhos de propriedades rurais de todos os portes, onde um corre à ajudar o outro.

Por solidariedade e por necessidade.

Eles sabem que o fogo não respeita divisas, nem cercas, estradas, nada.

Pula até por cima de riachos, saltando de uma margem à outra.

Sabem eles que ou o combatem ou logo terão suas reservas de vegetação tão preciosas quanto suas áreas produtivas e até estas, carbonizadas.

São homens que deixaram de produzir, máquinas que ficaram em serviços que não geram riquezas.

Acho que muitos dos que falam sem conhecimento de causa sobre as queimadas, não devem saber que entre uma área em chamas vorazes e outra sem as chamas, tem gente, têm máquinas, tem suor e trabalho ininterrupto, além de riscos de danos materiais e humanos tentando não deixar que uma se encontre com a outra.

Não, não devem saber.

Eu saí desta frente de combate há pouco, mas dezenas de homens e máquinas continuarão lá por horas, pela noite toda até.

Pois o fogo não dorme.

É triste demais para até a mais fria pessoa não sentir uma tristeza profunda ao ver por onde o fogo passou: é uma visão deprimente.

Bem, como terá começado?

Poderia ser combustão espontânea, mas neste caso não foi.

Um infeliz de um egoísta resolveu “limpar” sua pequena roça usando fogo, método abominável para qualquer homem do campo com um mínimo de conhecimento da terra.

Pronto, ele colocou fogo na sua rocinha, virou as costas e foi para casa.

Daquela rocinha até esta frente de combate, são mais de 20 km de distância. E o fogo veio queimando tudo, em todas as direções, milhares de hectares, e continuará seguindo nesta força avassaladora por muitos mais hectares.

Aí eu vejo estes mutirões, gente desesperada com a possibilidade de perder reservas, pastagens, lavouras, criações e benfeitorias.

E lembro de como são injustiçados, como todos eles são mal compreendidos, vezes por ignorância dos acusadores, outras vezes e quase sempre por um jogo político-ambiental ganancioso e estúpido.

NENHUM agricultor, pecuarista, roceiro, quer ver fogo se alastrando, nem mesmo aquele infeliz que foi limpar sua roça com fogo de forma ignorante no real sentido da palavra.

Vou dormir pensando em quantos homens estão neste momento passando mais uma noite acordados combatendo o fogo em suas terras e em terras alheias.

Isso, pelo Brasil todo.

Todos eles, todos, enquanto abafam o fogo, sabem que ao amanhecer, quando ainda estiverem rente às chamas, já terão saído mais umas centenas de manchetes e reportagens caluniosas sobre eles.

Eles abafam o fogo e têm suas verdades abafadas.

 

Marcos Bidóia

Vendedor de Parafusos

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